<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663</id><updated>2011-12-21T13:45:36.868-04:00</updated><title type='text'>Reinvenção</title><subtitle type='html'>Ficções, surpresas, comentários, irritações.
Tudo reinventado. 
Ou não.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>187</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2830792053318429773</id><published>2011-01-20T00:29:00.000-04:00</published><updated>2011-01-20T00:30:32.145-04:00</updated><title type='text'>Unexpected?</title><content type='html'>No dia em que meu pai morreu, eu parecia alguém representando um papel  - mas não era eu, exatamente. Vesti-me perfeitamente no papel de filha de luto, alguém entre a dor e o respeito, entre o silêncio e o soluço. Vesti-me, embora colorida, da sobriedade que a situação exigia. E eu era mais situação que qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre as horas que passavam, no entanto, a dor se infiltrava, silenciosa. E aquela segurança minha, aquela sórdida segurança que esconde o terreno instável em que nos encontramos, aquela segurança se liquefazia, aos poucos, em lágrimas solitárias e medrosas. A dor me ganhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como, não sei quando sofri. Talvez tenha sofrido por toda a minha vida, e também o sofro agora. Talvez tenha me acostumado ao sofrimento que me acomete a cada vez que meu corpo toca o lençol e a luz tênue do abajur se esvai. Talvez nunca em minha vida tivesse me dado conta de que o que tanto se teme também se torna real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, tentando me acalmar, pensava às vezes que aquilo que mais tememos é o que jamais acontecerá. Mentira. Mas também não acho em mim qualquer capacidade premonitória. Acho em mim, sim, uma dor fria, quase coagulada, que não me faz abrir a boca em grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas abro a boca, talvez em suspiro. Ou abro os olhos, tentando impedir, em vão, que a lágrima corra rosto abaixo. Tentando impedir que a dor soterre qualquer vontade de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que meu pai morreu, eu morri um pouco, também. Eu morri bastante. E enterrá-lo, sob um sol ironicamente brilhante e feliz, entre suspiros de tristeza profunda e de calor sufocante, fez com que enterrasse uma grande parte de minha vida. Aquela parte em que bastava fechar os olhos e imaginar que tudo ficaria bem, que pegaria no sono. Aquela parte em que, na verdade, eu tinha a plena certeza de que tudo ficaria bem. Lindos tempos, esses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2830792053318429773?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2830792053318429773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2830792053318429773&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2830792053318429773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2830792053318429773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2011/01/unexpected.html' title='Unexpected?'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7278264447839810870</id><published>2011-01-19T23:37:00.003-04:00</published><updated>2011-01-19T23:51:23.973-04:00</updated><title type='text'>Da serra e do mar</title><content type='html'>Sempre fui das montanhas. E do mar. Sempre, talvez, tenha sido da serra do mar. Escarpada, íngreme, mas com um horizonte dócil e reto. Um horizonte alheio a qualquer movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a serra, a terra, não é firme. Ilusão a minha. Venderam-me como terra firme, o escorrediço. E é, de fato? Toda eu escorrego em medos, inquietações, angústias. As árvores, que antes sombreavam, agora esperam, espiãs. Atentas, talvez, ao menor ruído dos trovões distantes. Atentas ao céu que se liquefaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra se liquefaz. A serra. Tão certa apontando para o céu. A serra se liquefaz e vamos, a caminho do mar, ainda que por tortuosos destinos. Sempre em busca daquele secreto horizonte, tão firme, tão dócil, tão reto. Tão alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A serra - erra? - que se move e que nos move, nômades aprisionados entre árvores centenárias. O seguro existe? O céu que nos protege?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A serra do mar: ondas. Ondas que se veem de cima do avião, ou das vertiginosas hélices dos helicópteros que se afastam mas não nos escapam. As ondas em que nos posicionamos, rijos, firmes, claros, nobres. As ondas que não se sabe quando vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde arrebentaremos nós, os (da serra) do mar? Onde a espuma se faz areia, onde o rio se faz oceano? Onde se faz da terra o mar? Onde pomos os pés, sem prancha, sem sabermos se estamos à beira ou em águas profundas? Onde, como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inútil tentar descobrir. Serei eu íngreme, movediça, enquanto meus olhos pairam frente ao oceano a tudo alheio? Seremos todos nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, é noite, e um luar complacente banha as ondas das escarpas. É noite, e tudo silencia, tranquilamente. Mas, sei eu, sabemos nós, as ondas vêm. E elas não avisam, mesmo em janeiros, quando vão chegar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7278264447839810870?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7278264447839810870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7278264447839810870&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7278264447839810870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7278264447839810870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2011/01/da-serra-e-do-mar.html' title='Da serra e do mar'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6282990015661774044</id><published>2010-10-29T22:37:00.003-04:00</published><updated>2011-01-19T23:54:19.993-04:00</updated><title type='text'>Joie de vivre</title><content type='html'>Passeava pelas calçadas, fechando os olhos ao inspirar. A cadência de seus passos fazia balançarem seus cabelos longos, mas ela começava a sentir a nuca que suava, e suas faces iam pouco a pouco tornando-se rubras. As copas das árvores, unidas, colocavam-na em suave penumbra em pleno meio-dia, mas os raios de sol que escorregavam até ela tornavam-na instantaneamente brilhante, quente, úmida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pensava em nada. Não havia pensar - só sentir. Os passos na calçada. A cada lufada de ar, os pulmões se enchendo e se esvaziando. A cabeça pendeu para trás, as hastes das flores às margens do rio curvavam-se à leve brisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tão bom. Era tão simples: bastava respirar, e todo o resto desaparecia. Ou só apareciam os cheiros, as formas, as cores das fohas das árvores que ficavam cor-de-rosa-maravilha ao fim de outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tão bom, era tão simples: sem problemas, ou - que existissem! O sol era mais forte. Também o céu. Também o ar. E o cheiro do mato crescendo aos poucos sem pressa, descompromissadamente. Era ela. Ela era. Tão simples.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6282990015661774044?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6282990015661774044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6282990015661774044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6282990015661774044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6282990015661774044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2010/10/joie-de-vivre.html' title='Joie de vivre'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2686784173789387237</id><published>2010-04-28T22:26:00.002-04:00</published><updated>2010-04-28T22:32:19.481-04:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo</title><content type='html'>Experimento correr os dedos sobre o teclado: domino todas as letras, pontos, sinais. E juntá-los, como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o mistério. Em um livro, lê-se que a vida é milagre, combinação de tantos elementos químicos tão banais mas que, sabe Deus em que momento e por que razão, juntam-se e formam todos nós, cada um tão igual e tão diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o mistério: todas as combinações estão aqui, sob meus dedos. Posso abrir a caixa? Drummond disse isso melhor que eu. Ao menor esforço, tudo se acessa. Revelam-se as realidades inexistentes? Revelo-me eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tão fácil, tão íntimo, tão meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pensar que escrever às vezes parece simples.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2686784173789387237?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2686784173789387237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2686784173789387237&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2686784173789387237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2686784173789387237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2010/04/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7504762665340740943</id><published>2009-04-29T15:32:00.002-04:00</published><updated>2009-04-29T15:36:52.770-04:00</updated><title type='text'>Instantâneo</title><content type='html'>Certa saudade de mim: não acho minhas palavras entre as alheias. Olho textos, fotos, e me pergunto em que ponto exato eu parei no caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento cultivar flores para ter alguma poesia na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No "devagar depressa dos tempos", só mesmo Guimarães Rosa para surpreender de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo tão esparso e fragmentário que eu me sinto mega-pós-moderna (os hifens estão certos?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda vou tentar organizar minha vida e o tempo louco que me arrebata rumo a sabe Deus o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7504762665340740943?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7504762665340740943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7504762665340740943&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7504762665340740943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7504762665340740943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2009/04/instantaneo.html' title='Instantâneo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-170497932769822864</id><published>2009-03-11T02:05:00.001-04:00</published><updated>2009-03-11T02:08:48.475-04:00</updated><title type='text'>Mural</title><content type='html'>A tese, sempre ela, nos últimos meses, semanas, dias. A tese. E, às três da manhã, tenho que citar. Clarice. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;EM BUSCA DO PRAZER&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E tanto sofrimento por estar, às vezes sem nem saber, à cata de prazeres. Não sei como esperar que eles venham sozinhos. E é tão dramático: basta olhar numa boate à meia-luz os outros: a busca do prazer que não vem sozinho e de si mesmo. A busca do prazer me tem sido água ruim: colo a boca e sinto a bica enferrujada, escorrem dois pingos de água morna: é a água seca. Não, antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-170497932769822864?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/170497932769822864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=170497932769822864&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/170497932769822864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/170497932769822864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2009/03/mural.html' title='Mural'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1287529106058641837</id><published>2009-01-04T13:47:00.002-04:00</published><updated>2009-01-04T13:57:03.804-04:00</updated><title type='text'>Em 2009</title><content type='html'>Há algum tempo que já não passo por aqui. No entanto, tem passado o tempo. Os dias, as estações se sucedem - sem ordem lógica, é verdade. É inverno no início do ano, e da janela só vejo uma chuvinha triste e fina, fininha, que me faz pensar em White Christmas. É janeiro e meus olhos se esforçam para ver além da chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se cheguei a fazer alguma resolução de ano novo. Acho que, talvez, nunca tenha feito alguma. Ou, se fiz, jamais deu certo. Ainda não decidi se acredito ou não que, na transição momentânea de um ano para o outro, as coisas realmente mudam. Mudo eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei, sim, que mudaram as regras da boa escrita - estou obsoleta. Percebo que precisaria voltar ao texto, revisar e ver se não coloquei aqui nenhuma palavra - que essa, sim, transformou-se na mudança de um ano para o outro - incorretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Coloco isso na lista enevoada de minhas resoluções de ano novo. Um dia, quem sabe, volto ao texto, e corrijo, retiro os pingos dos us. Sabe Deus se isso vai acontecer um dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1287529106058641837?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1287529106058641837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1287529106058641837&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1287529106058641837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1287529106058641837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2009/01/em-2009.html' title='Em 2009'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-4459010999375789754</id><published>2008-11-10T21:37:00.007-04:00</published><updated>2008-11-10T22:06:01.132-04:00</updated><title type='text'>Do mural à tese sem que eu tenha percebido</title><content type='html'>Procurei, mas não encontrei. É de &lt;em&gt;Roteiro do silêncio&lt;/em&gt;, Hilda Hilst, em 1959. O trecho eu peguei em um artigo no volume a ela dedicado dos &lt;em&gt;Cadernos de literatura brasileira&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não há silêncio bastante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;para o meu silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nas prisões e nos conventos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nas igrejas e na noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não há silêncio bastante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para o meu silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O não dizer é o que inflama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E a boca sem movimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É o que torna o pensamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lume &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cardume&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;********** &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando lendo um pouco mais Hilda Hilst, e descubro da poesia mais densa e legítima. Às vezes encontro daquelas coisas que gostaria de ter escrito (gostar não é, evidentemente, ter possibilidade de). Mas leio, e quem sabe não sai alguma coisa disso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque o contexto era outro. Entrando um pouquinho na aula, o trechinho do poema é bem representativo dessa época complicada por que passou o mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seguindo os rastros dessa caminhada, destacamos, em sua poesia primeira, a presença do "silêncio" que se impunha aos poetas nos anos 50 (período da Guerra Fria, quando parecia que já não havia mais nada a dizer ou que nada mais importava). O que não significa que se calaram. Na verdade, de mil modos, falaram sobre o &lt;/em&gt;não-falar&lt;em&gt; ou sobre a inutilidade da fala.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso está no volume dos &lt;em&gt;Cadernos&lt;/em&gt;. A autora é Nelly Novaes Coelho - escapo do plágio, mas não vou ser chata a ponto de colocar referência bibliográfica (lembrar-me de escrever a tese em outra hora e em outro lugar).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A propósito, a tese nada tem a ver com Hilda Hilst. Pelo menos, não que eu saiba. Essas coisas têm suas esquisitices, e às vezes nos levam aonde não planejamos ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, já que inspiração não vem, escrevo qualquer coisa de um livro que comecei a ler hoje. Aí vai um trechinho interessante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(...) é um pacto de mão dupla: o escritor se faz ouvir e o leitor lhe dá ouvidos - ou, mais precisamente, o escritor trabalha para criar ou encontrar uma voz que irá alcançar o leitor, fazendo-o apurar ouvidos e prestar atenção.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É de &lt;em&gt;A voz do escritor&lt;/em&gt;, de A. Alvarez. Sem referência bibliográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrar-me de tentar escrever a tese.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-4459010999375789754?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/4459010999375789754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=4459010999375789754&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4459010999375789754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4459010999375789754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/11/do-mural-tese-sem-que-eu-tenha.html' title='Do mural à tese sem que eu tenha percebido'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7649751508384112566</id><published>2008-09-01T20:15:00.002-04:00</published><updated>2008-11-10T22:01:08.582-04:00</updated><title type='text'>Menos que uma  tentativa</title><content type='html'>Alguma falta, não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto falta das palavras escorrendo entre os dedos - mesmo sabendo que não conseguirei pegá-las.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7649751508384112566?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7649751508384112566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7649751508384112566&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7649751508384112566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7649751508384112566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/09/menos-que-uma-tentativa.html' title='Menos que uma  tentativa'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5002772129402461571</id><published>2008-08-31T16:24:00.003-04:00</published><updated>2008-08-31T16:33:33.904-04:00</updated><title type='text'>Só porque é hoje</title><content type='html'>Descobri que hoje é o Dia (Internacional!) do Blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri, também, que a escolha se deu pela semelhança da data com a palavra blog: 3108. Vá lá que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri, ainda, que hoje é dia de colocar mensagens a seus leitores, indicando blogs interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cá está este blog, totalmente desinteressante, abandonado, primeiramente, por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Única postagem de agosto. Mais uma postagem totalmente sem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitores, por favor - caso ainda haja alguém que visite esta empoeirada página -, cobrem mais de mim - caso ainda haja alguém que acha que vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que consigo desempoeirar??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5002772129402461571?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5002772129402461571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5002772129402461571&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5002772129402461571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5002772129402461571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/08/s-porque-hoje.html' title='Só porque é hoje'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-9062510418992890783</id><published>2008-08-03T18:22:00.003-04:00</published><updated>2008-08-03T18:26:39.127-04:00</updated><title type='text'>Bocejo</title><content type='html'>Humpf. Lá se vão as férias, ou o que quer que essas últimas duas semanas tenham sido. Saldo: quinze dias de gripe, Petrópolis full time, no máximo três ou quatro idas a Itaipava. A casa está tão ou mais bagunçada do que antes. Todo e qualquer planejamento foi por água abaixo. Nem Mauá, nem Tiradentes, nem Ilhabela: cama e sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momento: preparação psicológica para o celular tocando acintosamente às seis da manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-9062510418992890783?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/9062510418992890783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=9062510418992890783&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/9062510418992890783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/9062510418992890783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/08/bocejo.html' title='Bocejo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2165703519544880919</id><published>2008-07-16T00:06:00.001-04:00</published><updated>2008-07-16T00:07:34.653-04:00</updated><title type='text'>E eis que se anuncia o fim do jantar romântico</title><content type='html'>Namorados, tremei. Namoradas, principalmente, pois sabemos que sobretudo as mulheres têm em alta conta, no seu imaginário, sonhos e aspirações a instituição do jantar romântico. Sim, o programinha ideal para um casal de apaixonados que, com a desculpa da refeição, encontra-se para falar da vida atual, planejar a vida futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário: julho, um frio delicioso na serra e é lugar-comum que o destino mais apropriado é algum restaurante aconchegante em Itaipava, em que o casal escolherá um fondue – nada mais adequado quando o que se quer é prolongar o momento de estarem juntos – e, para acompanhar – a menos que ele ou ela seja abstêmio –, uma garrafa, meia-garrafa, quem sabe, de um bom vinho tinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto: ouço agora o berro do politicamente correto. E, pior: agora, não só mais o “politicamente correto”, mas o grito do “absurdo”, da “irresponsabilidade”, do – “crime”! Jantar romântico que é jantar romântico, a menos que um dos namorados não tenha carro, não termina com um táxi. Até porque o táxi de Petrópolis a Itaipava, ida e volta, à noite, fim de semana, custa um pouquinho caro – possivelmente vai custar mais que o tal jantar romântico. É só imaginar: a doce conversa do casal enamorado, embriagado mais de amor que de duas taças de vinho, continua no banco de trás de um carro dirigido por um desconhecido que, não raramente, deixa o rádio ligado em uma estação AM? Ou que teima em conversar com os passageiros? Ou que mantém o mais absoluto silêncio, fazendo com que se cale qualquer tentativa de continuação do assunto enquanto, à meia-luz, o casal parecia estar sozinho no restaurante? Acho que não. O jantar romântico é, necessariamente, continuado no caminho de volta, em que – cena romântica –, o namorado deixa em casa a namorada, não sem alguns beijos de despedida. Beijos de despedida como, na frente do taxista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos à opção do fondue sem vinho. Bem, em um jantar romântico, não há a possibilidade – a menos, claro, que um dos dois seja abstêmio – do “eu tomo vinho e você, que está dirigindo, refrigerante”. Vinho é, sobretudo, uma bebida social. Há o brinde – sempre ao futuro, ou algo assim. Não raro toma-se mais água do que vinho durante o jantar, mas o vinho é importante. É solene sem deixar de ser intimista, é sedutor, é charmoso. Namorados pedem bons vinhos para impressionar suas namoradas. Na opção de substituir o vinho por suco ou refrigerante... Bem, eu simplesmente não consigo imaginar fondue com refrigerante. Ou suco. Há todo um ritual no jantar romântico: tente trocar o gesto de usar o saca-rolhas pela retirada do anel da lata de alumínio. Não, não combina. E não é pelo teor alcoólico: basta trocar a taça por um copinho de cachaça – igual (ou mesmo maior) equívoco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, namorados, e namoradas, as mais prejudicadas, talvez: esqueçam o sonho de jantar, inocentemente, romanticamente, em Itaipava, ou em qualquer outro lugar, à meia-luz, com um bom vinho, com a boa companhia de seus namorados, sem preocupação qualquer. Rito que é, não é simples substituir seus elementos, ainda que simbólicos – como é simbólico o vinho que toma o casal apaixonado. Mas, pelo rigor da lei, mudam-se os costumes – nem que seja a tapa. Será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2165703519544880919?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2165703519544880919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2165703519544880919&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2165703519544880919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2165703519544880919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/07/e-eis-que-se-anuncia-o-fim-do-jantar.html' title='E eis que se anuncia o fim do jantar romântico'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5393560861761122093</id><published>2008-06-09T17:15:00.004-04:00</published><updated>2008-06-09T17:48:20.856-04:00</updated><title type='text'>Dois minutos de análise ou If I were a character</title><content type='html'>Tenho uma certa fidelidade às coisas. Mesmo número do celular desde sempre - sequer cogito trocar de operadora só por apego aos dígitos, e olha que isso me faz deixar de considerar alguma economia. Peço sempre a promoção número 4 no McDonald´s. Sempre coca-light (apesar de não notar grande diferença, evito a coca zero). Sempre caipivodka de morango, quando é hora de caipivodka de morango. Pizza ou de lombinho canadense com alho-poró ou margarita (assim eu descobri que sou vidrada em manjericão). Vou sempre aos mesmos lugares. Costumo comprar nas mesmas lojas. Sempre tenho que prestar dupla atenção para não pegar o caminho do Fundão quando vou ao Rio e desço pela Vermelha em direção à Zona Sul. Ouço, claro, sempre os mesmos CD´s. Deixei uma conta de e-mail antiga com algum sofrimento, e ainda me pergunto se posso recuperá-la. De uns tempos pra cá, só tomo sorvete de pistache. Não penso em trocar de banco. Sempre lírios cor-de-rosa no vaso sobre a mesa da sala de jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não sou muito chegada a mudanças. E também tenho dificuldade para me desfazer das coisas. Fiquei no mesmo bairro depois de casada. Não quero mudar de cidade e simplesmente não concebo a idéia de mudar de Estado. Sou incapaz de me desfazer de minhas agendas antigas, e isso me remete ao início da década de 90. Guardo centenas de e-mails. Isso sem falar nas centenas de faturas de cartão de crédito espalhadas pelas gavetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto muitas saudades. De tudo. De bobagens. Tenho sempre a melancolia do momento perdido. E a certeza de que o momento de agora também não durará muito. Então eu me apego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que esteja certa. Mas também não acho que esteja errada. Até gosto da minha previsibilidade. Talvez tente compor um esboço de retrato meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mudo, também. De humor, sobretudo. Para mim, não há tristeza pouca. A ínfima bobagem pode me levar à terrível angústia: basta começar a chorar. Quando choro, choro por tudo - tenho inveja de quem consegue chorar discretamente, enxugar os olhos e continuar. Eu, não. Eu me dilacero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento, às vezes, me entender. E percebo que não entendo o porquê de ter escrito tudo isso. Peço desculpas pelas idéias desconexas, e também pelo tom egocêntrico. Alguém dirá que é necessidade de análise. Outra pessoa pensará que há alguma vaidade. Eu nem sei o que dizer. Talvez, apenas que é bom, de vez em quando, olhar-se de fora e tentar enxergar-se como alguém outro, tão estranho a si mesmo. E, quem sabe, transformar-se um pouco em personagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5393560861761122093?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5393560861761122093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5393560861761122093&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5393560861761122093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5393560861761122093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/06/dois-minutos-de-anlise-ou-if-i-were.html' title='Dois minutos de análise ou If I were a character'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6811779641790057351</id><published>2008-05-30T18:00:00.003-04:00</published><updated>2008-05-30T18:28:48.400-04:00</updated><title type='text'>O nadador</title><content type='html'>Era a primeira vez que o nadador do interior estava em frente ao mar. Tão diferente das piscinas, tão vasto e profundo. E infinito. Além, só a costa africana. Fitava o horizonte como se pudesse lá encontrar um destino. Além, muito além, mais além do que o longínquo das histórias que ouvia na infância. Além, mais além. O oceano se oferecia em tons de verdes-azuis, o som das ondas chamando-o, chamando-o. Areia firme, o sal que a pele sentia com o correr do vento. Era tão bom, ele pensava, ou só sentia, e só sentir já era o suficiente. Uma imensa linha – reta? – à frente, uma linha reta inatingível – sempre além, sempre mais além. Sem chegadas. O horizonte, imóvel, o desafiava – mas seus braços eram fortes, e venceriam os infindáveis quilômetros. Braços fortes, ele sabia. Rompeu a superfície plana do mar tão calmo e foi além – para lá encontrar seu destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6811779641790057351?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6811779641790057351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6811779641790057351&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6811779641790057351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6811779641790057351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/05/o-nadador.html' title='O nadador'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3400305372075878996</id><published>2008-04-19T23:25:00.002-04:00</published><updated>2008-04-19T23:30:51.711-04:00</updated><title type='text'>Toda a poesia</title><content type='html'>É para eu falar, talvez pela primeira vez aqui, da experiência de assistir a "Vinicius", ou qualquer que seja exatamente o nome (talvez pela décima oitava vez).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emociono-me como se tivesse vivido a década de 30. Ou 40. Ou 50. Descubro-me saudosa de um tempo que não vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que sou meio bossa nova, meio rock´n´roll.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3400305372075878996?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3400305372075878996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3400305372075878996&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3400305372075878996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3400305372075878996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/04/toda-poesia.html' title='Toda a poesia'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5994368992567087353</id><published>2008-04-18T18:24:00.002-04:00</published><updated>2008-04-18T18:48:02.588-04:00</updated><title type='text'>De profundis</title><content type='html'>Fixava os círculos concêntricos que surgiam e desapareciam, rapidamente, na superfície turva do lago - efêmeras cicatrizes deixadas pelas pedras. Buscava olhar o céu, as nuvens, mas a água estava lá: mergulho em si mesmo. Um inseto pousou na lâmina-d´água, imóvel. O improvável equilíbrio, e ele prestes a deslizar, chocando-se contra a superfície dura do mundo à sua volta. A falsa segurança da superfície da água: ondeou-se o espelho escuro do céu nublado, voou o inseto. Depois, silêncio. Apenas alguns círculos concêntricos às primeiras gotas de chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5994368992567087353?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5994368992567087353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5994368992567087353&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5994368992567087353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5994368992567087353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/04/de-profundis.html' title='De profundis'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-8408711736526471700</id><published>2008-04-15T10:09:00.002-04:00</published><updated>2008-04-15T10:22:54.023-04:00</updated><title type='text'>De manhãzinha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/SAS6Lxbe7oI/AAAAAAAAACA/-ea4wHjU1R0/s1600-h/DSC09953.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/SAS6Lxbe7oI/AAAAAAAAACA/-ea4wHjU1R0/s320/DSC09953.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189477382047592066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acho que essa foi a minha última visão de sol, ainda que com o céu todo nublado, antes da chegada da mais recente frente fria. Às vezes é um privilégio acordar bem cedo, e ver o mundo antes que ele tenha tempo de se ordenar. É um privilégio poder captar o efêmero alaranjado do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, cobre meus olhos densa neblina que transforma em fraca sombra os eucaliptos tão perto. Aos poucos, vem o frio e me toma por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque se aproximam os feriados e os dias de sol e mar. Ou só mar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-8408711736526471700?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/8408711736526471700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=8408711736526471700&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8408711736526471700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8408711736526471700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/04/de-manhzinha.html' title='De manhãzinha'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/SAS6Lxbe7oI/AAAAAAAAACA/-ea4wHjU1R0/s72-c/DSC09953.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-4012911340255939659</id><published>2008-04-14T17:44:00.002-04:00</published><updated>2008-04-14T17:45:54.525-04:00</updated><title type='text'>Desfecho</title><content type='html'>Mastigava ruidosamente um chiclete de cheiro forte. Eu tentava olhar em seus olhos, mas não conseguia. A janela, o céu, a rua – tantos outros interesses. Eu tentava pegar em sua mão, mas não conseguia. Tentava dizer também alguma coisa, mas as palavras se congelavam em minha garganta, e eu não pude fazer nada além de pigarrear timidamente. Da rua vinha um barulho incessante de agitação, e eu tentando me fixar; fixar meu olhar no dela, minhas mãos nas dela, minhas idéias. Mas nada. Ela olhando a rua, eu sentado no chão, recostado numa parede. Havia já muito tempo que estávamos naquela situação ridícula. Horas? Não sei, talvez algumas poucas dezenas de minutos, mas eu tinha a sensação de que uma poeira de anos me cobria. Silêncio, é claro, se eu não considerasse o barulho da rua, lá fora. E o barulho do chiclete que ela ia mastigando ruidosamente que, àquela altura, já não devia ter mais gosto nenhum. Pelo menos ela estava fazendo alguma coisa, concentrando-se toda nos maxilares, violentamente, às vezes; eu buscava o que fazer, o que falar, mas havia um imenso vazio em torno de mim, um imenso e empoeirado vazio. Levantei-me do chão e me sentei na cadeira no canto da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava à janela, concentrada lá fora e em seu chiclete. Então, eu disse, e só disse isso. Ela não olhou para mim, mas pude adivinhar que ela arqueou a sobrancelha direita como só ela sabia fazer, e o seu olhar adquiria um tom de piedade e deboche. Devagar, ela se virou. Primeiro, olhando o chão de madeira riscado, depois subindo aos poucos, parecendo examinar cuidadosamente os pés da cadeira em que eu estava sentado, olhando vagamente a parede nua, desviando-se inicialmente do meu rosto. Então, eu disse novamente, e ela perguntou então o quê, e eu não sabia o que dizer, mas só o fato de poder ouvir dela qualquer coisa que não fosse o som do chiclete barulhento significava-me um anúncio de reconciliação. Ela esperava que eu continuasse, eu só pude me levantar e segurar frouxamente suas mãos, e ela me olhou sem me dizer palavra, enquanto os olhos escuros cresciam e se tornavam quentes, densos e úmidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chore, foi o que consegui dizer, já começando a sentir minha própria voz embargada depois de tanto silêncio. Não chore, mas eu chorava; chorávamos quietos, quase sozinhos. Separava-nos a dor da poeira das horas, do vazio, das palavras ditas e não ditas, das palavras incompreendidas. Me desculpe, ela disse, e eu não soube o que fazer, apenas apertei suas mãos e puxei-as para um abraço quase violento, de soluços e espasmos. Me desculpe, ela disse, e não disse mais nada. Afastou-se do meu peito para olhar meu rosto, secou minhas lágrimas e me fitou como quem dissesse vem. Eu fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-4012911340255939659?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/4012911340255939659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=4012911340255939659&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4012911340255939659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4012911340255939659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/04/desfecho.html' title='Desfecho'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3739911088192700935</id><published>2008-04-11T18:26:00.002-04:00</published><updated>2008-04-11T18:29:44.986-04:00</updated><title type='text'>Viagem ao redor de mim mesma</title><content type='html'>O sorriso cravado na foto&lt;br /&gt;Tulipa de plástico na poeira dos dias.&lt;br /&gt;Sobre a mesa brilham os metais&lt;br /&gt;E as recordações de palavras além.&lt;br /&gt;Páginas e páginas cheias&lt;br /&gt;De céu, de choro, de tudo&lt;br /&gt;De tudo o que há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que pesa&lt;br /&gt;O que grita&lt;br /&gt;O que dói&lt;br /&gt;É o branco do papel&lt;br /&gt;Enquanto dilacera-se, barulhento,&lt;br /&gt;O mundo dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3739911088192700935?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3739911088192700935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3739911088192700935&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3739911088192700935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3739911088192700935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/04/viagem-ao-redor-de-mim-mesma.html' title='Viagem ao redor de mim mesma'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5239592759758741447</id><published>2008-04-04T18:41:00.004-04:00</published><updated>2008-04-04T19:14:58.740-04:00</updated><title type='text'>15h40</title><content type='html'>Uns olhos doces, doces, e as mãos me dizendo que podia chover o quanto de água houvesse para cair pelo resto daquela tarde. Que chova, ela dizia, eu pensava - e chovia. A voz dela escorria quente pela minha pele, e havia em seu cheiro algo da terra molhada lá de fora, a terra seca se abrindo à primeira chuva depois do estio. As mãos me dizendo que não era preciso dizer mais nada, e nós nos entendíamos apesar das palavras desencontradas e supérfluas. Beba o seu café, eu disse, vai esfriar, e ela me obedecia sem pensar nos gestos, levada que estava - que estávamos - pela sensação irrestível de, sem refletir, sem pesar, sem medir, deixar-se ir, deixar-se levar, levar, levar. Ela bebia o café enquanto eu a observava, e nós nos dizíamos, do fundo de nossas almas de jovens modernos, o mais antigo discurso amoroso. Nós nos levávamos, juntos, sem saber por quê, mas nos levávamos - e era bom, era bom, Deus, como era bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me dizia que perdera o desejo do irresistível havia muito, e que se acostumara às emoções submetidas à ordem dos dias. Sabia o que esperar, sabia o que fazer e o que receber em troca. Passou a viver sem pensar no se. Sem pensar no ou. Até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também me sentia um pouco como ela. Os anos anteriores pareciam alheia história. Todo o tempo organizado segundo critérios racionais e inteligentes. A otimização de tempo, de dinheiro, de esforços, de tentativas. Até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chovia, e deixamo-nos levar. Era dia útil, horário comercial, e chovia. O mundo acontecia lá fora, os guarda-chuvas coloridos se esbarravam na calçada lotada. Havia tanta coisa a fazer, e deixamo-nos levar. Telefones tocavam, chamando-nos, mas já era tarde. A chuva carregou-nos para dentro um do outro. Dia útil. Horário comercial. E nós nos amávamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5239592759758741447?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5239592759758741447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5239592759758741447&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5239592759758741447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5239592759758741447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/04/15h40.html' title='15h40'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-8316278194243001026</id><published>2008-03-29T01:02:00.004-04:00</published><updated>2008-03-29T01:12:56.760-04:00</updated><title type='text'>Mural</title><content type='html'>Mural. De novo. É madrugada, e preparo aula. Sem tempo para pensamentos. Portanto, alheias palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é de Vivian Kogut.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:78%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;POEMA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Com a primavera tirada dos teus dedos&lt;br /&gt;teci no estuque uma casa ventilada&lt;br /&gt;a grama funda que farfalha na minha pele&lt;br /&gt;reveste os muros e sombreia a nossa entrada.&lt;br /&gt;Do vento morno desprendo grãos de fruta&lt;br /&gt;que me recobrem os gestos&lt;br /&gt;e o corpo aberto pela luz da clarabóia.&lt;br /&gt;No silêncio que atravessa treliça e teto&lt;br /&gt;deito repleta de raspas de incenso&lt;br /&gt;e respiro o cedro de tuas mãos estendidas&lt;br /&gt;na cama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Prometo que um dia eu volto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-8316278194243001026?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/8316278194243001026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=8316278194243001026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8316278194243001026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8316278194243001026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/03/mural.html' title='Mural'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-760296487751640010</id><published>2008-02-29T19:05:00.003-04:00</published><updated>2008-02-29T19:25:10.180-04:00</updated><title type='text'>Mural</title><content type='html'>É preciso escrever qualquer coisa neste blog, nem que seja coisa alheia. Pois  então, em homenagem à data tão rara, publico aqui um poema tão bonito, sonoro e plástico do Ferreira Gullar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai-se o verão escorrendo por nossos dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;VERÃO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Este fevereiro azul&lt;br /&gt;como a chama da paixão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;nascido com a morte certa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;com prevista duração&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;deflagra suas manhãs&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;sobre as montanhas e o mar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;com o desatino de tudo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que está para se acabar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A carne de fevereiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;tem o sabor suicida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;de coisa que está vivendo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;vivendo mas já perdida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas como tudo que vive&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;não desiste de viver,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;fevereiro não desiste:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;vai morrer, não quer morrer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E a luta de resistência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;se trava em todo lugar:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;por cima dos edifícios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;por sobre as águas do mar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O vento que empurra a tarde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;arrasta a fera ferida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;rasga-lhe o corpo de nuvens,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;dessangra-a sobre a Avenida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vieira Souto e o Arpoador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;numa ampla hemorragia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Suja de sangue as montanhas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;tinge as águas da baía.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E nesse esquartejamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;a que outros chamam verão,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;fevereiro ainda em agonia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;resiste mordendo o chão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sim, fevereiro resiste&lt;br /&gt;como uma fera ferida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E essa esperança doida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que é o próprio nome da vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vai morrer, não quer morrer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se apega a tudo que existe:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;na areia, no mar, na relva,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;no meu coração - resiste.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-760296487751640010?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/760296487751640010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=760296487751640010&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/760296487751640010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/760296487751640010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2008/02/mural.html' title='Mural'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6251794258761050191</id><published>2007-12-13T15:20:00.000-04:00</published><updated>2007-12-13T15:34:15.926-04:00</updated><title type='text'>Noturno</title><content type='html'>Da noite só sei o medo&lt;br /&gt;E o pranto incontido,&lt;br /&gt;Incompreensível.&lt;br /&gt;Da noite só sei o silêncio&lt;br /&gt;Sombrio, soturno,&lt;br /&gt;Sem olhos fechados de sono.&lt;br /&gt;Da noite só sinto as sombras&lt;br /&gt;Sorrateiras e caladas na parede.&lt;br /&gt;E nem a lua me acalma diante&lt;br /&gt;Dos olhos abertos, dos vários segredos.&lt;br /&gt;Da noite só sei eu mesma,&lt;br /&gt;De manhãs e tardes longas&lt;br /&gt;E palavras ressoando.&lt;br /&gt;Enquanto, à volta,&lt;br /&gt;Ressona o mundo,&lt;br /&gt;E eu, muda,&lt;br /&gt;Encolho-me entre silêncio e breu.&lt;br /&gt;Da noite, da noite,&lt;br /&gt;Da noite só sei o medo&lt;br /&gt;De a ela, tão crua, tão dura,&lt;br /&gt;Tornar novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6251794258761050191?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6251794258761050191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6251794258761050191&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6251794258761050191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6251794258761050191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/12/noturno.html' title='Noturno'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-425485076274447787</id><published>2007-12-13T15:12:00.000-04:00</published><updated>2007-12-13T15:19:50.098-04:00</updated><title type='text'>Notas verdadeiras sobre um escândalo silenciado</title><content type='html'>Parece mentira, mas não é. Nos dias 21, 22 e 23 de novembro aconteceu, em Niterói, o II Congresso de Educação do Estado do Rio de Janeiro, do qual participaram professores de várias escolas de todo o Estado. Os professores, eleitos, foram convocados a participar do evento que discutiu, entre outras coisas, os rumos da educação nas escolas estaduais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trabalho, os professores viajaram, tendo pagos transporte, hospedagem e alimentação. Embora o Congresso acontecesse em Niterói, os professores foram levados para hotéis no Rio de Janeiro. Não seria nada de mais – realmente a capital dispõe de muito mais opções – caso os professores – quatro ônibus! – não tivessem sido levados para hotéis de reputação no mínimo suspeita. Um dos ônibus levou os professores para o Hotel Alicante. Não havia água quente, e os quartos eram decorados com espelhos por toda parte. Este grupo teve sorte: os professores reclamaram e foram para um hotel também na Lapa, mas um duas estrelas com dignidade – Hotel Nice, pode ser encontrado inclusive na web. Um outro grupo não teve tanta sorte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ônibus foi levado para a Praça Mauá. Sim. Praça Mauá. O hotel – se é que pode ser chamado assim – é utilizado pelas prostitutas da região. Os professores foram levados para um hotel de viração, e lá ficaram, em quartos normalmente ocupados por alguns casais diferentes por noite. Depois, de manhã, um ônibus buscava os participantes do Congresso que discutiriam os rumos da educação no Rio, ao lado dos mais variados Secretários do Estado, governador, Ministro da Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De dia, nobres causas e engajamento nas discussões. À noite, junto das putas da Lapa e da Praça Mauá, os professores sentem exatamente quanto vale a educação no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Não, este blog não é dado a comentários sobre a atual situação econômica, debates políticos ou conjeturas sobre os reflexos da baixa do dólar na balança comercial brasileira. Porém, não tendo sido tal situação aviltante exposta em qualquer outro veículo, senti-me no dever de escrever aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, é claro, que ninguém leia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-425485076274447787?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/425485076274447787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=425485076274447787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/425485076274447787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/425485076274447787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/12/notas-verdadeiras-sobre-um-escndalo.html' title='Notas verdadeiras sobre um escândalo silenciado'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-4776168615420208144</id><published>2007-11-22T16:40:00.001-04:00</published><updated>2007-11-22T16:46:40.675-04:00</updated><title type='text'>Fragmentos de um discurso pós-quase-amor</title><content type='html'>- Eu não sei bem o que quero agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas antes eu sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sabia que um dia isto ia acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também. Mas não sabia quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabia que seria agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabia que seria assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sabia que seria sem dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não dói para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Dói. Mas não dói tanto quanto eu imaginava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dói. Dói sim. Dói um pouquinho a dor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... a dor de não sentir nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não dói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E é isso o que mais dói: depois de tudo isso, eu acabei descobrindo que o que eu quero, mesmo, é a dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Eu também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-4776168615420208144?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/4776168615420208144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=4776168615420208144&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4776168615420208144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4776168615420208144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/11/fragmentos-de-um-discurso-ps-quase-amor.html' title='Fragmentos de um discurso pós-quase-amor'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1614146115171161773</id><published>2007-11-12T12:48:00.000-04:00</published><updated>2007-11-12T12:51:19.032-04:00</updated><title type='text'>À janela</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sei o que há. Mas a chuva me enche de tal melancolia que silencio toda. Não é o vento, não é o frio que a acompanha os pingos, não é o molhar-se quando fora de casa. Talvez seja o escorrer pelos muros e telhados. Talvez seja o alto dos eucaliptos escondido por finas névoas. Talvez seja o jogar-se contra o chão sem pressa ou susto. E ver a chuva chovendo das folhas, das flores no jardim, das calhas imperfeitas. O transbordar dos buracos nas ruas escorregadias.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sei o que há. Mas chove, e eu toda silencio. Não há lugar para alegria – o que não significa que me tome a tristeza. Há o silêncio, há o branco, há a espera. Talvez seja chovendo que, solitária, encontro-me. Sem o barulho das crianças brincando. Sem o imperioso chamado do céu azul para vida, a vida. Chove, e a vida é úmida, constante, invadindo o seco das tardes. Chove, e a chuva molha mesmo quem dela se protege.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1614146115171161773?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1614146115171161773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1614146115171161773&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1614146115171161773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1614146115171161773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/11/janela.html' title='À janela'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3196873663673229320</id><published>2007-10-29T15:48:00.000-04:00</published><updated>2007-10-29T15:53:19.300-04:00</updated><title type='text'>Cinema mudo</title><content type='html'>A moça da cadeira à esquerda olhava, fixamente, a enorme tela, fungando disfarçadamente de minuto em minuto. Não era dezembro, mas as ruas lá fora perfumavam-se, frescas, contrastando com o vento morno que soprava nos rostos cansados. Dentro do velho cinema, porém, o mesmo cheiro de mofo disfarçado pela manteiga dos sacos de pipoca, das balas e chicletes, cítricos ou enjoativos. Mas a moça da cadeira à esquerda destacava-se naqueles odores: eu sentia um cheiro leve de sabonete, e quase sentia sua inaudível respiração. Atenta, atenta. Eu, ao lado, disfarçando. Não que eu não estivesse gostando do filme – romances não costumavam me agradar muito, mas alguma coisa naquele fim de tarde me levou ao antigo cinema, e a trilha sonora me dizia qualquer coisa que não consigo dizer; talvez me levasse aos tempos de infância, ao tempo em que se passava a história do filme. A moça ao lado, sozinha. Cada vez menos eu olhava para a tela, e eu só entendia a história a partir das poucas falas em inglês que eu conseguia compreender, até que a moça pareceu perceber que eu a observava, pretensamente discreto, e endireitou-se na poltrona, enrubescendo. Deve ter enrubescido – não via, na penumbra –, pois assumiu uma postura entre firme e envergonhada, baixando os olhos por momentos. Deve ter baixado os olhos. Eu voltei os olhos à tela, imediatamente, e a mocinha da história caminhava, reflexiva, à beira de uma praia de escuras areias, alheia ao vento que, sem dúvida, era frio. A moça da cadeira à esquerda moveu-se, e eu me virei instintivamente: agora, ela tinha os olhos em mim, tímida. Tinha qualquer beleza cotidiana, combinando com o cheiro leve de sabonete, e os cabelos presos sem malícia. Nós nos olhamos: com calma, estranhamente, reconhecendo-nos. Éramos iluminados por segundos pelas cenas do filme, e a moça da cadeira à esquerda me parecia bonita quando empalidecia à luz intensa de uma manhã inexistente fora da tela: assumia um olhar dramático e inquietante. Olhamo-nos, e assim ficamos, por segundos, vez ou outra tentando disfarçar o que era indisfarçável: ela tentou ver as horas, eu procurei no bolso um chiclete que não havia. Mas o volume da música aumentou, anunciando o final feliz, e ela voltou-se novamente para o filme, retornando ao atento e fixo olhar. Eu não insisti. Olhei para a frente, e a mocinha do filme reencontrava seu grande amor – momento de muita importância e emoção. Eu ouvi a moça da cadeira à esquerda fungando novamente, e nós nos olhamos e ela se aproximou, repetindo o gesto da atriz de Hollywood que fechava os olhos e aproximava os lábios entreabertos aos do galã de Hollywood, beijando-o apaixonadamente. Segundos depois, desvencilhando-se de meus braços atônitos, ela olhou a tela e viu o casal, de mãos dadas, cada vez mais distante, cada vez menor, atravessando lindíssimo cenário natural. A moça levantou-se, virou-se para a esquerda e atravessou a fileira de cadeiras estofadas que agora se iluminavam, mostrando uma quase densa camada de poeira sobre elas: a moça da cadeira à esquerda desapareceu no mesmo momento em que na tela se lia, em letras desenhadas, the end.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3196873663673229320?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3196873663673229320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3196873663673229320&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3196873663673229320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3196873663673229320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/10/cinema-mudo.html' title='Cinema mudo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5223857939464051264</id><published>2007-09-29T16:38:00.000-04:00</published><updated>2007-09-29T16:50:46.730-04:00</updated><title type='text'>Enfim...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rv66RkQBviI/AAAAAAAAABY/X8zciW_H0yA/s1600-h/Picture+Package+I+004.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rv66RkQBviI/AAAAAAAAABY/X8zciW_H0yA/s200/Picture+Package+I+004.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115731037690904098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;São 17h 44.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que sou a única noiva que, a uma hora e pouquinho do casamento, está na frente do computador, de véu e grinalda - mas ainda de calça jeans, blusa e jaqueta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A motivação, na verdade, foi não deixar setembro passar sem uma única postagenzinha sequer.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, até!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5223857939464051264?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5223857939464051264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5223857939464051264&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5223857939464051264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5223857939464051264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/09/enfim.html' title='Enfim...'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rv66RkQBviI/AAAAAAAAABY/X8zciW_H0yA/s72-c/Picture+Package+I+004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6718317336174040489</id><published>2007-08-31T16:12:00.001-04:00</published><updated>2007-08-31T16:36:21.014-04:00</updated><title type='text'>Antes que fosse tarde</title><content type='html'>Enquanto a porta não se abria, respirava quase sufocado por todo o silêncio de nossas vidas. O barulho de chave virando: olhos quentes e pesados me abraçaram sem sorrisos. Senti o ombro direito úmido e as mãos trêmulas. E não ouvi o barulho de chave virando novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6718317336174040489?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6718317336174040489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6718317336174040489&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6718317336174040489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6718317336174040489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/08/antes-que-fosse-tarde.html' title='Antes que fosse tarde'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-4941769587523379987</id><published>2007-08-24T00:24:00.000-04:00</published><updated>2007-08-24T00:36:19.923-04:00</updated><title type='text'>Notícias</title><content type='html'>"Tô com dor de dente,&lt;br /&gt;dor de dente,&lt;br /&gt;dor dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dói o dente,&lt;br /&gt;dói o dente,&lt;br /&gt;dói o dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar com a mamãe?&lt;br /&gt;Jamais!&lt;br /&gt;O dentista dói muito mais!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: hoje eu me livrei do siso que me inflamou a gengiva na semana passada, e ganhei uma dor de dente nova... Bem que Pedro Bandeira (é muito lindinho o livrinho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cavalgando o arco-íris&lt;/span&gt;, cheio de poeminhas pra pirralhada) avisou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação (ou foi alucinação causada pelos analgésicos), vi que as cerejeiras - algumas, ao menos - estão florindo agora, quase setembro. Fora da ordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também os ipês-amarelos: um espetáculo. As copas das árvores da Praça da Liberdade já se colorem, e eu vejo que a primavera está a caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não impediu, em absoluto, de que uma inesperada frente fria tornasse meu aniversário, mais uma vez, em um dia branco, frio e úmido. Não há melhor previsão do tempo do que esta: 21 de agosto, chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos passei meu aniversário sem dor de dente. Mas debaixo das cobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E volto, aos poucos, a escrever alguma coisa neste espacinho tão querido meu, depois de escassa produção. Ainda que escreva algo que não tem a menor relevância. Ao menos, tento voltar ao hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda não posso voltar ao hábito da fotografia, muito embora as árvores já estejam se colorindo. Para completar, minha câmera está no conserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo isso passa: conserto da câmera, dor de dente, ausência, cerejeiras em flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso, muito mesmo, de verdade, logo, logo, de uma inspiração qualquer que me faça escrever algo que preste - ou, ao menos, que me satisfaça minimamente. Enquanto ela não vem, encho a tela em branco com qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Parabéns aos que conseguiram chegar ao fim do post; a perseverança é uma virtude!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-4941769587523379987?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/4941769587523379987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=4941769587523379987&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4941769587523379987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4941769587523379987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/08/notcias.html' title='Notícias'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7889601283758700081</id><published>2007-08-23T00:29:00.001-04:00</published><updated>2007-08-23T00:47:31.729-04:00</updated><title type='text'>Definição</title><content type='html'>Não é só essa tua voz entre riso e rouca&lt;br /&gt;Penetrando os ouvidos e a boca&lt;br /&gt;Nem somente o teu cheiro no meu ar noturno&lt;br /&gt;Denso e quente, leve e puro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a certeza dos minutos imprecisos&lt;br /&gt;Quando me roubas tempo e palavras&lt;br /&gt;É o sorriso estreito com que me afagas&lt;br /&gt;Quando teus olhos não alcançam os meus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É toda a incerteza que paira por breves segundos&lt;br /&gt;Até que se desfaçam silêncio e soluço:&lt;br /&gt;Mãos quentes e lentas que rompem a bruma&lt;br /&gt;E o véu que me cobre à espera de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7889601283758700081?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7889601283758700081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7889601283758700081&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7889601283758700081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7889601283758700081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/08/definio.html' title='Definição'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7066777407975308580</id><published>2007-08-01T16:59:00.000-04:00</published><updated>2007-08-01T21:16:30.806-04:00</updated><title type='text'>Crônica pré-nupcial</title><content type='html'>É sabido que, em pouco menos de dois meses, estarei atravessando o tapete vermelho, cruzando poucos metros que me tornarão, finalmente, a Sra. Carvalho - caso eu fosse trocar o meu nome. Não, queridos leitores, continuarei a assinar o mesmo nome desde o meu Jardim de Infância, desde a minha Certidão de Nascimento e exame do pezinho, nada diferente. As feministas podem se acalmar: não há nesta renúncia ao sobrenome masculino qualquer traço de desejo de emancipação, afirmação da individualidade, luta contra a silenciosa e avassaladora dominação masculina que nós, tacitamente, aceitamos. Na verdade, o que não dá para combinar é o meu sobrenome: Sá Klôh. Pensei em várias saídas - todas as combinações possíveis -, mas nenhuma me pareceu boa o suficiente. Assim, adio minha decisão para a ocasião da chegada do primeiro filho, o pobre que vai ter que conviver com um sobrenome, no mínimo, diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há muitas outras decisões adiáveis. Há que se deliberar sobre as cores da iluminação - e logo. Li numa revista que é &lt;em&gt;out&lt;/em&gt; usar luzes coloridas - exceto âmbar, verde e branca (mas aí não é colorida). Mesmo assim, quero o lilás - ainda que mesclado a luzes brancas. Vi essa idéia numa outra revista de noivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noivas: espécie complicada. Há todo um mundo à parte. Grupos. Motivações, desejos, aspirações. (Uma jovem nubente, por exemplo, se queixava da falta de opções de forminhas de doces. Estava desesperada. Por favor, não critique.) Outros assuntos, temores. Uma outra língua. Uma outra moeda - só pode ser essa a explicação para o absurdo que cobram por qualquer peça ou serviço quando a palavrinha mágica casamento, ainda que entre os dentes, é pronunciada. Um outro fuso-horário, talvez. Uma outra rotação? Tudo gira em torno do grande dia - e a sensação que se constrói é a de que, depois desse grande dia, vem o vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há como se preocupar com o depois. Até o grande dia há muito para se ver, há muito para se discutir, há até unhas para roer - mesmo que se saiba que você deve conservá-las, intactas, perfeitas. Há o desespero para não se cair no mau gosto que impera nesse submundo de alvas sedas, rendas francesas e histeria coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compro uma revista qualquer em uma banca qualquer. Lado a lado, as capas se mostram trazendo lindas mulheres - moderníssimas, é bom frisar - vestidas de noivas - tradicionalíssimas, é interessante ver - segurando seus buquês solenes. As chamadas não variam muito: "Vestidos para o verão"; "Vestidos para o inverno"; "Vestidos para o outono". Alternam-se lembrancinhas e bem-casados, bem-casados e lembrancinhas. E não espere encontrar idéia para um vestido nessas revistas. As páginas trazem modelos que fazem qualquer pessoa com um mínimo de senso do ridículo torcer os lábios num esgar. Mas, ainda assim, você vai adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai adiante, e se depara com as fotos dos noivos vestidos como se fossem verdadeiros Príncipes Encantados - alguns, inclusive, de escorridas madeixas loiras, um pouco frustrados por estarem sem sua lança para combater o dragão. Deve funcionar com adolescentes. Talvez seja isso: talvez a noiva seja a derradeira representação infantil feminina - depois dessa, é a decadência. Depois das alianças, o próximo passo é ser mãe e já não deve ser a hora de fantasiar consigo mesma - deixe isso para a criança, receptora de trezentos desejos e vontades e frustrações e medos. Portanto, a hora do casamento é a última hora de fazer um papel um pouquinho ridículo sem parecê-lo tanto assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as pessoas têm, sim, senso do ridículo e enxergam, sim, o ridículo papel que a noiva cumpre: o que há é um pacto silencioso, pois todos participam da mesma festa a fantasia. Na igreja, emocionados, estão o tio do interior metido em um terno apertado, há a tia solteira que, depois da maquiagem, parece saltada de uma tela de Picasso, há um excesso de formalismos e "falem baixo, por favor", irreconhecível. Mas é o seu casamento, e para que tudo saia do jeito que você &lt;em&gt;sempre sonhou&lt;/em&gt;, você pode contar com ajudas importantíssimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estão as moças do cerimonial: na primeira conversa, ela diz a você que é impossível um casamento dar certo sem o seu apoio. Você até ensaia um riso de canto de boca ("será que é por isso que há tantos divórcios hoje em dia?"), mas a cerimonialista fala com tanta segurança que você tem medo de parecer - mais uma vez - ridícula, e engole em seco, aprovando o que ela fala. Ao final de quinze minutos, você jura de pés juntos que não sabe como viveu até hoje sem a presença dela, e sabe que fará toda a diferença o fato de haver, na sua festa, uma cestinha com chicletes, aspirinas, linha e agulha, carinhosamente colocada sobre a bancada do banheiro. Ah, não se esqueça do engov. Ela lhe diz que tudo vai sair como você &lt;em&gt;sempre sonhou&lt;/em&gt;, e ela é sua mais nova amiga de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí você começa a se perguntar com o que realmente você &lt;em&gt;sempre sonhou&lt;/em&gt;. Busca, busca, e se lembra que, de fato, você queria um príncipe, um castelo e uma cama com dossel. Só não sabia que, pra isso, precisava do cerimonial. Nem do iluminador. Nem do arroz importado - um que não é arroz de verdade, pode ser colorido e ter formato de coraçõezinhos: não machucam, não provocam a queda de ninguém, e custam mais de cem reais o quilo. Mas - e aí vêm aquelas vozes, em uníssono, que você ouve toda a vez que põe a cabeça no travesseiro desde que decidiu juntar os trapinhos -, mas só se casa uma vez na vida, e vale a pena gastar aos tubos para viver sua última fantasia da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é mesmo ligado às fantasias da infância? Há uma enorme identidade entre festas de cinco anos - de meninas, claro - e de casamento. Algumas lembranças só se encontram nessas ocasiões. Além das revistas, é interessante visitar sites de profissionais do casamento: fotógrafos, decoradores, cerimonialistas (claro!). Às vezes me deparo com coisas que me fazem suar frio. Porta-retratos de chocolate, por exemplo. E com fotos dos noivos, apaixonados! Pergunto-me sobre a reação do jovem e feliz casal ao ver, disputando espaço no chão com os quadradinhos brilhantes e grudentos da chuva de prata, a imagem dos dois, sorrindo, enlevados (Será que as pessoas ainda têm a ilusão de que a lembrança de um casamento é realmente mantida por alguém, exceto pelas avós e tias solteiras? Pobres noivos. Ou pobre noiva, porque o rapaz já sabia - até tentou avisar -, mas quem consegue argumentar com noivas?!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, claro, sem falar nos convites - alguns vêm em delicadas caixas preenchidas com perfumadas flores secas -, sem falar nos noivinhos que vêm sobre os bolos, sem falar no triste espetáculo do arremesso do buquê, sem falar na intensa e implacável cobertura foto-cinematográfica, que promete registrar todos os momentos de sua festa inesquecível - até porque, com todos esses profissionais, vai ser quase impossível você saber, sem o registro posterior, como ela foi. Mesmo assim, você ensaia o seu sorriso mais natural e enfrenta os &lt;em&gt;flashes &lt;/em&gt;do início ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda assim, as pessoas querem se casar. E, ainda assim, &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; vou me casar, e fui enredada por - quase!!! - todas essas armadilhas que só surtem efeito em noivas, essas criaturas neuróticas e infantis que se dispõem a atravessar uma &lt;em&gt;via crucis&lt;/em&gt; porque sabem, ou pelo menos esperam, que só se casa uma vez na vida. Eu sei. Mas, por favor, sem cerimonial e porta-retratos de chocolate. E, sim, me emocionando com tios e tias, ainda que não pareçam naturais em seus trajes mais formais. Há, no fim de tudo, a sinceridade que nem as máscaras das convenções sociais conseguem esconder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7066777407975308580?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7066777407975308580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7066777407975308580&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7066777407975308580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7066777407975308580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/08/crnica-pr-nupcial.html' title='Crônica pré-nupcial'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1664717259175022051</id><published>2007-06-27T18:25:00.000-04:00</published><updated>2007-06-27T19:14:55.467-04:00</updated><title type='text'>Déjà vu</title><content type='html'>Ele andava firme entre as tímidas cerejeiras sem flores e folhas. Por mais fixos que estivessem os olhos, os pensamentos - ou impressões, ou sensações - não se seguravam por mais de breves momentos, e o ontem e o hoje e o amanhã - se ele existisse, se ele não fosse realmente uma continuação do hoje, e se as idéias sobre o tempo como um plano em que não há uma sucessão de acontecimentos fossem apenas abstrações inatingíveis para homens como ele - e o ontem, e o hoje, e o amanhã se misturavam estranhamente sem que ele pudesse evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, sentiu que aconteceria algo que já sabia que ia acontecer: abriu mais os olhos, e enxergou, entre surpreso e consciente, o carro vindo em sua direção, atravessando a curva, arremessando seus faróis contra seu abdome que antes parecia tão mais forte, e sentiu as placas de metal contra a sua pele macia e quente, e um peso sobre seus olhos que o obrigou a jogar-se, a render-se, a cair ruidosamente sobre a calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio vermelho, visgo quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos abertos novamente: o carro sumia na curva, despedindo-se em fumaça. Pés fixos no chão, as cerejeiras haviam ganhado flores róseas, adolescentes. Apertando os lábios, sentiu-se inteiro: passara o momento, e seus dedos podiam tocar os cabelos que mantinham-se arrumados. Amanhã, ontem, hoje, e ele se via ao longe, e ele se via ao longo da via em que andavam pessoas apreensivas com o tempo que passava, irreversivelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, porém, o carro veio de verdade - e ficou. Cristalizou-se a vida - passada? - sem horas nem décadas. Calou-se o tique-taque incessante, as ruas perderam o rumor dos passos ansiosos. E ele viu: sim, ele viu o ontem, o hoje, o amanhã, unidos e indissolúveis, e viu-se sempre, e viu-se todo, e entendeu algo que jamais conseguiria formular. Mas ele viu. E agora sabe, sem palavras ou perguntas. Agora sabe o sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1664717259175022051?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1664717259175022051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1664717259175022051&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1664717259175022051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1664717259175022051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/06/dj-vu.html' title='Déjà vu'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1166989152743208049</id><published>2007-06-14T17:42:00.000-04:00</published><updated>2007-06-14T17:55:35.363-04:00</updated><title type='text'>Hi, everybody!</title><content type='html'>Acabei de me surpreender ao ver a data da última postagem neste espaço tão queridinho meu: já faz quase um mês. E este que é o mês em que este blog faz aniversário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aquele blá-blá-blá de sempre: falta de tempo, cabeça pensando sempre na decoração da sala ou no problema do piso do apartamento - sim, agora há um apartamento! Contas no lugar de palvras. Eu, como uma noiva que se preze, neurótica. Cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem voz, sem tempo, sem imaginação - a não ser para a combinação dos elementos decorativos! -, sem dinheiro para comprar um agradinho sequer - uma bolsa, um sapato, um casaco novo, um perfuminho -, atinjo a metade de junho já apavorada. Mas tenho, sim, alguma coragem e, por mais paradoxal que possa parecer, estou conseguindo gostar dessa loucura. É que essa coisa de montar o seu lugar, de fazer suas escolhas, por mais difíceis que sejam, é também uma realização - e gostosa! (Quem já fez, sabe disso. Quem não fez, vai saber ainda.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então estou aqui só pra dizer que, sim, estou bem, e viva, correndo feito uma louca, agindo como uma louca de vez em quando, mas eu volto. Talvez mais breve do que eu mesma imagino - é que nesses últimos dias umas palavras começaram a se juntar na minha cabeça sem que eu quisesse, e isso é pra mostrar que deve estar chegando a hora de escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao trabalho, portanto! E à escolha das persianas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1166989152743208049?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1166989152743208049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1166989152743208049&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1166989152743208049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1166989152743208049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/06/hi-everybody.html' title='Hi, everybody!'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-164982672858938572</id><published>2007-05-18T19:14:00.000-04:00</published><updated>2007-05-18T19:31:28.807-04:00</updated><title type='text'>Faturas e buquês</title><content type='html'>À minha meia dúzia de leitores fiéis (tenho tantos?!?), uma espécie de pedido de desculpas - justificativa, talvez seja melhor -, uma espécie de justificativa pela minha ausência e parca produção. Minha cabeça ultimamente só consegue pensar em listas e contas, em contas e listas. Móveis, eletrodomésticos, convidados, prazos, parcelas, cheques, faturas, aluguéis. Tenho me esforçado bastante para conseguir entender as anotações e simulações e previsões que anoto de uma maneira absurdamente desordenada. E contas, contas, contas. Sonho com números, até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante é que pouco tenho me preocupado com o vestido de noiva, ou com o forro do sapato, ou com o buquê (o de braçada vai ficar bem para uma nubente de tão baixa estatura?), ou com as forminhas dos docinhos, ou com os bonequinhos que posarão em cima do bolo. E eis que me descubro quase prática - desorganizada, é verdade, mas prática. E preocupada com o número de armários na cozinha - e até mesmo com o tamanho da área de serviço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou preocupada também com o destino de uma casa a ser gerida e arrumada e limpa e administrada (chega!!) por mim. Não, não quero o papel de dona-de-casa. Mas eu chego a lamentar nunca ter lavado um banheiro antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso passa, não é? Bem, assim espero. Ando ansiosa, contando os dias - e nem é somente a contagem regressiva pro 29 de setembro. Estou beirando a angústia porque ainda não aluguei o apartamento que seria quase-perfeito, se é que existe a quase-perfeição. E, agora, maio se arrasta depois de dias que correram, vertiginosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as contas. E as listas. A mudança de previsões a cada duas horas. E o planejamento para o mês. E a total falta de idéia quanto aos arranjos das mesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai. Isso cansa. Bem que me avisaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, o que é pior: acaba com a inspiração da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais coisas entre um namoro e um casamento do que supunha minha vã filosofia - a frase também fica totalmente correta com a troca de &lt;em&gt;coisas&lt;/em&gt; por &lt;em&gt;gastos&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-164982672858938572?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/164982672858938572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=164982672858938572&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/164982672858938572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/164982672858938572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/05/faturas-e-buqus.html' title='Faturas e buquês'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1490614357792563220</id><published>2007-05-09T14:38:00.000-04:00</published><updated>2007-05-09T16:13:00.520-04:00</updated><title type='text'>De profundis: azul</title><content type='html'>Lá estava a piscina, e antes dela o ar frio me penetrava as narinas, e tudo me doía, e eu me sentia muito mais do que nos moles dias de calor. Rijo, tudo rijo: o ar cortando até meus olhos que se alongavam e buscavam o azul irreal da piscina que afundava no &lt;em&gt;voil&lt;/em&gt; da tarde gelada, e meus olhos buscavam aquele tom só existente em piscinas grandes, amplas, profundas. Só havia uma leve garoa, e a lâmina-d'água mal a denunciava, tão fina, tão pouca, tão dura: mas meu rosto, ah, o meu rosto bem sentia a garoa, e eu era açoitada por aqueles pingos que magicamente se materializavam na minha pele ressecada. Ah, o meu rosto, o meu rosto sentia mais o frio que qualquer outra parte do corpo, e eu quis aquecê-lo segurando as grades geladas de alumínio, mas o rosto doía, ainda, o rosto duro doía e eu poderia viver sem o resto de meu corpo, porque naquele momento não havia mais nada do pescoço para baixo, eu sentia a chegada da crise de sinusite que irromperia lancinante de minhas faces magras e ressequidas, e tanta água, os pingos brilhantes nos meus cílios, o azul da piscina de verão no meio do branco que me esgamava. De quando em quando a garoa dançava rápida na minha frente, e vinham as gotas na horizontal, e às vezes parecia chover de cima para baixo. Voltei a sentir o resto do corpo quando saí da imobilidade e dei alguns passos em direção ao azul: meus pés se resfriaram imediatamente, mesmo estando usando as botas que mamãe havia trazido para mim da viagem à Europa, aquela de tanto tempo atrás, aquela que ela nunca esquecia mesmo tendo acontecido tanta coisa depois. Tanta coisa que aconteceu depois e que ela não lembrava. Ela não se lembrava, ela não se lembrava da piscina, ela não se lembrava dos dias ensolarados à beira daquele azul incrível que competia com os céus de maio. Ela não se lembrava das crianças brincando, das crianças gritando, das crianças correndo. Ela não se lembrava. Mas eu me lembro, e meus pés doem por causa disso, e toda a umidade me sobe pelas pernas, e eu, encharcada, sigo de olhos secos, e o vou rompendo o branco como se não sentisse a barreira das gotas e pingos e poças no piso escorregadio. O ar frio me penetrava as narinas, e eu o devolvia em efêmeras nuvens mornas de meus pulmões. Tentei aquecer as mãos nos bolsos da calça, tentei voltar para trás do portão que estava fechado havia tantos meses, que as pessoas fingiam ignorar mas que estava lá, como que repetindo sempre que havia algo além. Mamãe estava mesmo esquecida das coisas, ela não se lembrava do Gabriel, nem dos outros netos dela, mas ela olhava para a piscina tão fixamente, e eu não me lembrava de observar se ela se perdia no azul de fora ou no azul de dentro dos olhos dela. Na viagem à Europa de tanto tempo atrás, da visita a Paris, a Veneza, duas noites em Roma, breve estada em Amsterdam, a frustração por não ter conseguido ir também a Praga, mas a sempre sublime, ela repetia, e ainda repete, sempre sublime, sempre indescritível sensação de conhecer o mar absurdamente azul que rodeava as ilhas gregas, de mergulhar naquela água que parece um sonho, impossível de reproduzir. Mamãe quis a piscina, quis a piscina que lhe lembrasse as águas profundas, que lhe lembrasse as águas densas e planas dos passeios de então: mas a piscina não era senão outra realidade, tão incrível quanto o azul do Mar Egeu. E fez-se a piscina, e ela vivia à piscina, e viveria ainda, se todos na casa não evitassem que ela chegasse até o portão, se todos na casa não fingissem que não há mais piscina, que não houve crianças, que talvez nem mesmo a viagem tenha acontecido, e estas minhas botas que de nada servem não passam de imaginação, por isso meus pés estão molhados e eu sou toda carne dura congelando no meio da nuvem, perto do azul. Mas não. Não. Meus pés estão molhados dentro do couro amolecido da velha bota, e há, sim, a piscina. Ah, se eu pudesse esquecer, como mamãe, se eu pudesse fingir que a vida parou naquela viagem, e eu seria adolescente para o resto da vida, e eu não me importaria com o dia de hoje ou de amanhã nem com a previsão do tempo porque o ontem me bastaria, e eu seria feliz na minha frivolidade de menina de treze anos, para sempre, sem responsabilidade alguma, sem profissão, sem marido, sem filhos, sem nada. Aos treze, de novo, quando naquele terreno havia um gramado fofo e infinito, em que eu corria com meu irmão, onde nós brincávamos e brigávamos, onde vivíamos nossa vida de crianças adolescendo, e pronto. Ah, se eu pudesse. Mas mamãe não se lembra de nada apesar da foto que ainda não tiraram da estante, a foto que eu finjo não olhar mas que está lá, que está sorrindo para mim sem os dois dentes da frente, e eu finjo passar por ela sem sentir. Dura. Fria. Forte. Rija. A carne dura, a alma - se eu ainda tivesse. Meu rosto perdendo o viço que ainda mantinha, e eu fingindo que era casual, que era a idade, que era a vida. Que era a vida. A vida que mamãe sempre quis para mim e para o Alfredo, nós trabalhando, ela à beira da piscina, olhando as crianças que cresciam fortes e felizes, e o céu azul de janeiro ou maio perdia a graça quando era comparado ao tom incrível da piscina que, ainda assim, não era o Mar Egeu. E então eu chego, e escuto os gritos, e ouço o choro, e eu corro para a piscina naquele dia lindo de dezembro. Mamãe, sentada, sacudida pelo meu sobrinho que soluçava já sem voz, gritando quase inaudível, imersa no que havia dentro do azul de seus olhos, fora da piscina, e eu corro, e eu cruzo a grade de alumínio e o gramado fofo e o piso escorregadio e eu paro estagnada à beira daquela piscina que me chama e que chamou meu filho para o fundo, e ele está lá, deitado, tão quieto. Mamãe não se lembrava de nada, só da viagem à Europa, aquela de tanto tempo atrás, aquela do azul inesquecível, indescritível, mas o meu azul, o azul que agora oscila, que balança, que vibra em fúria com o meu choro e com as pancadas das minhas mãos tão duras quanto eu toda, o azul é o da piscina, que eu tento ignorar por trás do portão de alumínio, mas é o azul irreal que eu choro porque não queria que fosse verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1490614357792563220?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1490614357792563220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1490614357792563220&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1490614357792563220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1490614357792563220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/05/de-profundis-azul.html' title='De profundis: azul'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3149124949467879781</id><published>2007-05-05T12:39:00.000-04:00</published><updated>2007-05-05T12:44:21.467-04:00</updated><title type='text'>O diário da dieta</title><content type='html'>Ainda não falei de dieta por aqui. Ou já mencionei, mas não recentemente. O fato é que, depois de meses de promessa, decidi levar a sério e já comemoro as pequenas perdas. Comemoro o fato de que uma calça jeans que comprei em setembro está vestindo melhor - sim, é verdade: eu comprei um número menor, e nunca usei porque fiquei só na promessa. Mulheres. Mas, já que este é o assunto, vão três frasezinhas interessantes sobre o tema, as duas primeiras de minha autoria (a primeira já escrevi nesta paginazinha antes, e faz parte das minhas frases espirituosas), e a terceira recebida por e-mail há uns dias. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Voila&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo vale a pena quando a calça já está pequena."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As calças não mentem jamais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Calorias são pequenos animais que vivem dentro dos armários e apertam nossas roupas à noite."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Deus me proteja na festa de hoje à noite!&lt;br /&gt;&lt;pre&gt;&lt;br /&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3149124949467879781?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3149124949467879781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3149124949467879781&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3149124949467879781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3149124949467879781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/05/o-dirio-da-dieta.html' title='O diário da dieta'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-8128260765374639722</id><published>2007-04-30T01:42:00.000-04:00</published><updated>2007-04-30T01:56:02.150-04:00</updated><title type='text'>Sturm und drang</title><content type='html'>Porque chovia muito, Anabela ficou em casa. Olhando o céu que desabava convulso sobre os morros e casas, viu que não havia muito a fazer. Fechou os olhos a contragosto, e dormiu, e sonhou. Acordou: fazia-se a noite. Sem estrelas ou luar, mas noite. Um avião lá longe parecia não se mover no céu. Anabela bocejou apressada, tanta coisa deixada para trás. Tanta coisa sem ser dita, só por causa da chuva. Tanta coisa que deixou de escorrer terra abaixo, lavando toda a capa de gentileza que seus olhos cansados carregavam. Anabela não conseguiu chorar. Deixaria para o dia seguinte, adiando-se mais uma vez. E, além daquela rua, o mundo rodopiava silencioso, sem chuva ou choro, já seco e quase brilhante, fazendo com que todos acreditassem que estariam a salvo pelo resto dos tempos. Mas Anabela ainda tinha sua voz e seu grito, e o telefone - para ele caminhou, rápida e assustada de si mesma. Um relâmpago luziu ao longe no céu de nuvens opacas e vazias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-8128260765374639722?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/8128260765374639722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=8128260765374639722&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8128260765374639722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8128260765374639722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/sturm-und-drang.html' title='Sturm und drang'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-4945014984658164666</id><published>2007-04-27T17:12:00.000-04:00</published><updated>2007-04-27T19:12:43.550-04:00</updated><title type='text'>Ad eternum</title><content type='html'>Escorre nas vidraças a chuva da noite inteira.&lt;br /&gt;Eu respiro vagarosa o cheiro da água no jardim.&lt;br /&gt;Teu ligeiro sorriso visita meus olhos:&lt;br /&gt;e eu quero que chova pelo resto dos tempos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-4945014984658164666?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/4945014984658164666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=4945014984658164666&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4945014984658164666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4945014984658164666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/ad-eternum.html' title='Ad eternum'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-454135401835836343</id><published>2007-04-27T13:57:00.000-04:00</published><updated>2007-04-27T14:08:27.400-04:00</updated><title type='text'>Mau humor: duas pequenas revoltas</title><content type='html'>Todo fim de abril é a mesma coisa: revolto-me contra o excesso de impostos que nós, pobres brasileiros pobres, temos que pagar. Depois de contas e contas e contas e contas e mais contas, chega a hora da declaração do maldito Imposto de Renda. Eu descubro vou ter que pagar - além do que já foi descontado mês a mês - o equivalente a dois meses de salário de um dos meus empregos. Fiz as contas e percebi que, dessa forma, ganho somente dois terços do que penso que ganho. Hora de repensar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda revolta é pontual, bem menorzinha: por que pessoas que só trabalham de terça a quinta decidem que dia 11 de maio não vai ser feriado? Por que então levantaram essa possibilidade? Estou com a sensação de ter tido um doce roubado da minha boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só pra reclamar, mesmo. E tentar diminuir um pouco o mau humor que está tomando conta desta sexta-feira de chegada de frente fria - sim, eu vou ter que sair na chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-454135401835836343?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/454135401835836343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=454135401835836343&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/454135401835836343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/454135401835836343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/mau-humor-duas-pequenas-revoltas.html' title='Mau humor: duas pequenas revoltas'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-880156899960704521</id><published>2007-04-26T18:00:00.000-04:00</published><updated>2007-04-26T18:28:05.125-04:00</updated><title type='text'>Platonismo pós-moderno</title><content type='html'>Se eu toco, é real.&lt;br /&gt;Se não, o que é?&lt;br /&gt;Fantasia, abstração?&lt;br /&gt;Desenho, esboço, borrão?&lt;br /&gt;Sinto cheiros que não há.&lt;br /&gt;Provo os novos antigos sabores.&lt;br /&gt;Invento-nos palavras arcaicas,&lt;br /&gt;modernizando-lhes a dicção.&lt;br /&gt;Sou real, contemporânea:&lt;br /&gt;em mim corre o mais atual sangue&lt;br /&gt;da mulher desde o princípio -&lt;br /&gt;mito fêmea lenda bicho&lt;br /&gt;alma corpo pele rito&lt;br /&gt;riso choro: grito.&lt;br /&gt;Se queimo minissaias ou visto espartilhos,&lt;br /&gt;pouco importa. Há o sangue. Há o som das&lt;br /&gt;promessas e sonhos e sagas felizes.&lt;br /&gt;Há os dias, há anos.&lt;br /&gt;Ainda que me digam que não.&lt;br /&gt;Ainda que me encarem e me olhem&lt;br /&gt;e me chorem o choro que nem eu mesma quis.&lt;br /&gt;Ainda que me digam que o amor&lt;br /&gt;- este desconhecido -&lt;br /&gt;só existe para mim.&lt;br /&gt;Em qualquer outra irrealidade, lá está ele.&lt;br /&gt;Que me importa se são minhas as suas palavras?&lt;br /&gt;Elas existem. Eu existo. E me basto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-880156899960704521?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/880156899960704521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=880156899960704521&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/880156899960704521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/880156899960704521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/platonismo-ps-moderno.html' title='Platonismo pós-moderno'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6426435535028216232</id><published>2007-04-23T16:56:00.000-04:00</published><updated>2007-04-23T17:09:04.425-04:00</updated><title type='text'>Ao trabalho</title><content type='html'>E a noite chegou em tons de âmbar, lilás, azul quase marinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ou outra estrela salpicava, pálida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem brumas ou névoas, sem véus ou mistérios: alegria quase quente de um outono ainda verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além, uma lua pela metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fôlego, a noite é longa. Há o que ver, há o que fazer. Há o que falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fôlego, tanta coisa pela frente. E que passa tão rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero aproveitar as muitas e muitas luas que virão, ainda que olhando entre as frestas, nos intervalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fôlego, tanta coisa pela frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6426435535028216232?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6426435535028216232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6426435535028216232&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6426435535028216232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6426435535028216232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/ao-trabalho.html' title='Ao trabalho'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6237878984826582702</id><published>2007-04-16T11:47:00.000-04:00</published><updated>2007-04-16T14:23:06.766-04:00</updated><title type='text'>E por fim</title><content type='html'>Meu Deus, eu disse, eu disse e não consegui continuar a frase que irrompeu alta e ilógica de minha garganta. Os olhos estavam fixos no dia lá fora, um dia de temperatura indefinível, que me oprimia, pesadamente: nuvens densas e velozes correndo no céu de pequenos azuis embaçados, uma poeira de anos que se acortinava diante dos meus olhos. Meu Deus, e tudo o que conhecia era aquilo, o vale debaixo da janela, as montanhas ao longe e ao vento que não chegava a balançar as folhas mais pesadas dos arbustos mais baixos. Tudo o que conhecia eram aqueles limites, e não mais que os limites. Eu, no meio. Eu, o centro. Tudo tão à volta, tão protetor, ameaçando-me. Redoma. Tão certo, tão fixo. O centro, as nuvens que me rodeavam. Puxei o ar com a boca, repetindo, tantas, tantas vezes que o ar me foi demais e eu me senti mal. Meu Deus, eu disse, e não consegui olhar mais para o vale lá embaixo, não consegui mais olhar o dia lá fora, e tudo o que vi foi um imenso esmaecer do que estava diante de mim, perdendo a nitidez, perdendo as formas, as cores, os gritos vermelhos e amarelos e azuis e verdes entre a poeira dos anos. Tudo envolto e silenciado por uma repentina névoa pesada que me jogava contra a parede tão sólida, tão dura e serena. Meu Deus, eu disse, e minhas pernas não suportaram mais forjar o equilíbrio, e eu escorreguei, liquefazendo-me junto ao piso de cerâmica desbotada. Veio-me um frio do fundo de mim mesma: as mãos se umedeceram mais que os meus olhos fixos e perdidos. Nenhuma brandura, só a violência dos espaços vazios dentro de mim e de meu mundo que tomavam conta de todo o resto, e o vazio branco era assustador e calmo, e o abismo branco era eu mesma, inteira e só. Meu Deus, tentei pronunciar, tentei procurar, mas nem mesmo as palavras me vieram, e a chuva começou a desabar sobre as telhas barulhentas, e finalmente eu chorei, e finalmente eu cedi, e finalmente eu me esparramei sobre as superfícies tão desconhecidas, e finalmente meu soluço alcançou o vento e meu choro devolveu o ar que meus pulmões economizavam, e finalmente eu busquei o mar ao longe, quilômetros e quilômetros ao longe, e finalmente eu saí de mim para entrar no mundo, eu saí de mim buscando o abismo, eu saí de mim e corri para a chuva que pingava e me escorria e me sondava e me sabia, dançando-me entre os filetes entre as pedras e as areias, percorrendo-me caminhos desconhecidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6237878984826582702?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6237878984826582702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6237878984826582702&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6237878984826582702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6237878984826582702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/e-por-fim.html' title='E por fim'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5391795076704976633</id><published>2007-04-15T15:59:00.001-04:00</published><updated>2007-04-15T15:59:27.938-04:00</updated><title type='text'>Entre os dias</title><content type='html'>Era assim a Catarina: palavras baixas, voz inflexível. Olhos? Olhos mornos, talvez sua maior definição. Se tinham cor, se eram o céu, ou o mar, ou o mel, ou o ébano por marfim envolto, pouco importava. Seus olhos eram mornos, e isso fazia com que ninguém se aprofundasse em sua análise, tão acessível e distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras inflexíveis, voz baixa. Os gestos eram contidos, nunca se esparramando no ar quente daquele início de abril atípico. Fronteiras, delineação, contornos. Ela nunca era limítrofe. Sempre dentro, nunca à beira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma música, e ela poderia ser desligada a hora que quisesse. Também poderia apagar as luzes, e o quarto voltaria a ser uma caixa escura: cubo. Mas lá estava tudo, cheio de cores, formas e alguns cheiros indefiníveis. Não podia deixar de sentir o aroma da terra molhada às primeiras gotas de chuva que se misturava ao mofo do armário aberto e ao couro dos sapatos baixos e novos sob a cama. Não adiantava fechar os armários. Não adiantava guardar os sapatos. Fazia calor e a janela não podia ser fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre centrada a Catarina. Começou por não suportar aquela confusão de cheiros bons e ruins. Lamentou não poder separá-los como fazia com os livros na estante. Lamentou o calor intenso quando já era outono - não poderia mais prever os dias, não lhe era mais permitido planejar tudo minuciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, numa segunda-feira à noite, Catarina pintou a boca com um batom quase vermelho esquecido no fundo de uma gaveta havia anos. Catarina calçou os sapatos de salto - os únicos que tinha - usados somente no casamento da amiga - a única que tinha. Catarina saiu de casa sem apagar a luz. Catarina pegou o dinheiro reservado para as duas semanas seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, numa segunda-feira à noite, Catarina provou duas bebidas diferentes em quarenta minutos. Catarina falou com quem não conhecia. Catarina riu alto só porque deu vontade. Catarina gastou mais dinheiro do que podia. Catarina quase foi atropelada. Catarina olhava o mundo e as pessoas. Mas não olhava, simplesmente. Catarina olhava o mundo e as pessoas com fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algumas horas, Catarina sentiu-se feliz. Depois, dia seguinte, terça-feira entre cinza e sol, Catarina espanou da cama desordenada as lembranças e sensações dos momentos. Limpou os sapatos, jogou fora o batom esquecido - e deu-se à ordem novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5391795076704976633?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5391795076704976633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5391795076704976633&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5391795076704976633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5391795076704976633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/entre-os-dias_15.html' title='Entre os dias'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3806269880234216667</id><published>2007-04-11T12:33:00.000-04:00</published><updated>2007-04-11T13:41:46.916-04:00</updated><title type='text'>In illo tempore</title><content type='html'>É só porque é interessante e, na falta de inspiração em que me vejo atualmente, não dá pra desperdiçar nada... Saiu ontem no Globo, no Segundo Caderno, um texto que chega a ser divertidíssimo - e que fui publicado há exatos 50 anos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na Rua das Laranjeiras 11 funciona o Centro Paroquial da Glória, instituição de assistência social organizada pelo monsenhor Mota, da Matriz de Nossa Senhora da Glória, e que mantém cursos de alfabetização de adultos, de preparação para o casamento e donas-de-casa, de corte e costura, de decoração do lar e outros que visam à elevação social dos paroquianos. O repórter encontra na sala de aula duas dezenas de moças, umas noivas, outras sem compromisso. Desejam elas aprender a dirigir com estética e economia uma casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sem afetação, sem relevo entre as demais colegas, uma aluna igual às outras. Elvira da Veiga Wilberg assiste à aula da professora, dona Robereta Macedo Soares. Aprende a ser dona-de-casa, instrui-se sobre os deveres de esposa e de mãe. Ela foi Miss Distrito Federal em 1955. É jovem e bonita, alta, loura, porte elegante. Mas não se conduz apenas como miss de beleza: conduz-se com a dignidade de aluna comum. O que as colegas desejam ela também deseja. Quer ser uma completa mulher em seu futuro lar. E o será, como as demais o serão, graças aos ensinamentos que recebem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dona Roberta fala em sala das atribuições da dona-de-casa. Cada aula dura cerca de três horas e meia, tempo suficiente para uma educação especializada e útil no lar. O curso terá a duração de dois meses. Findo o período, as moças receberão diploma de aptidão. Aptidão aos encargos de dona-de-casa, de esposa, de mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A família brasileira se fortalece em sua estrutura moral e social. E se fortalece com o esforço e a elevação de dignidade dessa geração de adolescentes que tem idéias e ideais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorei! Diploma para poder casar!! E eu, a menos de seis meses de ansiado enlace matrimonial, não sei fritar um ovo. Nem pregar um botão. Nem passar uma camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso... Garantiria o diploma um noivo? Havia moças ainda descompromissadas, certamente daquelas que começavam o enxoval aos doze anos e precisavam colocá-lo ao sol de quando em quando. Sim, existem essas historias, e elas são verdadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei mesmo da postura da miss. Ela se conduzia com "a dignidade de uma aluna comum", e desejava ser "uma completa mulher em seu futuro lar". Mas precisa de tudo isso? Céus, cheguei à crise de identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Lá se vai meu sonho dourado: não posso ser dona-de-casa, não posso ser esposa, não posso ser mãe. Mas é claro que sou teimosa e tento, mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve ser tão difícil fazer um bolo pra quem já escreveu uma dissertação. É claro que há as aptidões pessoais, eu sei disso, e não discuto que existe o talento para a culinária, por exemplo - uma verdadeira bênção. Mas também se vive sem talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou apenas uma coisa no texto: o fim fala da "geração de adolescentes que tem idéias e ideais". Para além do jogo verbal, onde estão eles? Ser miss? Viver única e exclusivamente para a casa, para o marido, para os filhos? Saber como lustrar uma fechadura como ninguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fica nítido o hiato que há entre mim, pré-balzaca casadoira de dois mil e sete, e Elvira da Veiga Wilberg, e tantas outras dezenas e centenas e milhares de mulheres dos idos de cinqüenta e de antes e até depois. Mas, sim, ainda faz alguma falta um certo domínio das coisas na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, mas acho que prefiro as minhas idéias malucas na área da literatura - e da literatice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3806269880234216667?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3806269880234216667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3806269880234216667&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3806269880234216667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3806269880234216667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/in-illo-tempore.html' title='In illo tempore'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5962205948588125314</id><published>2007-04-09T14:09:00.000-04:00</published><updated>2007-04-09T14:19:08.147-04:00</updated><title type='text'>(DES)Classificados</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A Tribuna de Petrópolis sempre me divertiu muito. Há uma incrível falta de notícias interessantes. E, claro, é freqüente um certo desleixo. Ultimamente, pouco tenho lido da Tribuna. O fato é que me caiu nas mãos o exemplar do sábado retrasado. Folheio, folheio, folheio, e paro nos classificados, uma das coisas mais divertidas. Deparo-me com um anúncio assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Precisa-se de ATRIZ PORNÔ c/idade entre 18 e 25 anos. Interessadas enviar foto de corpo inteiro (recente), dados pessoais, e-mail e telefone p/contato. Para o e-mail ***********.  Não é necessário experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quer coisa mais inusitada? Havia também a irrecusável proposta de algum dono de casa no Peró que oferecia hospedagem de graça para as férias de um pedreiro aposentado com sua esposa - ou equivalente -, pedindo apenas seu trabalho em troca. Ah, o magnânimo proprietário oferecia transporte para o casal apaixonado, também. Eu juro que me surpreendo com a generosidade das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à procura da "atriz", achei interessante não pedir experiência. Inusitado, novamente. Assim como a redação do pequeno anúncio. Assim como o endereço de e-mail: "school_pstar"@alguma coisa. Vou tentar entender essa ligação de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Para quem está interessado nas propostas, pode encontrar a solução pra falta de dinheiro &lt;a href="http://www.e-tribuna.com.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5962205948588125314?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5962205948588125314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5962205948588125314&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5962205948588125314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5962205948588125314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/desclassificados.html' title='(DES)Classificados'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7200856440498338547</id><published>2007-04-02T16:35:00.000-04:00</published><updated>2007-04-02T23:46:12.126-04:00</updated><title type='text'>Excessivamente</title><content type='html'>De repente, vêm as palavras em profusão. Claras e várias, sonoras e intensas. Não, agora não é nenhuma tentativa de literatice. É meio que um desabafo, mesmo, embora não chegue aos ouvidos - ou aos olhos - do destinatário. Fica como terapia, e mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom viver a vida sem pensar muito no preço das coisas, embora a gente saiba que não se consegue muita coisa sem dinheiro algum. De toda forma, as árvores floriram num março ensolarado - e de graça. A capela no alto da montanha estava lá para quem fosse visitá-la, e não havia bilhete de entrada. As nuvens se enfiaram na frente do sol só para fazer um entardecer mais bonito. E há pessoas que ainda passam os sábados e domingos e madrugadas e chuvas e sóis na frente do computador. Devorando livros - nada contra, por favor, mas é que tudo em excesso faz algum mal. Ah! E livros acadêmicos, nada do prazer da literatura, essa viagem. Livros acadêmicos ou sobre queijos. Não, nada charmoso, nada associável a vinhos: livros que falam sobre mexer em queijo. Enquanto isso, adiam eternamente o momento em que se defrontarão consigo mesmos num conto do Machado de Assis. "O espelho", por exemplo. "Teoria do medalhão", outro. "O enfermeiro", que também é indispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vida se fazendo nos intervalos. Nos intervalos do trabalho, na pausa para o café. As palavras não-oficiais. Os fins de semana. Os sábados e domingos ligeiros, plenos de brisas. Meu primo me chamando de Nana, aprendendo a contar sem ter a idéia de quanto sejam quatro formigas. Meu outro primo sorrindo em sua festa de aniversário. O presente de madeira, baratinho, para ser todo aproveitado pelo bebê de um ano. Sem grandes sofisticações, sem grandes exigências. Porque a vida, essa dos intervalos, geralmente não cobra nada da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lado excessivamente humano que descobri em mim também me dói: eu, às vezes, odeio. E isso me dói porque isso significa que sou pior do que supunha, e que determinada situação me afeta muito mais do que gostaria - embora faça uma força para provar o contrário. Mas sei que me esqueço com relativa rapidez das coisas. Sei que daqui a semanas, meses, anos, todas essas situações serão só esboços descartados de uma obra ainda em composição. Que é a vida, a dos intervalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como sou feliz nos intervalos. Mesmo quando nada de importante parece acontecer. Mesmo quando só há o silêncio ou o azul ou o branco. Mesmo quando fecho os olhos aos poucos e começo a sonhar qualquer coisa de que não me lembrarei depois. Mesmo, ou principalmente. Como quando acordo cedinho e vejo que ainda posso ficar na cama. Ou como quando o filme está apenas começando e eu já gostei dele. Ou quando eu escuto qualquer palavra baixinho, perto do ouvido. Ou como quando estou com meus primos pequenos, fazendo toda sorte de palhaçada para eles riam por horas seguidas, uma risada gostosa de dentinhos separados. Ou como quando cheiro seus cabelos loiros ou castanhos, lisos ou encaracolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim, descubro que certa está minha amiga &lt;a href="http://www.terapiadapalavra.blogspot.com/"&gt;Rachel&lt;/a&gt;: &lt;a href="http://terapiadapalavra.googlepages.com/"&gt;escrever é uma terapia&lt;/a&gt;. E saio mais leve depois de ter botado uns demônios pra fora, ainda que meio sem nexo. É que às vezes a gente precisa disso. Nós, essa gente excessivamente humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7200856440498338547?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7200856440498338547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7200856440498338547&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7200856440498338547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7200856440498338547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/04/excessivamente.html' title='Excessivamente'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6139427977006312277</id><published>2007-03-31T01:18:00.000-04:00</published><updated>2007-03-31T01:28:01.658-04:00</updated><title type='text'>Preparação</title><content type='html'>Queria escrever, mas as palavras sumiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou elas ainda estão aqui, mas não fazem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não se unem, ou não se juntam numa frase inteira que signifique qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que estou sentindo, bastante. Tanta coisa a ser dita, mesmo que para quem não quer ouvir. Mesmo que seja para quem não ouvirá, em circunstância alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta coisa que passa pela cabeça, e eu com as mesmas palavras de sempre, protelando um sentido qualquer. Adiando uma espécie de organização de idéias, se é que ela é possível. Deixando para mais tarde o que está quase brotando do peito sem que eu dê autorização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não agora. É tarde, é madrugada. É tarde e não tenho voz nem palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã virá. E também os vários amanhãs. Eu não vou calar. Antes que o grito estoure em meu peito oprimido, virão as palavras, ainda que inúteis. Mesmo que seja apenas para que me livre do peso delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6139427977006312277?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6139427977006312277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6139427977006312277&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6139427977006312277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6139427977006312277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/preparao.html' title='Preparação'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3783701329271972293</id><published>2007-03-28T00:01:00.000-04:00</published><updated>2007-03-28T00:51:42.189-04:00</updated><title type='text'>Flores, frivolidades e literatura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rgn0AXczJ-I/AAAAAAAAABM/wkENJYJKwUY/s1600-h/%C3%A1rvores.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rgn0AXczJ-I/AAAAAAAAABM/wkENJYJKwUY/s400/%C3%A1rvores.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046833144577337314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já faz semanas - posso dizer meses, acho - que o verde do morros anda salpicado de tons roxos e amarelos vibrantes. Lado a lado, vejo que essas cores combinam entre si. Mais espeçadamente, paineiras com suas flores lânguidas e pálidas, quase românticas. O que me chama atenção, no entanto, são o roxo e o amarelo: segundo sempre ouvi em minha infância, quaresma e aleluia. Quaresmeira, como acho que é o correto. Aleluia, nome repetido pela minha avó, e pela minha bisavó, e pelas alguém do fim do século XIX. E antes. As duas árvores se vestem de flores depois do carnaval. O sofrimento roxo, a ressurreição amarela. E essas cores marcam a aproximação da Páscoa, tal como um cheiro peculiar indica que o Natal está perto. É fácil sentir as épocas do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei descobrir que bendita árvore é a minha bendita aleluia, espetacular desde não sei quando. Agora elas já estão se despindo; algumas solitárias resistem, no meio do verde, exibindo os flocos intensos e amarelos. &lt;a href="http://www.brasilcult.pro.br/ecologia/Arvores/Albuns%20Floristicos/rio_de_janeiro01.htm"&gt;Descubro&lt;/a&gt;, afinal, o nome: "Cassia Multijuga", ou Cássia-Aleluia, ou Aleluia, para os íntimos. E cito Clarice, Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Água viva&lt;/span&gt;: "É com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Aleluia, grito eu, aleluia que se funde com o mais escuro uivo humano da dor de separação mas é grito de felicidade diabólica. Porque ninguém me prende mais. Continuo com capacidade de raciocínio – já estudei matemática que é a loucura do raciocínio – mas agora quero o plasma – quero me alimentar diretamente da placenta. Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é o desconhecido. O próximo instante é feito por mim? Ou se faz sozinho? Fazemo-lo juntos com a respiração. E com uma desenvoltura de toureiro de arena."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não vou falar sobre Clarice. Não agora. Que fique o trechinho aí; já é suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também há os cheiros da Páscoa. Em minha infância - e até uma parte de minha adolescência, devo confessar - preparava ninhos com fitas e laços coloridos, e o papel que embrulhara os ovos nos anos anteriores era cortado em tirinhas finas, brilhantes, fazendo um ninho macio para o chocolate vindouro. Mas não era só isso: no sábado de Aleluia, ansiosos pelos chocolates, todos colhíamos flores para cobrir as tirinhas - um verdadeiro tapete. As flores roxas das quaresmeiras eram presença garantida, assim como uma florzinha branca bastante desinteressante, mas que aparece nas matas nessa época e tem um perfume delicioso. Os quilos de chocolate amassavam as pétalas e o cheiro ia se intensificando - os ninhos ficavam no quarto, e era inebriante. Não tinha coragem de mexer nele: queria manter a arrumação, o colorido, o perfume. O chocolate, naqueles momentos, era o menos importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma de minhas primas, muito querida, concordou comigo que deveria haver um perfume que tivesse aquele cheiro de Páscoa - ou daquela flor branca desinteressante. Eu disse a ela que criaria um perfume, e ele teria o nome de "Pascale", ou algo assim. Ingenuidade infantil. Um punhado de anos depois, descobri o cheiro em frasco, e ele é hoje um de meus perfumes mais usados. "Floral amadeirado, com notas de freesia, canela, rosa aquática, peônia, âmbar e almíscar. Para a mulher elegante, sensual, alegre e segura de si." Discordo. Eu o uso para me lembrar dos tempos da minha Páscoa de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me perfumei saudosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra que a meia dúzia de leitores - talvez menos - não se coce de curiosidade, digo antes que me perguntem: é o L´Eau d´Issey, feminino. Delícia! E o masculino também é um espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que eu também tenho que dar vazão ao meu lado frívolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra hora volto a falar de Clarice. Ah, ela também falava muito sobre maquiagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3783701329271972293?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3783701329271972293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3783701329271972293&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3783701329271972293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3783701329271972293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/flores-frivolidades-e-literatura.html' title='Flores, frivolidades e literatura'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rgn0AXczJ-I/AAAAAAAAABM/wkENJYJKwUY/s72-c/%C3%A1rvores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6507260171759686858</id><published>2007-03-25T23:22:00.000-04:00</published><updated>2007-03-25T23:26:12.441-04:00</updated><title type='text'>Tão simples</title><content type='html'>A grande questão, agora, é equilibrar os tantos mil-reais a menos e os quantos mil-gramas a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6507260171759686858?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6507260171759686858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6507260171759686858&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6507260171759686858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6507260171759686858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/to-simples.html' title='Tão simples'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2053338926292305014</id><published>2007-03-19T14:07:00.000-04:00</published><updated>2007-03-19T23:14:11.763-04:00</updated><title type='text'>Joana Joana</title><content type='html'>Joana. Joana, venha cá, preciso te contar uma coisa. Não se faça de surda, não finge que está dormindo: eu sei que você está me escutando. Anda, Joana, não finge. Escuta. Eu sei que você está bem. Ou melhor, eu sei que você está quase bem. Eu também ainda não estou cem por cento, minha cabeça está estourando, e eu não sinto meus pés. Mas escuta, Joana: seus cabelos estão muito bagunçados; vou dar um jeito neles. Ainda tem algum cheiro de cigarro. Bem que você fala que não gosta de ir a essas boates lotadas. Minha camisa também está fedendo, está sentindo? Logo a camisa azul que você me deu. Não sei como ainda não me deu um tapa por ela estar manchada. Tudo bem, essa mancha sai. Nada que água e sabão não tirem. Nem o cheiro do seu cabelo. Está tão bonito o seu cabelo, mesmo bagunçado. Escuta, Joana, preciso te falar. Espera um pouco, não dorme agora. Escuta. Eu falo baixinho, prometo não te perturbar. Mas é que eu tenho que falar alguma coisa, e não tem ninguém aqui me escutando, Joana. Prometo falar baixinho. Pode ficar dormindo. Eu sei que você não queria sair hoje. Mas mesmo assim você estava tão bonita, o vestido que você pegou escondido no armário da sua irmã. Você se maquiou e ficou tão linda, ficou parecendo mais velha. Sei que você gosta de ouvir isso. O pior é que o vestido da sua irmã também está manchado. E esse é daqueles caros, não é, Joana? Vamos logo logo pro shopping, a gente compra outro igual, ela nem vai perceber. Não: a gente compra um mais caro, mais bonito, ela vai ficar até sem graça. Até porque ela vive falando que eu não presto, que não é pra gente ficar junto, que isso, que aquilo. Aí o cunhadinho vai dar pra ela um vestido muito, muito mais caro do que todos os outros que ela tem. Todos os outros juntos. Eu quero ver a cara dela. Ah, mas deixa isso pra lá. Você ficou linda nele, mesmo, muito mais bonita que ela. Está linda, mesmo com o vestido manchado. Tá vendo, já estou arrumando seu cabelo. Eles estão macios. Só estão fedendo um pouco, mas estão lindos. Ah, valeu a pena, não valeu? A gente bem que se divertiu hoje, Joaninha. Adoro te chamar de Joaninha, adoro a sua cara de quem não gosta de diminutivo. Tão lindinha a minha Joaninha, tão novinha, tão pequena, tão lindinha. Querendo parecer mais velha, querendo parecer ter dezoito anos. Quando tiver dezoito anos vai querer voltar pros dezesseis. Talvez não com dezoito, mas quando tiver vinte, eu tenho certeza. É uma idade linda. E você está tão linda, Joaninha. Nem parece que passou a noite inteira acordada. Viu, nem borrou a maquiagem, como você estava com medo. Eu sei, eu não deveria ter falado aquilo com você. Mas você me perdoa, não é, Joaninha? Isso, fica de olhos fechados, eu sei que você está me escutando. Você me perdoa por ter falado aquilo tudo, não é? Mas, você sabe, tinha aquele monte de marmanjo perto de você, e você sorrindo, eu sei que você não fez por mal, mas você sabe... Desculpa. Prometo que não faço mais. Você estava mesmo linda, parecendo mais velha no vestido da sua irmã. Desculpa por ter exagerado na bebida, também. Desculpa. Prometo que não vai acontecer mais. Estou com dor de cabeça, queria que parasse. Vai passar. E você, tá sentindo alguma coisa? Está com o rosto tão lindo, com a maquiagem perfeitinha... Você passou direto, ninguém parou você na porta da boate. E ninguém ia parar. Acha que alguém ia parar você, comigo do seu lado? Nada. Eles sabem com quem podem mexer. Ah, não importa. Você estava linda, dançando, dançando, dançando feliz. Eu fiquei vendo de longe. Eu via como você estava linda, feliz, dançando. Todo o mundo olhava pra você, Joana. Tão linda. Tão loirinha, tão adulta. Eu fiquei te olhando, de longe. Desculpa eu ter falado aquilo tudo, mas tinha muito homem perto de você. Desculpa, você chorou, né? Mas fica tranqüila, a maquiagem nem está borrada. Depois, também, você fez o quê? Eu nem vi, tem uma hora que eu não me lembro direito das coisas, eu estou confundindo tudo, sabe? Isso é tão estranho. Você vai ter que me ajudar. Ah, lembrei. Lembrei mais ou menos. Depois eu encontrei você na porta, não foi? Desculpa, eu briguei com você de novo. Mas eu nem me lembro direito por quê. Ah, não importa. Se eu não me lembro foi porque não foi importante, não é verdade? E você ainda queria ficar longe de mim... Até parece que eu ia te deixar sair sozinha daquele lugar, voltar sozinha pra casa. Tá maluca? Tão linda a minha Joaninha, não ia mesmo ficar andando sozinha de madrugada. Não tem táxi, não. Eu não te busquei? Eu te levo, deixa comigo. Não foi o que eu te falei? Eu coloquei até a música que você adora. Ah, Joana, me deu uma vontade louca de te beijar, minha linda. Linda maquiada, nesse vestido. Mesmo com o cabelo bagunçado e fedido.  Não se preocupe, sai tudo com água e sabão. Eu prometo que vou te lavar, você vai ficar feito nova. Mais novinha ainda. Uma criança. Uma criança loirinha, tão linda, tão adulta. Pode ficar dormindo quietinha, eu cuido de você. Eu só quero chegar logo em casa. Eu só quero te deixar logo em casa. Mas não se preocupa, logo a gente sai daqui. Logo alguém ajuda a gente. Joaninha, eu prometo que a camisa que você me deu vai ficar linda. E o vestido da sua irmã também, e se não ficar, eu compro outro muito mais caro. Joaninha, vai ficar tudo bem. Daqui a pouco alguém tira a gente daqui. Desculpa eu ter exagerado. Não queria brigar com você, mas você me entende, não entende? Enquanto isso eu ajeito os seus cabelos. Daqui a pouco o cheiro sai. Daqui a pouco a gente sai daqui. Eu te prometo, Joana, eu tenho que te falar isso, eu prometo que eu não brigo mais com você. Eu prometo que  não vou mais exagerar na bebida quando a gente sair. Não vou mais obrigar você a vir comigo. Desculpa, Joana, eu exagerei. Mas eu prometo que o vestido vai ficar limpo. Os seus cabelos também. Eu nunca vou me esquecer dos seus cabelos, Joana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2053338926292305014?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2053338926292305014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2053338926292305014&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2053338926292305014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2053338926292305014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/joana.html' title='Joana Joana'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-9186548240006928738</id><published>2007-03-19T00:30:00.000-04:00</published><updated>2007-03-19T12:20:18.945-04:00</updated><title type='text'>O elogio da cidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rf4SXBZ_PbI/AAAAAAAAAA8/P0jD72aUBYQ/s1600-h/DSC08351.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rf4SXBZ_PbI/AAAAAAAAAA8/P0jD72aUBYQ/s320/DSC08351.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043488819425263026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É que é uma delícia passear nas ruas de Petrópolis durante os dias de verão - mesmo o forte verão, o verão seco, o implacável verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um espetáculo silencioso e vibrante de cores entre os verdes das árvores. E há as sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rf4TThZ_PcI/AAAAAAAAABE/Oif4g89Dcgg/s1600-h/DSC08449.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rf4TThZ_PcI/AAAAAAAAABE/Oif4g89Dcgg/s320/DSC08449.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043489858807348674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ornam as ruas de paralelepípedos irregulares árvores povoadas de bromélias coloridíssimas. E eu não me canso de olhar para o alto, tentando descobrir o mundo que existe um pouco mais distante do alcance de nossas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, tão diferente de alguns anos atrás, acho Petrópolis um lugar quase perfeito para se viver. Apesar da poeira do Centro, apesar da fixação pelo alargamento de calçadas que nunca acabam. Percebo, cada vez mais, que sou daqui, e que não me enxergo longe. Talvez não enxergue longe. E sinto-me bem assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-9186548240006928738?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/9186548240006928738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=9186548240006928738&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/9186548240006928738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/9186548240006928738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/o-elogio-da-cidade.html' title='O elogio da cidade'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rf4SXBZ_PbI/AAAAAAAAAA8/P0jD72aUBYQ/s72-c/DSC08351.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6158050139418659815</id><published>2007-03-18T23:36:00.000-04:00</published><updated>2007-03-19T00:22:05.017-04:00</updated><title type='text'>16 de março</title><content type='html'>Março não poderia passar sem suas águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era feriado quando senti novamente o cheiro de terra molhada, e comemorei silenciosa a volta da chuva. O céu escurecido de nuvens cinza-chuva me alegrou mais que o sol inclemente dos últimos dias. Um vento mais forte anunciou raios ao longe: eu vivi a delícia de sentir o céu desabar sobre tetos e cabeças e flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Petrópolis não passaria sem chuva nas comemorações de seus 164 anos. E a chuva veio como um presente, refrescante e fértil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As montanhas já começaram a perder o tom empoeirado - há as infinitas variações de verdes a serem vistas. Ah, e também as paineiras que estão florindo atrasadas, as aleluias, as quaresmas, as árvores de flores entre o vermelho e laranja, que parecem de papel crepom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu começo a ter o outono dentro de mim. Fechei os olhos e tive a sensação do frio que virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E retorno à delícia de fechar os olhos e, com as luzes apagadas, ouvir somente o barulho da água que corre entre os obstáculos dos caminhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6158050139418659815?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6158050139418659815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6158050139418659815&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6158050139418659815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6158050139418659815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/16-de-maro.html' title='16 de março'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2916871787498350995</id><published>2007-03-14T14:47:00.000-04:00</published><updated>2007-03-15T23:28:23.386-04:00</updated><title type='text'>A internet, este oráculo</title><content type='html'>Quando o dia é dos piores, definitivamente dos piores, abre-se o e-mail e, casualmente, em mais uma das malas diretas de mais uma das livrarias virtuais em que já comprei antes, vejo a oferta quase irresistível de dois ultra-sucessos da auto-ajuda: "Casais inteligentes enriquecem juntos" e "Nunca desista dos seus sonhos". Vou tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, esse abominável gênero... Ah, essa receita infalível de felicidade que realmente não falha - aos autores de tais obras indispensáveis. A perfeita associação entre o materialismo e o desenvolvimento da pessoa-humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que meu sorriso vem de um imperativo extremamente clichê no título de um livro de auto-ajuda. Bem, hoje ele ajudou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2916871787498350995?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2916871787498350995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2916871787498350995&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2916871787498350995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2916871787498350995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/internet-este-orculo.html' title='A internet, este oráculo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3711322966603037651</id><published>2007-03-12T14:00:00.000-04:00</published><updated>2007-03-12T14:05:08.759-04:00</updated><title type='text'>Coffee Break</title><content type='html'>Enquanto as pessoas se apressavam nas calçadas largas,  ele tinha o mesmo olhar parado, cruzando o obstáculo das pernas que se cruzavam. De longe a cidade viva pareceria sonolenta - tão sonolenta quanto ele, de mão estendida, em concha. Os sons começavam a se fazer distantes quando sentia o choque frio do metal em sua palma. O desenho da moeda não era muito animador. Ainda assim, levantou-se, empertigado, com algo de renovado. Entrou na padaria e pediu, com alguma empáfia, um café - era o que dava. Quando a menina que vendia balas encostou levemente na camisa do taxista suado, ele pensou que não se podia nem mesmo tomar um café sossegado sem que as pessoas lá fora esfregassem em sua cara a realidade cheia de imperfeições.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3711322966603037651?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3711322966603037651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3711322966603037651&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3711322966603037651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3711322966603037651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/coffee-break.html' title='Coffee Break'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3710210643265576371</id><published>2007-03-12T12:44:00.000-04:00</published><updated>2007-03-12T13:59:26.673-04:00</updated><title type='text'>Deleite</title><content type='html'>A chuva não vem, mas o colorido dos morros está cada vez mais intenso: árvores irrompem em amarelho-brilhante, em roxo-alegria, em vermelho-alaranjado. Árvores irrompem em perfumes nas noites pálidas e quentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nunca percebi, como ultimamente, a riqueza dos contornos que me limitam - nunca percebi, ávida de detalhes, as florações das árvores cujos nomes não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi uma paineira florida que fazia um tapete rosado sobre os paralelepípedos. Vi uma árvore cheia de flores de uma indefinível, rara e delicada cor-de-cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então me surpreendo com as cores que meus olhos podem ver contra o azul incrível dessas semanas sem chuva. E agradeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3710210643265576371?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3710210643265576371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3710210643265576371&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3710210643265576371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3710210643265576371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/visual.html' title='Deleite'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-8045495219212492459</id><published>2007-03-09T17:47:00.000-04:00</published><updated>2007-03-09T18:02:22.093-04:00</updated><title type='text'>Entorpecente</title><content type='html'>Porque a vida é curta e, às vezes, fosca. Apesar do céu azul brilhante das tardes: há o cheiro pesado das semanas secas. Apesar de março. Apesar do verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam as horas sem razão alguma, enquanto o tempo parece estacionado no dia anterior - por vezes. A cada segundo transposto, o relógio balança sobre a mesa - vibra o momento que morre, vibra o momento que nasce. Curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sono, algum torpor. Há uma asfixiante falta de palavras. A voz rouca me mostra exaurida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam as horas. Um cheiro de fumaça me deixa quase tonta. E, lá fora, as pessoas e os carros estão anoitecendo. Olho para o telefone, mas ele não toca. Procuro as pessoas, mas elas não estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim me arrasto, vagando. Até que chegue a noite e seu descanso, bem mais tarde. Até que chegue a hora  em que o mundo vibre, noturnamente luminoso. Até que me venham as palavras acumuladas durante as horas mudas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressiono contra a mesa bege o mosquito que me sugou um pouco do sangue, do ânimo. Pressiono meus lábios, prisão. E rompo o momento tenso dos segundos curtos ecoando na noite entorpecida. Abertos os olhos - o mundo continua o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que me ausentei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-8045495219212492459?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/8045495219212492459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=8045495219212492459&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8045495219212492459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/8045495219212492459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/entorpecente.html' title='Entorpecente'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1328227073933737150</id><published>2007-03-08T23:44:00.000-04:00</published><updated>2007-03-09T01:07:27.509-04:00</updated><title type='text'>Obscenidades</title><content type='html'>As grandes livrarias, modernas, são lugares tentadores, coloridos, perfumados. Agradáveis. E, ainda, têm conteúdo. Um conteúdo heterogêneo, mas conteúdo. É claro perceber uma mudança na fisionomia da pessoa que, da calçada, transpõe a porta envidraçada. O olhar com alguma forçada concentração, simulada atenção. Leitura de orelhas de livros geometricamente organizados sobre balcões. E, depois, a ida quase casual para a seção de auto-ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há grandes livrarias em Petrópolis. Aliás, quase não há livrarias em Petrópolis. Mas há uma filial de uma grande rede, cuja loja na cidade deve ser equivalente à vigésima parte da Fnac do BarraShopping. Mas não faltam livros de auto-ajuda. Nem o certo ar dissimuladamente concentrado que as pessoas adquirem quando cruzam a fronteira do território cheio de conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é sobre isso que estou escrevendo. Estou só contando um pequeno episódio em que observei algo realmente curioso. Fui à livraria comprar "O movimento pendular", do Alberto Mussa - a propósito, um ótimo livro, diferente de tudo o que ja li antes - e, enquanto esperava que a moça que me atendeu olhasse o preço do livro, deixei o olhar cair sobre uma mesa à esquerda, onde se empilhavam, organizadamente, as mais diversas e coloridas obras. Uma capa preta com letras brancas: "O doce veneno do escorpião". Já faz alguns meses que a referida obra foi lançada, comentada, resenhada, lida, ganhando manchetes e destaques de jornais e revistas - para o bem e para o mal. Principalmente, para o mal. Meses depois, ninguém mais parece dar pela existência dele. O que é totalmente natural e, mais que isso, previsível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro o pequeno volume. Há qualquer referência ao fato da dupla personalidade (?) da escritora (?): Raquel, a menina; Bruna, a mulher. E, nos trinta segundos em que a atendente pesquisa o preço do livro do Mussa, leio os parágrafos iniciais da primeira aventura narrado no livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos sabem, o livro conta a história de Bruna Surfistinha - a tal Raquel sei lá das quantas, a tal menina -, jovem de classe média que, depois de abandonar a prostituição, decide compartilhar suas experiências. Todos imaginam que tipo de coisa se pode encontrar num texto com essa proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estão os primeiros parágrafos da primeira aventura narrada no livro: nada que surpreenda, até a segunda página. Há a chegada de um homem, um início de conversa, um início de função. E é aí que chega a surpresa: deparo-me com uma frase composta por, entre outras palavras, "c..." e "bu..." . Isso mesmo. "C..." e "bu..." . Em um livro teoricamente escrito por uma ex-prostituta, em que se narram os acontecimentos de seu dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro do Mussa custava uns trinta reais - a leitura foi interrompida. Mas algo me perturbava. Quem havia escrito a tal frase? Raquel, a menina? Bruna, a mulher? Drama. Fiquei chocada com a delicadeza da autora-narradora-personagem que tenta preservar seus leitores - e a si mesma? - de um vocabulário tão chulo. Apesar do restante do livro. Apesar de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errado estava Rubem Fonseca, que colocava os palavrões inteiros em seus contos. Afinal, "Feliz Ano Novo" é realmente chocante. Tivesse ele escrito "pu...", "me...", "fo...", e talvez nem tivesse problema com a censura. Afinal, o palavrão é realmente algo chocante, algo vil. Não a violência. Não a prostituição. Não a narração escancarada de aventuras sexuais com o simples propósito de narrar escancaradamente as aventuras sexuais. O óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria eu conservadora demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, comprei minha indulgência trazendo, junto com o livro do Mussa, um volume do Fernando Pessoa, que dividia espaço com a tal primeira produção literária (?) da menina Raquel, da mulher Bruna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que as livrarias são lugares coloridos e cheios de conteúdo. Ainda que heterogêneo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1328227073933737150?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1328227073933737150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1328227073933737150&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1328227073933737150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1328227073933737150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/obscenidades.html' title='Obscenidades'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-3095623422211780644</id><published>2007-03-02T16:38:00.000-04:00</published><updated>2007-03-02T17:54:34.543-04:00</updated><title type='text'>À espreita</title><content type='html'>Guarda as palavras do teu silêncio nas noites insones:&lt;br /&gt;o barulho não vale o que sentes sem saber.&lt;br /&gt;Nenhum de teus gritos dá a medida que desconheces,&lt;br /&gt;a medida de ti, das horas, dos quilômetros além de teu alcance.&lt;br /&gt;Guarda o teu silêncio da madrugada e seu profundo significado.&lt;br /&gt;Descobre-te sem sentido quando a ordem parece intacta.&lt;br /&gt;Guarda as palavras sem sussurros dos olhos abertos:&lt;br /&gt;o sangue que pulsa é teu momento eterno.&lt;br /&gt;Guarda tuas noites nas palavras esparsas.&lt;br /&gt;Encontra-te na vigília.&lt;br /&gt;Vigia-te os sentidos para que nada te escape.&lt;br /&gt;Escapa da tua lógica crua e sufocante.&lt;br /&gt;Sufoca o teu gemido de indagação.&lt;br /&gt;Indaga-te sem aguardar resposta.&lt;br /&gt;Não esperes que a manhã chegue para imprimir no silêncio branco&lt;br /&gt;os longos cinco minutos de espanto e sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-3095623422211780644?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/3095623422211780644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=3095623422211780644&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3095623422211780644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/3095623422211780644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/03/espreita.html' title='À espreita'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1935346369979769542</id><published>2007-02-28T16:24:00.001-04:00</published><updated>2007-02-28T16:30:59.205-04:00</updated><title type='text'>Amanhecendo-se</title><content type='html'>Acordando cedo, viu a lua que era um cílio branco e brilhante no céu indeciso entre o azul e o lilás. O ar frio e úmido despertou-a até as pontas dos dedos sempre dormentes. O silêncio gritava para além da janela aberta, para além dos territórios alcançados por seus olhos. Era o momento da inspiração: respirar a manhã que bocejava, colorindo as montanhas e as nuvens esparsas, aceitar o mundo que se oferecia quieto e vibrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse momento ela compôs o mudo poema de sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1935346369979769542?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1935346369979769542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1935346369979769542&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1935346369979769542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1935346369979769542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/amanhecendo-se_28.html' title='Amanhecendo-se'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-469919716129938143</id><published>2007-02-28T12:45:00.000-04:00</published><updated>2007-02-28T16:16:20.434-04:00</updated><title type='text'>Calendário</title><content type='html'>Aproveitei o brilho dos dias de fereiro. O sol. A brisa fresca da madrugada. A multidão de euforia colorida. Os silêncios, os espaços, as reticências. A doçura do cheiro de verão. O suor amolecente. A música alta. Plenos luares. Emudecidos recortes de montanhas. A linha do horizonte, serena e azul. As nuvens como véu. As palavras, as imagens, os sentidos. Todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceno ao fim do mês. Os dias mais longos acabaram de ser deixados para trás no verão que ainda ferve em mim, e eu como que sinto um prenúncio antecipado do inverno. Sofro pelo frio ainda distante, mas certo. Mas, ao mesmo tempo, imagino e recordo seus sabores. E cheiros. E cores. E ventos e chuvas e sóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já consigo pressentir a primavera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-469919716129938143?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/469919716129938143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=469919716129938143&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/469919716129938143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/469919716129938143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/calendrio.html' title='Calendário'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2348612335949259166</id><published>2007-02-27T09:53:00.000-04:00</published><updated>2007-02-27T10:01:45.076-04:00</updated><title type='text'>Mural</title><content type='html'>Eu já deveria ter transcrito este poema há uns dias, quando o carnaval ainda se fazia inexplicavelmente em céu azul sem nuvens sobre minha cabeça. Mas, como adoro Manuel Bandeira em qualquer essa época do ano, ainda está em tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;NÃO SEI DANÇAR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Uns tomam éter, outros cocaína.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Tenho todos os motivos menos um de ser triste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Abaixo Amiel!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Perdi a saúde também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz band.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Uns tomam éter, outros cocaína.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Eu tomo alegria!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mistura muito excelente de chás...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;                                                Esta foi açafata...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; - Não, foi arrumadeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; E está dançando com o ex-prefeito municipal:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; tão Brasil!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Há até a fração incipiente amarela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;na figura de um japonês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; O japonês também dança maxixe:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;acugelê banzai!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A filha do usineiro de Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;olha com repugnância&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; para a crioula imoral,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; no entanto o que faz a indecência da outra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;é dengue nos olhos maravilhosos da moça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; E aquele cair de ombros...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Mas ela não sabe...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Tão Brasil!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ninguém se lembra de política...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Nem dos oito mil quilômetros de costa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Eu tomo alegria!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, carnaval é mesmo "tão Brasil". E ninguém se importa com nada. E isso não é mesmo bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, o "Não sei dançar" (assim como vários outros textos do Bandeira) foi escrito aqui em Petrópolis, 1925. Saudades da época de ouro da minha cidade - que não conheci.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2348612335949259166?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2348612335949259166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2348612335949259166&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2348612335949259166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2348612335949259166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/mural.html' title='Mural'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-2280324648244685571</id><published>2007-02-26T00:11:00.000-04:00</published><updated>2007-02-26T00:16:50.049-04:00</updated><title type='text'>Ainda sobre o carnaval: um enigma</title><content type='html'>Não, eu nunca fui muito ligada em carnaval. Ontem tentei assistir ao desfile da Mangueira - não tanto pelo samba, ou pela escola, ou pelo carnaval, em si: o que me atraiu foi o enredo, que eu não poderia deixar de aplaudir, apaixonada que sou pela Língua Portuguesa. Ainda assim, dormi nos primeiros dez minutos. Desfile de escola de samba na televisão é, sim, uma coisa muito chata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conhecia samba nenhum. Não tenho grande torcida por nenhuma agremiação (houve uma época em que tinha uma leve inclinação para a Imperatriz, mas ela anda esmaecida, não sei por quê). Não assisti a desfile nenhum no domingo ou na segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o enigma: por que, apesar disso tudo, eu sempre fico de olhos grudados na televisão na tarde da Quarta-Feira de Cinzas, assistindo à apuração dos desfiles que eu não vi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Às vezes eu me descubro meio estranha.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-2280324648244685571?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/2280324648244685571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=2280324648244685571&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2280324648244685571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/2280324648244685571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/ainda-sobre-o-carnaval-um-enigma.html' title='Ainda sobre o carnaval: um enigma'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-5337078971099184473</id><published>2007-02-23T00:08:00.000-04:00</published><updated>2007-02-23T00:21:57.491-04:00</updated><title type='text'>Fragmentos carnavalescos</title><content type='html'>Sol, sol, sol. Pessoas. Muitas pessoas. O batuque à beira da praia. A gota de sangue escorrendo na sandália branca. A alegria que vem do nada, sem motivo, sem razão - alegria. Contagiante como todo clichê. Contagiando pessoas, pessoas, pessoas que pulavam e gritavam e sorriam sem motivo algum. O sol se debruçando sobre os contornos do Rio. A velhinha se debruçando sobre a janela do quinto andar. O lilás do anoitecer se debruçando sobre as ondas repetitivas. As vozes em imperfeito uníssono. Calor, cerveja, suor. Abraços de braços fortes e masculinos. Estrelas em arquinhos e tiaras de rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mar, indiferente. Espuma branca tomando a areia brilhante ao sol do meio-dia. Calor. Pessoas. Olhos fechados: a solidão. O esquecimento do mundo. Gota de suor escorrendo na pele que arde. Colorido de guarda-sóis chocando-se contra o anil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a quarta-feira esfarelando o carnaval feito confete no asfalto. Feito biscoito Globo desmanchando-se na areia. Fragmentando a multidão que parecia uma só. Feito as cinzas de recente combustão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-5337078971099184473?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/5337078971099184473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=5337078971099184473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5337078971099184473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/5337078971099184473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/fragmentos-carnavalescos.html' title='Fragmentos carnavalescos'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-4253312886988336026</id><published>2007-02-13T22:26:00.000-04:00</published><updated>2007-02-13T22:39:03.754-04:00</updated><title type='text'>Fast love</title><content type='html'>Ela ainda quis falar alguma coisa, mas a voz cansada desistiu ao imaginar o obstáculo que os lábios cerrados representavam, tão distantes. Inútil esforço. Então ela afastou-se do homem que pensou ter encontrado para toda a vida, e riu alto, despudorada. O ar noturno de janeiro lhe daria outros homens para toda a vida. E as potentes caixas de som do salão inteiro vibravam sob sua pele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-4253312886988336026?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/4253312886988336026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=4253312886988336026&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4253312886988336026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/4253312886988336026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/fast-love.html' title='Fast love'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-6237161763705938291</id><published>2007-02-09T13:02:00.001-04:00</published><updated>2007-02-09T13:02:22.054-04:00</updated><title type='text'>Quanto ao futuro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: lucida grande;"&gt;Para Iago&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O sabor dos dias foi modificado. Respiro mais profundamente, e acelero por nada. Quanto ao futuro, ele está aqui, fazendo-se presente embrulhado com laço de fita. A lua ontem à noite apareceu entre véus de nuvens distantes. Também o perfume é outro. Quanto ao futuro, ele inunda meus pensamentos e sonhos e palavras. Presente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-6237161763705938291?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/6237161763705938291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=6237161763705938291&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6237161763705938291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/6237161763705938291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/quanto-ao-futuro_09.html' title='Quanto ao futuro'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1153344409234758931</id><published>2007-02-08T23:38:00.000-04:00</published><updated>2007-02-07T13:48:51.563-04:00</updated><title type='text'>Quando me basta a imagem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rcvs9DMh4tI/AAAAAAAAAAw/gUd6J_gGy9I/s1600-h/DSC08216.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rcvs9DMh4tI/AAAAAAAAAAw/gUd6J_gGy9I/s400/DSC08216.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5029373942463324882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E é só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tirada no Parque São Vicente, à beira da serra, no espetacular final de tarde da última terça-feira.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1153344409234758931?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1153344409234758931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1153344409234758931&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1153344409234758931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1153344409234758931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/quando-me-basta-imagem.html' title='Quando me basta a imagem'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_pM3eNOicluY/Rcvs9DMh4tI/AAAAAAAAAAw/gUd6J_gGy9I/s72-c/DSC08216.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7676211032033412727</id><published>2007-02-05T01:01:00.000-04:00</published><updated>2007-02-05T01:41:58.054-04:00</updated><title type='text'>Dive</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Existe uma comunhão essencial na natação, como em todas as atividades flutuantes e, por assim dizer, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;musicais&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. Além disso, há a maravilha da flutuação, de ficar suspenso naquele ambiente espesso, transparente, que nos ampara e nos envolve. Podemos nos mover na água, brincar com ela, de um jeito qeu não tem nada de análogo ao que se passa no ar. Podemos explorar sua dinânica, o seu fluxo, numa direção ou em outra. Podemos mover as mãos como hélices ou direcioná-las como pequenos lemes. Podemos nos transformar num pequeno hidroplano ou submarino, investigando a física do&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; fluxo com o próprio corpo." &lt;/span&gt;- Oliver Sacks, em "Por que adoro nadar" (piauí, janeiro)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcbDg_HnUiI/AAAAAAAAAAk/0-qHvenZhPk/s1600-h/DSC07792.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcbDg_HnUiI/AAAAAAAAAAk/0-qHvenZhPk/s200/DSC07792.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5027921005472338466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ela jogou-se às pequenas ondulações daquele mar transparente, e deixou que a água batesse em suas coxas, delicada. Havia a brisa que assoviava em seus ouvidos e desarrumava os antes ordenados cachos castanhos, mas ela não se importava com isso. Movia-se rapidamente em direção ao verde mais escuro, e já sentia a água envolvê-la até pouco acima da cintura, quando ela, então, se jogou naquele cristal que balançava. O corpo todo, num arrepio, esfriou-se ao intenso contato com aquela água alegre e límpida. Abriu os olhos e viu os desenhos que o ir e vir das águas imprimia na areia branca e fina; viu também pequenos peixes apressados e sinuosos passando debaixo de seu ventre. Ganhava o mar com suas braçadas, e sentia o rosto arder levemente com aquele sal, repuxando sua pele. Nadava sozinha, experimentando a visão de sua sombra desenhada no chão, brilhando aos raios do sol do meio-dia. Seu corpo era outro, mudara o seu peso. Mais algumas braçadas e ela atingia uma profundidade maior; seus pés não mais alcançavam a areia que, contudo, ainda era vista, nitidamente. Agora, sim, podia descansar; as pessoas brincavam ruidosamente na gentil arrebentação, distantes, e ela se via sozinha entre as duas ilhas de praias de areias finas. Havia uma corrente de água gelada, e seu corpo se retesou àquele inesperado. Virou-se de barriga para o sol, dava braçadas olhando para o céu, via as gaivotas voando em bandos e mergulhando em vão. Dançavam. Ela também dançava, e era levada suavemente pelo mar balançante, equilibrando-se naquela massa fria e delicada. Mergulhava, tentava achar o fundo, não o encontrava, subia à tona, respirava ofegante. Fingia perder os sentidos para sentir-se afundar. Movia as mãos, agitando as calmas águas. Não ouvia mais os gritos de alegria e susto das crianças com seus baldinhos no encontro com as ondas, mas sim o barulho do vento, dos pássaros e da água que, vez ou outra, chocava-se mais firmemente com seu rosto. Havia a alegria do contato, do mergulho, do encontro. Não pensava em nada, só sentia. Deixava-se levar, sem leme, à deriva, só para depois nadar mais, e mais, e mais. Só para depois exigir de seus braços e pernas o vigor e a desenvoltura dos movimentos coordenados. Só para depois olhar em direção à areia branca e pensar, unicamente, que aquele era o seu objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nadou até o encontro das pequenas ondas com a areia branca e fina. Seus pés tocaram o chão macio, e o vento secava a água e o sal que escorriam de seus cílios, seus cabelos. Os olhos franzidos encaravam o céu intenso, encaravam os guarda-sóis meticulosamente alinhados. Ela saiu do mar, mas era outra. Límpida, calma, clara, ela saiu da água e deitou-se na areia, braços abertos buscando o calor. Límpida, calma, clara, cheia de sal em seu corpo, ela sentiu a maresia envolvente que lhe punha em secreta sintonia com aquele mundo em que submergira. Era uma mulher de vários mundos, ela, tão banal. Sorriu para o sol, seu cúmplice. Lá estava o mar. E lá ela se descobria, profundamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7676211032033412727?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7676211032033412727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7676211032033412727&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7676211032033412727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7676211032033412727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/dive.html' title='Dive'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcbDg_HnUiI/AAAAAAAAAAk/0-qHvenZhPk/s72-c/DSC07792.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-1651447212486206800</id><published>2007-02-05T00:48:00.000-04:00</published><updated>2007-02-05T00:53:48.978-04:00</updated><title type='text'>Para não esquecer</title><content type='html'>A lua que já mingua apareceu entre as nuvens fugidias e esparramou-se sobre o banco vazio do carro - luxuoso luar de domingo. Guardo as tuas palavras que ainda soam em meus ouvidos, fazendo-me dirigir sorrindo. A estrada iluminada se abre aos meus olhos. Estamos chegando; já não falta mais tanto. E o calor da sua mão está guardado entre meus dedos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-1651447212486206800?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/1651447212486206800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=1651447212486206800&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1651447212486206800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/1651447212486206800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/para-no-esquecer.html' title='Para não esquecer'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7138137351988168175</id><published>2007-02-01T13:28:00.000-04:00</published><updated>2007-02-01T13:31:47.912-04:00</updated><title type='text'>Logo ali...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcIjXPHnUhI/AAAAAAAAAAY/edik-GV4UgQ/s1600-h/calendario.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 128px; height: 144px;" src="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcIjXPHnUhI/AAAAAAAAAAY/edik-GV4UgQ/s200/calendario.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026619016201327122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não tem como dar uma fugidinha de volta pra janeiro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7138137351988168175?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7138137351988168175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7138137351988168175&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7138137351988168175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7138137351988168175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/02/logo-ali.html' title='Logo ali...'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcIjXPHnUhI/AAAAAAAAAAY/edik-GV4UgQ/s72-c/calendario.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-7516397461071368706</id><published>2007-01-31T23:14:00.000-04:00</published><updated>2007-03-31T01:41:57.087-04:00</updated><title type='text'>Wear sunscreen</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcGBsfHnUgI/AAAAAAAAAAM/kXzftggelDo/s1600-h/sunscreen.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcGBsfHnUgI/AAAAAAAAAAM/kXzftggelDo/s200/sunscreen.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026441260389847554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"If I could offer you one tip for the future, sunscreen would be it. The long-term benefits of sunscreen have been proved by scientists whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience... I will dispense this advice now."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você ainda não identificou essa bela citação, certamente vai se lembrar de "Filtro solar", texto que o Pedro Bial eternizou em uma canção que ninguém mais agüenta ouvir em festas, mensagens de fim de ano, apresentações de Power Point e afins. "Usem filtro solar", e essa frase, usual em campanhas publicitárias há um tempo, tornou-se um mantra repetido aos quatro ventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou criando uma certa aversão a filtros solares, e não é só por causa do Pedro Bial. O filtro solar atrasa minha vida. É preciso aproveitar a manhã ensolarada, rara neste verão, e eu estou protegendo minha pele, gastando quase uma hora nisso. Talvez exagere, é verdade. Certamente poderia gastar menos tempo e creme (ou gel, ou spray, ou qualquer coisa que valha), mas adquiri uma certa fobia de ficar ardida depois da praia. Por isso, tenho experimentado os mais variados fatores de proteção, as mais variadas marcas, cores, perfumes, preços, consistências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro vagamente da época em que ia para a praia sem nada no rosto. Ficava vermelha? Sim. Descascava? Certamente. Mas ficava ao sol sem culpa alguma, sem pensar em melanomas ou sardas ou envelhecimento precoce ou radicais livres. Nem minha mãe pensava nisso. Num tempo anterior aos filtros solares, minha mãe sempre soltou pipa de cara pro sol, e depois lavava o rosto com água-de-arroz para ficar sem sardas - conselho de minha bisavó. Acho que fez efeito: minha mãe sempre tomou muito mais sol que eu e tem o rosto com pouquíssimas manchas. Também não envelheceu precocemente, e só começou a usar creminhos e cosméticos há cerca de duas décadas, com o advento dos placebos (em que eu acredito, apesar de tudo) que passaram a povoar as prateleiras, vitrines e livrinhos da Avon. Eu, cheia de sardas, busco me proteger atrás dessa muralha que impede que os raios de sol - tão bons! - cheguem à minha pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem qualquer vaguidão, lembro-me perfeitamente do primeiro filtro solar com que tive contato: Spectraban. Minha mãe comprou na farmácia antes de irmos para uma temporada na praia, e disse, com a mais absoluta confiança, com a certeza de proteção inabalável, que estaríamos protegidas e poderíamos ficar no sol o quanto quiséssemos. Eram duas embalagens nem um pouco atraentes, tubos de pomada - um de gel, outro de creme - oferecendo-nos toda a segurança que um filtro solar de fator 4 pode proporcionar à pele de uma criança quase loura e de olhos claros. Imaginava-me protegida, livre do perigo das vermelhidões e coceiras que o sol me causaria. Pobres de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filtro solar começou a deixar de ser remédio - aquele produto que só pessoas problemáticas, com intolerância ao sol usavam - para se tornar imprescindível na vida de qualquer pessoa, branca, negra ou amarela. O fator 4 começou a se tornar mal visto quando pipocaram nas farmácias os filtros de fator 8, tão mais eficientes. Logo, todos vocês sabem, o 8 já não bastava mais, e o 15 passou a ser o máximo de proteção para as pessoas. O 20 surgiu para pessoas branquelas demais, e o aparecimento do 30 me deixou um pouco surpresa: "meu Deus, onde isso vai parar?" Não sonhava que ainda haveria o fator 60, totalmente inconcebível, um exagero de proteção e alimento para as neuroses deste mundo moderno. E pensar que minha mãe passava Rayito de Sol - sim, aquele bronzeador que deixa a pele amarronzada mesmo que se fique na sombra - sem culpa ou medo algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para a praia, e não posso deixar de comprar filtros solares, apesar de quase odiá-los. Compro um fator 15, em creme. Compro um fator 20, creme, também, mas esporte (como se eu praticasse algum), que dura seis horas. Compro um outro fator 15, esporte, também, mas em spray, porque o protetor solar de longa duração é mais difícil de passar, tomando-me mais tempo de praia. Fujo dos protetores solares infantis, de embalagens divertidas e chamativas, de longa duração, mas de sérias conseqüências para o esmalte com que você acaba de pintar suas unhas. É que eu jamais me esquecerei do Sundown para crianças, embalagem com borrifador, creme verde e com cheirinho de melancia - um luxo! Na pele, porém... Eu ficava grudenta, um pouco esverdeada (não, a cor verde não sumia após poucos minutos, como prometido), enjoada com o cheiro, e com as unhas catastroficamente danificadas. Verdes, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda os outros produtos: um protetor solar para os cabelos e couro cabeludo, um especialmente para o rosto, de textura mais leve, o labial, imprescindível... Na minha bolsa de praia vão, no mínimo, quatro embalagens de filtros solares das mais diversas funções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora de ir para a praia, e vem o solene momento de espalhar filtro solar no corpo inteiro. Não posso me esquecer de lugar algum, especialmente as orelhas e o peito dos pés. Ah, atrás dos joelhos - a displicência é sofrimento garantido. Não é necessário falar que muitas vezes, quando fui para a praia depois de todas as etapas, o sol já havia sido encoberto por nuvens - o que, ainda assim, não faz com que o filtro solar seja dispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espalho de maneira irregular o creme - ou gel, ou spray, ou qualquer coisa que valha - nos ombros e o estrago está feito: vou descascar em um lugar ou outro. Lá se vai toda a minha técnica de paciência e constância para conseguir ficar bronzeada sem as desastrosas conseqüências. Depois, haja filtro solar em cima, para tentar uniformizar os tons. Se não der, de toda forma, há a maquiagem para disfarçar as manhcas: pó de efeito bronzeado (com filtro solar, claro). Assim como o batom. E a base. E o blush. E os cremes todos. E os shampoos e condicionadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para a praia, morro de medo de qualquer sudorese excessiva que lave o filtro solar tão meticulosamente espalhado antes. Pra evitar qualquer problema, fico debaixo do guarda-sol quase o tempo inteiro. Parei de me estirar na areia, torrando. E uso camiseta quando vou andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam-se os dias de verão, e eu me vejo saudavelmente morena ao espelho. Menos branca, talvez: um quase bronzeado. De efeito não tão duradouro, já que dias antes havia espalhado o maldito filtro solar irregularmente nos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto para casa, sem arder, sem sofrer, sem calores ou calafrios da pele quente de depois da insolação. Chego à Petrópolis européia de constante neblina, vestida ainda à moda praia. O primeiro comentário que ouço, não sem alguma malícia, é algo como: "nossa, Suzana, nem parece que você foi à praia!" Antes do filtro solar, praia era sinônimo de vermelhidões horrendas, de peles manchadas exibidas orgulhosamente nas calçadas serranas - "aquela moça deve ter passado uns dias em Cabo Frio!", é o que pensam todos. E, quanto mais tempo durasse o processo de renovação da pele, mais tempo duravam as vivas memórias dos dias de praia. Maldito filtro solar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não descuido dele, sou neurótica. Se sou displicente, sou irresponsável porque não penso no perigo que a pele corre por causa da radiação solar e o buraco na camada de ozônio e o envelhecimento precoce que é causado e ainda o perigo de uma doença séria. Por isso, cedo às ameaças dos médicos, publicitários e jornalistas, como o Pedro Bial, e faço a festa nas prateleiras desses produtos cada vez mais diversos, gastando, literalmente, aos tubos para me proteger dos efeitos nocivos dos raios do astro-rei. Até que se descubram os efeitos nocivos do filtro solar, esse nosso carcereiro. Voltarão os tempos do Rayito de Sol?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-7516397461071368706?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/7516397461071368706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=7516397461071368706&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7516397461071368706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/7516397461071368706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/wear-sunscreen.html' title='Wear sunscreen'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_pM3eNOicluY/RcGBsfHnUgI/AAAAAAAAAAM/kXzftggelDo/s72-c/sunscreen.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-117026233899697814</id><published>2007-01-31T12:50:00.000-04:00</published><updated>2007-01-31T12:52:19.046-04:00</updated><title type='text'>Back to life</title><content type='html'>Janeiro vai embora com chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu ainda pareço não ter voltado ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades do sol que deixei para trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-117026233899697814?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/117026233899697814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=117026233899697814&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/117026233899697814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/117026233899697814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/back-to-life.html' title='Back to life'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116967713010505822</id><published>2007-01-24T17:52:00.000-04:00</published><updated>2007-01-24T18:28:05.070-04:00</updated><title type='text'>Pensamentos esparsos e irrelevantes</title><content type='html'>A cidade ontem parou para ver uma mulher de meia-idade quase inteira arremessando objetos vários de sua janela do terceiro andar, numa ruazinha do Centro. Bombeiros, polícia, curiosos. Desocupados ou não. Grande parte deles se lamentava por não ver uma cena de suicídio. Risos, muitos risos. Eta vida besta, meu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia, uma carreta virou na estrada, como se fosse algo novo. Toneladas e toneladas de carne saqueadas pelos moradores das redondezas. Devo admitir que tive algum medo quando vi as viaturas da Polícia Federal, depois de dois dias um pouco turbulentos na BR-040.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que no domingo houve um assalto à praça de pedágio logo antes da subida da serra, poucas horas depois de eu ter passado por lá. E, no sábado, houve um assalto a um ônibus que ia pra Minas, também na estrada que eu tanto conheço e amo. Mas as coisas hão de ficar mais tranqüilas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, pego a estrada e me encontro novamente no BarraShopping, apesar dos pesares. Sim, eu fico perdida naquele monte de lojas. Ao menos consegui comprar algumas das coisas que pretendia. Mas falei da ida à Barra não pelas compras: foi só pra comentar que dois moradores da Manoelcarlolândia se exilaram por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só ver alguém tirando foto no meio do corredor e encontrar um atorzinho qualquer. No caso, um tal cujo nome não sei - só sei que ele é tido como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;affair&lt;/span&gt; da Sônia Braga. Será que o Leblon está em baixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, uma criança meio encapetada gritando "Não quero mais tirar foto!!!!" - era o tal do Francisco, de "Páginas da vida". Pobre da criança que, aos cinco ou seis anos - ou menos? -, se vê assediada, tendo que parar para abraçar e beijar quem nunca viu mais gordo. Ele bem que podia dar um chute na canela de quem se aproximasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes eu acho celular a pior invenção da face da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei litros de protetor solar, mas estou descascando, ainda assim. Tenho que aprimorar minha técnica de bronzeamento eficaz e duradouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu priminho de quase dois anos tomou sete picolés em umas quatro horas na praia. O pai dele, a personificação do orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desde ontem, não me sai da cabeça uma música do Balão Mágico. Transcrevo a letra - riquíssima!!! - abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;BOMBOM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sonhei que era um cantor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; De fama internacional&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sucesso arrebatador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; En la America Central&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Guitarra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sombrero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sol e som&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Vamos a la playa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Chiribiribi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Chiribiribi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Gatinhas me perseguindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Curtindo com o meu som&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Gritando: é lindo, lindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Me chamando de bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Guitarra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sombrero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sol e som&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Vamos a la playa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Chiribiribi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Chiribiribi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Acordo de manhãzinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Meu quarto cheio de som&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Girando na vitrolinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; O meu sonho de bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Guitarra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sombrero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Sol e som&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Vamos a la playa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Bombom, bombom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vamos a la playa&lt;/span&gt;! E que haja sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais incrível é procurar a letra de "Bombom" na internet e encontrar não somente ela, mas todas as outras. Eu me lembro das sessões de música que havia na minha casa: Balão Mágico, Trem da Alegria... Oh, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vitrolinha. Vitrolinha. Eu tinha uma portátil, cuja tampa - vermelhíssima! - era a caixa de som. Minha prima que vai fazer onze anos, irmã do devorador de picolés, há um tempo tentava me pedir que colocasse um disco na vitrola sem se lembrar do nome daquele estranho objeto. "Aquele treco redondo e preto que toca música." Vitrolinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rachel já falou disso no &lt;a href="http://www.terapiadapalavra.blogspot.com/"&gt;blog dela&lt;/a&gt;. Eu, altamente impressionável, não agüento mais ouvir sobre a emissão de CO2 na atmosfera. Já é a segunda vez que ouço a história das árvores que terei que plantar. Pelo menos não viajo de avião, assim minha dívida fica menor. Já decidi trocar a gasolina pelo álcool, mas estou rodando de carro cada vez mais. Assim acho que não chega a compensar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, falando em plantar árvores... Não dizem que toda pessoa deve ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro...? Se você escreve o livro, destrói a árvore. E o pior é que muita gente por aí destrói árvore totalmente à toa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos existe a internet, e eu posso escrever este monte de baboseiras preservando o meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Chega. Cansei a mim e a qualquer resistente leitor que passeie por aqui. Vou voltar para o texto que o computador me roubou ontem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116967713010505822?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116967713010505822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116967713010505822&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116967713010505822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116967713010505822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/pensamentos-esparsos-e-irrelevantes.html' title='Pensamentos esparsos e irrelevantes'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116967538096277357</id><published>2007-01-24T17:08:00.000-04:00</published><updated>2007-01-24T17:49:41.000-04:00</updated><title type='text'>Boicote</title><content type='html'>Mais uma vez, o computador me sabotou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto quase pronto e booof!! Desliga do nada, e some tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vamos recomeçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116967538096277357?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116967538096277357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116967538096277357&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116967538096277357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116967538096277357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/boicote.html' title='Boicote'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116960806930503800</id><published>2007-01-23T23:07:00.000-04:00</published><updated>2007-01-23T23:59:23.816-04:00</updated><title type='text'>Mural</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/444779/lello.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/909984/lello.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não pretendia citar novamente tão cedo - é que há um certo "método", ou  idiossincrasia de minha parte, que faz com que eu não transcreva textos de autores de que gosto muito sem um intervalo considerável. Isso, na verdade, é uma grande tentação, já que os textos que eu leio acabam sendo um pouco meus, também, e eles vão se fundindo às palavras de minha vida até que quase não haja distinção alguma. Os dois últimos posts, porém, me levam a citar David Mourão-Ferreira, um poeta português que conheci no último ano da faculdade, há uns bons sete anos (Deus, estou ficando velha!), e que me marcou profundamente. Comprei sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obra poética&lt;/span&gt; numa livraria do Porto - foto acima! -, lindíssima: Lello &amp; Irmão (tenho a sacolinha plástica até hoje). Comprei também um volume de sonetos da Florbela Espanca, outra autora querida minha. Boas recordações! Mas, voltando à poesia, cito David Mourão-Ferreira para um possível exercício de intertextualidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;TERNURA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desvio dos teus ombros o lençol,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que é feito de ternura amarrotada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;da frescura que vem depois do sol,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;quando depois do sol não vem mais nada...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olho a roupa no chão: que tempestade!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há restos de ternura pelo meio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;como vultos perdidos na cidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;onde uma tempestade sobreveio...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Começas a vestir-te, lentamente,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e é ternura também que vou vestindo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;para enfrentar lá fora aquela gente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que da nossa ternura anda sorrindo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas ninguém sonha a pressa com que nós&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;a despimos assim que estamos sós!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho bonito. Lembra-me "Samba e amor", do Chico. Lembra-me tantas coisas no tal exercício de intertextualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia ficar transcrevendo David Mourão-Ferreira incansavelmente. Acho belíssimos os poemas. Para aguçar a curiosidade de quem não o conhece, cito mais um:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;ILHA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deitada és uma ilha   E raramente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;surgem ilhas no mar tão alongadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;com tão prometedoras enseadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;um só bosque no meio florescente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;promontórios a pique   e de repente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;na luz de duas gémeas madrugadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;o fulgor das colinas acordadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;o pasmo da planície adolescente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deitada és uma ilha   Que precorro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;descobrindo-lhe as zonas mais sombrias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas nem sabes se grito por socorro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ou se te mostro só que me inebrias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Amiga amor amante amada eu morro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;da vida que me dás todos os dias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonito. De novo. E tanto mais há no livro... Nos livros todos. E poderia ficar citando, citando, citando... Sempre há algo a se descobrir, e a se redescobrir. Como David Mourão-Ferreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116960806930503800?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116960806930503800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116960806930503800&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116960806930503800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116960806930503800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/mural_116960806930503800.html' title='Mural'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116921493976754806</id><published>2007-01-19T09:34:00.000-04:00</published><updated>2007-01-23T22:53:41.683-04:00</updated><title type='text'>Depois do sonho</title><content type='html'>Pego tua mão e coloco entre as minhas. Acaricio teus dedos, respiro o aroma da manhã recém-chegada. Quero-te silencioso e tépido, busco teu sorriso de quem ainda não despertou do sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego tua mão e coloco entre as minhas, e beijo teus cílios calmos e ordenados. Os primeiros pássaros comemoram o sol que se mostra depois da chuva infinita. As cores acordam da letárgica neblina. Murmuras palavras que adivinho há tempos. Concordo, silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego tua mão e coloco entre as minhas. Fecho os olhos e mergulho em nós dois. O sono retorna, contrariando o céu que brilha. Durmo no teu silêncio infantil de festas e cores em sorrisos. Durmo quando o mundo canta lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua mão ainda está entre as minhas quando despertas, chamando-me para o dia atribulado. As pálpebras pesam, mas eu abro os olhos e te encontro, sorrindo quente. Eu abro os olhos e te encontro silencioso e tépido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantamos para a vida e para o mundo: tua mão entre as minhas, a ternura que nos invade. Olho teus olhos castanhos de cílios calmos e ordenados. Silencio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116921493976754806?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116921493976754806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116921493976754806&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116921493976754806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116921493976754806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/depois-do-sonho.html' title='Depois do sonho'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116921332726915127</id><published>2007-01-19T09:22:00.000-04:00</published><updated>2007-01-19T09:30:03.663-04:00</updated><title type='text'>Mural</title><content type='html'>Encontrei! E não precisei procurar muito; o papel estava à minha espera, em uma de minhas gavetas mais bagunçadas. Agora transcrevo o poema que me atormentava e, de quebra, um outro também do Gilberto Mendonça Teles (só não esperem corretas referências bibliográficas):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Reténs nos teus cabelos mil convites&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que a noite amadurece nas violentas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;canções do amanhecer. Ruidosa e triste,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;propagas a unidade em que te ausentas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;consentida de mágoa e seus limites&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;de fogo e permanência. Em vão inventas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;a solidão compacta que te agride&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;no teu poder de súplicas e lendas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E nada te convence de que és grito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;de carne e contingência, puro acerto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ou desacerto, tempo repetido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;no afã de se encontrar ou se perder&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;no desespero e no deslumbramento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;da rosa que se dá, inteira, ao vento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;DISTÂNCIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sei que entre nós paira um silêncio torto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e existe um mar inútil de amargura,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;por onde sigo demandando o porto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;da minha eterna solidão futura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Algas te levo. E flores do meu horto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Teci da aurora o risco da aventura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pus carícia de lã para o conforto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;do amor que te perdeu e te procura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E que, para te achar, circunavega &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;não só o mundo, mas o desespero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;de retinas que o sal do tempo cega.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E que é um som efêmero que a vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;traçou no meu caminho derradeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;como uma sombra nágua refletida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116921332726915127?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116921332726915127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116921332726915127&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116921332726915127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116921332726915127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/mural.html' title='Mural'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116904546975621155</id><published>2007-01-17T10:44:00.000-04:00</published><updated>2007-01-18T01:12:58.996-04:00</updated><title type='text'>Pedaços de memória</title><content type='html'>Dizem que é possível encontrar qualquer coisa na grande rede mundial de computadores. Mentira. Ando procurando feito louca um poema que conheci há cerca de sete anos, no meu último ano da faculdade. Sabe aqueles poemas que a gente acaba decorando, e que vêm do nada à cabeça? Ele andava meio adormecido, mas voltou a me martelar há uns meses. Eu o copiei em algum lugar, mas ainda não encontrei. Ficaram-me os três primeiros versos do soneto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Reténs nos teus cabelos mil convites&lt;br /&gt;que a noite amadurece nas violentas&lt;br /&gt;canções do amanhecer. Ruidosa e triste,&lt;br /&gt;(....)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou eu muito me engano ou é do Gilberto Mendonça Teles. Não sei de que livro. Se alguém tiver notícia, por favor, ajude-me a acabar com essa tortura dos três primeiros versos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116904546975621155?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116904546975621155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116904546975621155&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116904546975621155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116904546975621155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/pedaos-de-memria.html' title='Pedaços de memória'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116904448157469328</id><published>2007-01-17T10:29:00.000-04:00</published><updated>2007-01-17T10:34:41.590-04:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/127801/pds.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/400/751875/pds.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na última sexta-feira o sol se pôs lindamente no meu espelho retrovisor... E não voltou mais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116904448157469328?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116904448157469328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116904448157469328&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116904448157469328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116904448157469328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116849342386712113</id><published>2007-01-11T01:25:00.000-04:00</published><updated>2007-01-11T01:30:23.883-04:00</updated><title type='text'>Um desejo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/405982/DSC05400.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/400/886682/DSC05400.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Só quero um sol que me aqueça e tire de minha pele o frio dos dias cinzentos. Quero água chegando aos meus pés na areia, quero apertar os olhos pequenos ao céu brilhante. Quero sentir-me levada pelas ondas calmas e transparentes, quero me esquecer da vida, perdida entre verdes e azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero o verão, já que é mesmo tempo de verão. Será que é pedir muito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116849342386712113?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116849342386712113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116849342386712113&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116849342386712113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116849342386712113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/um-desejo.html' title='Um desejo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116835400965200941</id><published>2007-01-09T10:42:00.000-04:00</published><updated>2007-01-09T10:55:07.906-04:00</updated><title type='text'>Sensorial</title><content type='html'>Suspiro o luar tardio da noite de verão.&lt;br /&gt;Pesam-me os olhos, mas meu peito não silencia.&lt;br /&gt;Há um perfume antigo nos meus cabelos.&lt;br /&gt;Sorrio para os livros na estante.&lt;br /&gt;Deslizo meu olhar fugidio sobre as fotos coloridas e felizes.&lt;br /&gt;Toco palavras escritas já há tanto tempo.&lt;br /&gt;No rádio, a mesma canção das madrugadas anônimas.&lt;br /&gt;Corre entre as pedras a água do temporal.&lt;br /&gt;Tudo o que é humano silencia, mas eu vigio e guardo, calada.&lt;br /&gt;Tudo o que é humano parece estranho à madrugada.&lt;br /&gt;Procuro nas horas que virão o calor dos momentos sem palavras,&lt;br /&gt;dos momentos como agora:&lt;br /&gt;em que tudo é vã tentativa&lt;br /&gt;de fazer sentido&lt;br /&gt;quando só o que nos resta&lt;br /&gt;é sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116835400965200941?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116835400965200941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116835400965200941&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116835400965200941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116835400965200941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/sensorial.html' title='Sensorial'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116822411138240896</id><published>2007-01-07T22:33:00.000-04:00</published><updated>2007-01-07T22:41:51.406-04:00</updated><title type='text'>The more you know the less you feel</title><content type='html'>Voltar aos primeiros tempos da infância. Voltar ao sensitivo, ao sensorial. Pra que pensar? Tão bom sentir... É pelos sentidos que eu sou. É pelos sentidos que eu tento ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, é pelos sentidos que eu caminho certo, porque é nas sensações que eu me encontro. O mundo é tão grande, tão vasto - já dizia Drummond, em incontáveis poemas -, que a mim só resta sentir o luar esfarrapado entre nuvens de hoje à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sentir me enche o peito de um calor vago e impreciso. É quando eu tenho a nítida consciência de que há muito mais além de mim. É quando eu extrapolo, é quando eu me sou outras. É como se eu transbordasse de mim mesma, derramando-me pela estrada que brilha ao farol alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto. E é só o que sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116822411138240896?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116822411138240896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116822411138240896&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116822411138240896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116822411138240896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/more-you-know-less-you-feel.html' title='The more you know the less you feel'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116801141453410216</id><published>2007-01-05T11:36:00.000-04:00</published><updated>2007-01-05T11:36:54.550-04:00</updated><title type='text'>Definição</title><content type='html'>Tento arrancar de mim as palavras. Mas isso dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes só sinto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116801141453410216?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116801141453410216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116801141453410216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116801141453410216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116801141453410216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/definio.html' title='Definição'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116801126962031597</id><published>2007-01-05T11:26:00.000-04:00</published><updated>2007-01-05T20:00:52.566-04:00</updated><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>Foi um dia intenso. Apesar disso, o que dele ficou? Impressões, talvez. Arco-íris desmaiado no céu de nuvens. Vento incessante. Uma música que me deu taquicardia - ou um calor inesperado dentro do peito. Eu chorei. Eu ri. Pensei no futuro. Senti perfumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o primeiro dia de 2007 em que o sol apareceu, e só depois das seis da tarde. As árvores se coloriram e ganharam o verde já esquecido por todos. Privei-me dos óculos escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abracei e beijei quem não conhecia, sem medo algum. Chorei por ser tão nada num mundo em que já me fascinam, tão baixas, as minhas montanhas: meu mundo, meu limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há a tristeza das bocas sem dentes que choram pelos filhos sozinhos. Há a barriga que é carga: peso, despesa pra quem não pode. Há a anunciação de mais uma menina que chegará ao mundo. Há a música que toca alto no rádio do carro. Há o raio inesperado do sol, há o céu que surpreendentemente se revela entre as nuvens baixas em azul brilhante. Há um arco-íris que foge atrás da torre da catedral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o choro. De tristeza? De alegria? Desespero, realização? Há o choro. Há a vida. Há o choro de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116801126962031597?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116801126962031597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116801126962031597&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116801126962031597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116801126962031597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2007/01/despertar.html' title='Despertar'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116754561933852896</id><published>2006-12-31T02:02:00.000-04:00</published><updated>2006-12-31T02:16:05.433-04:00</updated><title type='text'>Aos pés de 2007</title><content type='html'>Não queria escrever este post. Ou queria escrever algo diferente - muito embora não saiba exatamente o que vai sair a partir de agora (na grande maioria das vezes, começo um texto sem saber o que vai ser dele, sem saber como acabará, e este não é exceção). Queria fugir a todos os lugares-comuns que se fazem nestes momentos. Desejos, planos, promessas, um blá blá blá infinito de palavras vazias que não farão o menor sentido à chegada da primeira segunda-feira (útil, é bom dizer:  dia oito de janeiro). Ou antes. Afinal, desejos, planos e promessas não nos levam a lugar nenhum, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chamo isso de pessimismo, mas também não sei do que posso chamar. Sinto algo que não é muito especial na virada de um ano. Ou, talvez, não sinta. E toda a minha negativa anterior resume-se à idéia de que o planejamento simplesmente não existe, e que a vida acontece agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se planejo emagrecer? Planejo guardar dinheiro, pintar os cabelos, voltar pro francês, comprar vários DVD´s, conhecer pessoas novas, aprender a fotografar, jogar fora papéis velhos, ser mais calma no trânsito? Não será agora que isso se definirá. Não será nenhum espírito de fim de ano que me levará a qualquer dessas coisas no ano que chega empurrando tudo, sem pedir licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, somos, de certa maneira, atemporais. Não nos medem os dias, não nos definem as semanas: a vida se constrói ao longo. A vida se constrói ao largo dos desejos, planos e promessas. A vida, ela mesma se constrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou comemorar, eu sei. Música, fogos e bebidas. Taças e corpos se tocando. Desejos, planos e promessas. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos pés de 2007, sinto que nada mudou. Nada mudará? Não se sabe. Estamos aí, à mercê de não se sabe o quê. Estamos aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acabei sem fugir aos lugares-comuns.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116754561933852896?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116754561933852896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116754561933852896&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116754561933852896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116754561933852896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/aos-ps-de-2007.html' title='Aos pés de 2007'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116728769884643764</id><published>2006-12-28T02:34:00.000-04:00</published><updated>2006-12-28T02:36:14.366-04:00</updated><title type='text'>Só porque gostei desta foto...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/97598/975987.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/400/895195/975987.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(E porque é minha!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Sim, admito que ela está um pouco tremida. Mas gostei, ainda assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116728769884643764?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116728769884643764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116728769884643764&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728769884643764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728769884643764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/s-porque-gostei-desta-foto.html' title='Só porque gostei desta foto...'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116728724640026402</id><published>2006-12-28T02:17:00.000-04:00</published><updated>2006-12-28T02:29:16.546-04:00</updated><title type='text'>Da brandura da tempestade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/608317/tempestade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/400/191055/tempestade.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ontem fiquei à espera da tempestade que se anunciou no começo da tarde. O delicioso tédio dos dias entre o Natal e o Ano Novo encheu-me o peito, e a sensação só aumentou à medida que chegavam as nuvens escuras e carregadas. Eu via a transformação, como elas se moldavam, como elas se mudavam, se fundiam, como seus limites se esvaíam em chuva ao longe. A cortina dos pingos distantes formando listras verticais atrás das montanhas que sumiam de uma hora para a outra. Chuva pesada - chegou-me o cheiro às narinas. O vento se intensificava, e os raios começaram a cair. Eu ouvia as trovoadas, deliciando-me com toda aquela violência que chegava com as lufadas frescas e perfumadas de terra molhada. O céu pesava sobre a terra, e eu esperava ansiosa o romper dos traços que separavam a água do chão. Primeiro, o cheiro; logo chegou o barulho, sem que visse pingo algum. Começou a chover, enfim: gotas grossas, espaçadas e barulhentas que dançavam nas telhas e flores. Apertava a chuva, expandia-se o peito: respirava largo o ar leve, fresco e perfumado de tarde de verão. A tempestade lá fora se fez branda calmaria dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116728724640026402?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116728724640026402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116728724640026402&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728724640026402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728724640026402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/da-brandura-da-tempestade.html' title='Da brandura da tempestade'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116728646062929152</id><published>2006-12-28T02:01:00.000-04:00</published><updated>2006-12-28T02:14:20.646-04:00</updated><title type='text'>Outro post natalino</title><content type='html'>Pra dar uma certa continuidade, caso haja algum leitor querendo saber como foi meu Natal, já que toquei no assunto anteriormente: meu priminho de quase dois anos adorou o cavalinho-de-pau que dei para ele, e ficou aceso até mais de uma hora da manhã. Não houve Papai Noel para estragar sua alegria, e ele pôde gastar sua infinita energia com gritos de alegria pela noite inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que Papai Noel não me achou muito boa menina durante o ano: dia 24 perdi um brinco que adorava, estraguei o salto da sandália que o namorado deu na mesma data, e no dia 25 meu carro apareceu com um arranhão no pára-choque - algum ruim-de-roda (que eu julgo ser do sexo masculino, apesar dos homens dizerem que são as mulheres que dirigem mal) não conseguiu sair da vaga sem arrastar o que estava ao lado dele. Obviamente, não xinguei o sujeito - sim, sexo masculino - somente de ruim-de-roda, mas vou manter algum decoro neste texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não xinguei somente o ruim-de-roda. Xinguei o Papai Noel, que parecia estar de sacanagem com a minha cara. Devo informar que também havia alterações hormonais nesses dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que deu certo xingar Santa Claus? Ao menos achei o brinco que havia perdido. A sandália botei pra consertar, embora vá me levar um mês pra voltar. O carro vou ter que consertar. Mas veio uma surpresa boa pra dar uma equilibrada, ou mais que isso, no saldo natalino: pela primeira vez na vida, fui sorteada numa promoção e ganhei um premiozinho que não é nenhuma maravilha, mas dá pra fazer uma alegriazinha consumista. Ganhei um vale-compras de quinhentos reais pra torrar num shopping da cidade. Legal, não? (Aí Papai Noel foi gente boa!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi bom encontrar a família, essas coisas. Foi bom comer bolo inglês, que minha mãe só faz no Natal e no Ano Novo. Foi bom sentir cheiro diferente no ar, ver outras luzes, rir outros risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento apenas a passagem de tempo - sim, inexorável - que faz com que o Natal não seja mais o que era antes. Ou mudei eu? Este ano o Natal chegou correndo tanto que mal tive tempo de me preparar, mal tive tempo de degustar os dias que o antecedem, mal tive tempo de ver a decoração natalina se expandindo a cada dia. O Natal chegou e se foi como um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim será também o dia 31, a virada do ano. Susto, sempre. E susto maior quando perceber, e não vai demorar muito, que já se passaram meses e meses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se é assim a vida, fazer o quê? Pelo menos tenho o vale-compras para torrar e fazer uma alegriazinha consumista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, quanto materialismo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116728646062929152?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116728646062929152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116728646062929152&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728646062929152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728646062929152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/outro-post-natalino.html' title='Outro post natalino'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116728497692792743</id><published>2006-12-28T01:47:00.000-04:00</published><updated>2006-12-28T01:49:36.946-04:00</updated><title type='text'>Confidência do petropolitano</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;Por toda a minha vida morei em Petrópolis. Principalmente, nasci em Petrópolis. Vá lá, talvez Petrópolis não seja um nome tão sonoro quanto Itabira. Talvez carregue mais “pompa e circunstância”, diriam os saudosos do passado dourado escondido atrás das paredes descascadas dos prédios históricos – embora não se saiba exatamente onde se encontram as tais pompa e circunstância atualmente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Caminho pelas ruas da cidade: vejo meus conterrâneos, olho-me ao espelho. Petrópolis é um entre-lugar, um meio-termo: inveja-se a irreverência do carioca, simula-se o distanciamento do europeu. Ambas as tentativas são frustradas. Por isso, orgulhamo-nos das temperaturas baixas no inverno: provamos que fugimos ao estereótipo de Brasil tropical, do calor que nunca cessa. Por isso, orgulhamo-nos das temperaturas altas no verão: provamos que também temos um pouco de Rio-quarenta-graus que é propagado nos quatro cantos do mundo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;E há o ruço, e há a chuva incessante: há a neblina constante que embaça as retinas fatigadas ou não. Isso porque estamos à beira do abismo, alto da montanha – abaixo, o mar. Riram de mim quando disse que não gostaria de deixar a cidade, que não gostaria de morar distante da praia. Apesar da altitude, avista-se a baía das bordas recortadas a que recorremos quando queremos ver o pôr-do-sol, de fato (aqui o sol sempre some antes que o céu mude de cor). Estamos no meio do caminho entre o mar e as minas. Sim, as Gerais. Somos as primeiras montanhas que se avistam da entrada do Rio que não é rio.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Talvez o que mais defina Petrópolis seja o meio-termo. E como os petropolitanos se ressentem desse aparente equilíbrio! Tudo o que qualquer jovem nascido por aqui quer é estudar no Rio. A cidade, que não é tão pequena, parece vila antiquada pelos que clamam pela brisa do mar carioca. No entanto, há um velado sentimento de superioridade em relação a cidades vizinhas menos populosas e desenvolvidas. Por isso, mesmo uma notícia desagradável no jornal pode ser repetida com algum sabor nos salões e bares da cidade: a cidade não é mais a mesma, a cidade está crescendo, temos também alguma violência. Não somos tão interioranos como presume a metrópole.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Afinal, nossa terra foi escolhida: por aqui passou o Imperador, que se encantou com o clima, com o lugar, com as montanhas e suas sombras. Aqui o filho do Imperador construiu sua residência de veraneio, e aqui passou muitas longas temporadas. Aqui os turistas passeiam em vitórias, sentem-se no século passado, muito embora os cavalos maltratados disputem o espaço das ruas estreitas com os carros modernos e barulhentos de buzinas incessantes. Os pássaros cantam suspensos no emaranhado dos fios de incontáveis postes. A poeira das ruas movimentadas embaça os vidros das janelas imperiais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Há algum ranço de monarquia por aqui. Conversas em que se reverencia a família real. Orleans e Bragança: havia um príncipe que passeava a cavalo em seus domínios republicanos. Lenda? Há quase um sentimento messiânico de que um rei poderia mudar o país e, principalmente, a cidade. Ao menos não se fala de Dom Sebastião por aqui, mas sonha-se com esse passado de luxo em que Petrópolis era talvez o lugar mais badalado do Brasil.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Ah, e o passado... O quanto Bandeira não escreveu por aqui? E Tom Jobim, e Vinicius? E “Águas de março”, que diz-se que também nasceu entre estas montanhas? O quanto não carregamos... No momento, o orgulho vem principalmente de banda adolescente e de dupla de humor negro que aparecem na MTV. Saudades da década de 50, mesmo sem tê-la vivido... Estamos na mídia, estamos na novela das oito. Mas essa Petrópolis não existe, ou existe só para turista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;É assim em qualquer lugar, todos dirão. Só os turistas conhecem esses lados positivos dos lugares. Por isso caminho, muitas vezes, ávida desse sentimento de novidade que quem visita outras paragens estampa nos olhos. Por isso faço percursos diferentes, por isso aguço o olhar, o olfato. Por isso observo essas pessoas que vêm e vão agitadas ou que permanecem nos bancos das praças vendo a cidade se metamorfosear, tal como Pedro II ao centro de sua praça. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;De resto, reclamo das obras, reclamo do trânsito, do barulho, da decadência crescente que toma a cidade a olhos vistos. Com elegância? Talvez. Talvez carreguemos, nós, petropolitanos, algum ar &lt;i&gt;blasé&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; quase monárquico. Talvez carreguemos o suposto requinte de europeus: os colonos alemães que povoaram a cidade, artesãos, agricultores nada sofisticados que nos legaram olhos claros. Tentativa frustrada de Europa nos trópicos, tentativa frustrada de litoraneidade na montanha. Nós, o meio-termo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: left;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Caminho pelas ruas da cidade: vejo meus conterrâneos, olho-me ao espelho. Observo as mudanças gradativas que transformam os lugares e as gentes. Observo minhas próprias mudanças, vejo minha gradual aproximação do quente Rio de Janeiro – amplia-se o sentimento do mundo, que é grande, que é vasto, que é maior que a cidade à beira-mar. Que é maior que meu coração. Nele cabem também outros lugares que também me compõem. Mas o que há de imutável em mim, em nós, na cidade, permanece conosco: nascer em Petrópolis determina uma vida inteira. Assim como nascer em qualquer outro lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116728497692792743?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116728497692792743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116728497692792743&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728497692792743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116728497692792743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/confidncia-do-petropolitano.html' title='Confidência do petropolitano'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116692554098021599</id><published>2006-12-23T21:38:00.000-04:00</published><updated>2006-12-23T21:59:59.186-04:00</updated><title type='text'>Um post natalino</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/725372/mamaenoel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/6662/mamaenoel.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Antevéspera de Natal: precisamos de alguma referência à data, não? Pois bem; vamos a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã considerou hoje, muito propriamente, que a vida profissional de um Papai Noel é muito semelhante à de uma garota de programa, ao menos em nossas lembranças de infância (as lembranças de infância, é bom dizer, são do Papai Noel!). Explico-me: na noite de 24 de dezembro, havia alguns Papais Noéis (perdão pelo plural feioso) vagando pelas ruas do bairro, à espera de qualquer carro que parasse e perguntasse se ele estava livre para visitar alguma casa. Claro, combinavam-se preço e tempo, dois fatores interligados. E pelas ruas andavam vários homens vestidos de vermelho, de gorro na cabeça, suando debaixo das roupas invariavelmente surradas. Como não era nenhuma super-produção, nenhum deles usava enchimento para ficar mais fofinho, como um bom Papai Noel. O que acontecia é que muitos deles já traziam a barriga acoplada, muitas vezes a conhecidíssima barriga de chopp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz minha irmã, também, que ela se lembra vagamente de uma ocasião em que foi contratado um Papai Noel que chegou bêbado à casa de nossa avó, onde acontece, até hoje, a distribuição de presentes. Não me lembro de tal incidente, mas não duvido, em absoluto - consigo imaginar a cena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, eu já quase trintona, tenho apenas dois primos pequenos que passarão pela experiência da espera do presente de Natal. Na verdade, um apenas - o mais novo tem só oito meses, nem dará pela situação. O mais velho, de um ano e quase onze meses, morre de medo do Papai Noel: se vê qualquer imagem dele, solta um "ho ho ho", e emenda, imediatamente, um "ai ai ai", com uma cara de desespero... Ao menos não fizemos com ele a tortura da colherzinha no copo, por que já passaram vários primos mais novos. Havia bagunça? Blasfemava-se contra Santa Claus? Imediatamente se simulava o sininho do Papai Noel que o moleque ajoelhava debaixo da mesa e prometia nunca mais pronunciar palavra alguma que pusesse em dúvida a reputação de tão amável velhinho. Nunca mais ele o chamaria por todos os nomes de cachorros existentes nas redondezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se meu tio contratará um Papai Noel de programa amanhã. Acho que não, ou o pobre do meu primo ficará sem cordas vocais de tanto gritar de pavor. Há muito tempo, na verdade, não vejo um Papai Noel recebendo real atenção de crianças. Passei ontem por um, em um shopping da cidade, que estava sentado em sua poltrona, entediado, balançando o sininho impacientemente, enquanto as crianças olhavam as vitrines e nem davam pelo amado e temido velhinho enfiado naquela roupa escaldante. Ele mesmo já chupava as balas que deveria distribuir às crianças - quando muito, dividia-as com as cabeleireiras que desciam do salão de beleza do segundo andar para fumar. Aí, sim, Papai Noel se animava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero, portanto, pela noite de amanhã, em que se distribuirão os presentes e verei se meu priminho vai gostar mais dos brinquedos que vai ganhar ou se do papel que os embala... Acho que já sei qual é a alternativa correta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Sugiro, a todos, que assistam ao filme "Papai Noel às avessas". Mais politicamente incorreto, impossível!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116692554098021599?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116692554098021599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116692554098021599&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116692554098021599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116692554098021599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/um-post-natalino.html' title='Um post natalino'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116668033579269089</id><published>2006-12-21T00:50:00.000-04:00</published><updated>2006-12-31T02:26:42.626-04:00</updated><title type='text'>História qualquer</title><content type='html'>João Inocêncio da Silva tinha vinte e oito anos, era alto, mulato, de olhos calmos, e corcunda. Principalmente corcunda. Desde que se entendia por gente, o que mais entendia era o chão: a cabeça pesando para baixo, as costas como dura parede. O chão, sempre - o eterno conhecido. Taciturno era João Inocêncio - não havia outra forma de ser. As pessoas sempre vistas de outro ângulo, nunca um cara-a-cara. E poucos sabiam a cara de João. No colégio, não sabiam se era concentrado nos deveres ou se distraído nas explicações: sempre com os olhos voltados no caderno. Estudou até a oitava série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Inocêncio da Silva, 28 anos, 1,87 m, pardo, olhos negros, com acentuada cifose, empregou-se numa lanchonete localizada no subúrbio do Rio. São grandes e distantes os subúrbios do Rio, fragmentados como sonhos ao amanhecer: do subúrbio onde morava ao subúrbio onde trabalhava, levava longas duas horas em dois ônibus lotados. Sempre de olhos calmos, o mulato olhava para o chão, a cabeça pendendo. O tempo se arrastando, engarrafado, a lanchonete colorida que parecia nunca chegar. Mas chegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às duas da tarde, estava João Inocêncio alinhado em seu uniforme de camisa xadrez e calça social, boné direito na cabeça enviesada, olhos no chão, procurando o que limpar. Materiais de limpeza sempre a postos, sempre muito trabalho a fazer: grande era a sujeira deixada pelos clientes barulhentos que tinham pés, mas não tinham rosto. As mesas limpas, o chão lavado. A cabeça pesando, mostrando a direção do chão. A menina correu e derramou o suco todo; os adolescentes mal-educados fizeram guerra de batata frita de uma mesa para outra - e lá ia ele, calmo, taciturno, limpar a sujeira deixada pelos clientes. Sempre um brinco a lanchonete. Incansável, ele esfregava o pano úmido deixando imaculado aquele chão quase imundo. Não tinha amigos, mas cumpria com capricho o seu papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às onze da noite, João Inocêncio esperava o ônibus de volta para casa. Quando saía, o trânsito era leve, e o tempo de viagem era reduzido à metade. Já sem o uniforme, ele mostrava o cansaço acumulado: a camisa de malha surrada moldava-se às costas que pendiam ainda mais, o peso das horas esmagando-o contra si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi numa noite de dezembro que João Inocêncio olhou para a moça que estava sentada no outro lado do ônibus sonolento. Sandálias de saltos largos, pernas fortes, saia desfiada à metade da coxa, blusa rosa gritando na luz débil, pulseiras coloridas de cristal, unhas longas de um marrom salpicado de estrelinhas, argolas nas orelhas que prometiam perfume vindo da nuca revelada pelo coque improvisado com um lápis, cabelos tingidos de rubro castanho. Escutava qualquer música num aparelhinho e tinha os olhos instavelmente abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele levantou a cabeça, tentou inflar o peito. Doeu. Àquela hora da noite, cansaço acumulado de um ano inteiro, era difícil não olhar para o chão. No entanto, aquela moça o obrigava a endireitar-se, e ele sentiu a tortura do aparelho ortopédico que a mãe, um dia, havia insistido para que ele usasse. Ele a havia decepcionado. Choravam em silêncio, a incompreensão de que ele não queria deixar de olhar para o chão. Ele já estava acostumado a encarar os pés das pessoas, quando muito, a cintura, e o aparelho era um castigo duplo. Um peso que seus olhos não poderiam suportar. Silencioso, abandonou o tratamento. A mãe abandonou a causa. Silencioso, sempre, João Inocêncio cresceu muito e olhava cada vez mais para o chão. Mas a menina do outro lado do ônibus o puxava, o endireitava, o alinhava. Coluna reta, noventa graus. Esforço, dor, suspiro mudo. Olhou para o lado com os olhos sofridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina nem deu por si. Àquela hora da noite, carregando o peso de uma semana inteira de trabalho, semana que antecedia o Natal, clientes barulhentos, exigentes e mesquinhos, ela estava exaurida. A música que tocava a embalava. Mas pôde ver que se aproximava o lugar em que  saltaria, e começou a se aprumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o momento. Desperta, agora, João Inocêncio tinha chances de ser visto. Olhava-a, timidamente ostensivo, tentando disfarçar a dor no peito, nas costas, na nuca. A camisa de malha surrada parecia outra - simulação de força que emanava dos ombros que alargava. Respiração ritmada, mas rápida, olhos fixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou-se rápida, puxou a corda, deixou cair uma revista que carregava consigo. Caiu aos pés de João Inocêncio. Imediatamente, ela foi em sua direção, buscando o que perdera. Imediatamente, ele curvou-se para apanhar o objeto - a chance de que precisava. Seus olhares se cruzariam, certamente. Suas mãos possivelmente se tocariam. Ela sorriria e mostraria os dentes tortos e brancos. Ele diria timidamente seu nome, e ela lhe daria seu telefone para que eles marcassem um encontro futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele curvou-se para apanhar a revista - e efetivamente o fez. No momento em que se erguia, porém, o aparelho ortopédico da infância pesou-lhe, envergou, oprimiu. Tentou. Virou-se para o lado. A cintura da moça - fina, a blusa rosa que não chegava até o cós da saia, pedaço de barriga que sugeria um piercing no umbigo. Um cheiro doce e forte. Pêlos grossos e dourados na coxa direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela percebeu o problema de João Inocêncio, e abaixou-se para pegar a revista. Pegou. Os dedos roçaram seu braço, e ela agradeceu, pedindo desculpas. Uma palavra incompreensível pronunciada, frustradamente. Ela olhou para ele, buscou seus olhos, mas ele continuava olhando para o chão. Imóvel. Taciturno. Dolorosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Inocêncio conseguiu olhar pela janela quando a moça saltava na calçada deserta. Ela não acompanhou o ônibus, não o buscou através da vidraça suja de poeira e fuligem de ruas. Ele a acompanhou o quanto pôde, o quanto seu pescoço permitiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte minutos depois, João Inocêncio saltou do ônibus. Caminhou pela calçada conhecida, encontrou os mesmos buracos nos caminhos. O chão, sempre. A casa de luzes refletidas no piso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Inocêncio da Silva, 28 anos, 1,87 m, pardo, olhos negros, com acentuada cifose, deitou-se e sonhou com a moça de cabelos rubros em coque perfumado. Música alta no sonho. Revistas chovendo de um céu lá no alto. Lá no alto, ele olhava. E voltava os olhos para o céu, e via o céu azul e os olhos verdes-azuis-castanhos da moça com quem não falara. Ela era linda no sonho - ainda mais bonita que a lembrança da noite. Deixava de ser corcunda naquela madrugada, e adquiria uma firmeza desconhecida em sua voz. Ela cedia ao seu olhar e caminhava com ele, mãos dadas, cabeças aprumadas, encarando tudo o que aparecia à frente. No sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Inocêncio acordou às oito da manhã, tomou o café fraco deixado pela mãe que fora trabalhar, e começou a limpeza da casa pequena e empoeirada. Às onze, começava a arrumar-se para o trabalho. Esperava rever a moça na volta para casa - preparou-se com o perfume do irmão mais novo. Mais tarde, limpou o mesmo chão dezenas de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a moça não apareceu aquela noite, nem na noite seguinte, nem em noite alguma. João Inocêncio sonhava com aquela cintura, com o toque dos dedos em seu braço, com os pêlos dourados da coxa direita. Nunca mais a viu. Olhava, sim, cada vez para o chão, e ele se aproximava com o peso dos meses. No chão ele se reconhecia. No chão ele a encontrava, e ouvia o pedido de desculpas que ele não conseguira responder. Havia muito a ser limpo, ainda, o chão já conhecido. Era o seu mundo: não deveria ter tentado sair dele. O chão. Haveria muito a ser limpo pelos anos seguintes e taciturnos. E só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116668033579269089?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116668033579269089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116668033579269089&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116668033579269089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116668033579269089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/histria-qualquer.html' title='História qualquer'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116667659130427736</id><published>2006-12-21T00:49:00.000-04:00</published><updated>2006-12-21T00:49:59.913-04:00</updated><title type='text'>Eis que surge</title><content type='html'>As pratas, os tesouros,&lt;br /&gt;Os vindouros cheiros de mar,&lt;br /&gt;Gosto de água na boca,&lt;br /&gt;Invernos que hão de chegar -&lt;br /&gt;Ou que já passaram,&lt;br /&gt;Em sua própria neblina esquecidos.&lt;br /&gt;Tudo se encontra no texto&lt;br /&gt;Que teço, que sinto, que sonho,&lt;br /&gt;Que existe sem acontecer.&lt;br /&gt;Tacitamente aceito&lt;br /&gt;Caminhos que me convêm,&lt;br /&gt;Criados agora ou ontem,&lt;br /&gt;Trilhas que ora se mostram,&lt;br /&gt;Ora se apagam, sem prévio aviso.&lt;br /&gt;Apenas flutuo - ou afundo,&lt;br /&gt;Nas luzes que o escuro destaca,&lt;br /&gt;Sentindo o cheiro de grama&lt;br /&gt;Que penetra as cortinas fechadas.&lt;br /&gt;E as noites de sons inaudíveis&lt;br /&gt;Repletas de plenas palavras&lt;br /&gt;Que existem sem acontecer&lt;br /&gt;Povoam o duro silêncio&lt;br /&gt;Do poema que há de nascer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116667659130427736?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116667659130427736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116667659130427736&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116667659130427736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116667659130427736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/eis-que-surge_21.html' title='Eis que surge'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116601457277158446</id><published>2006-12-13T08:53:00.000-04:00</published><updated>2006-12-13T08:56:12.793-04:00</updated><title type='text'>Dizendo</title><content type='html'>As palavras&lt;br /&gt;Escorrem de minhas mãos&lt;br /&gt;Escorregam pelos meus dedos&lt;br /&gt;Deixando-me apenas a vaga impressão&lt;br /&gt;De água fria em pele morna&lt;br /&gt;Caindo&lt;br /&gt;Pingando&lt;br /&gt;Juntando-se&lt;br /&gt;Unindo-se ao caudaloso rio&lt;br /&gt;Em que já não há mais um só sentido&lt;br /&gt;E correm todas as idéias&lt;br /&gt;Profusas, arrebatadoras,&lt;br /&gt;Em direção ao pleno abismo&lt;br /&gt;Em que elas, tácteis,&lt;br /&gt;Chovem em realidade, inapreensíveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116601457277158446?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116601457277158446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116601457277158446&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116601457277158446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116601457277158446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/dizendo.html' title='Dizendo'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116581547010427431</id><published>2006-12-11T01:30:00.000-04:00</published><updated>2007-01-09T10:58:15.483-04:00</updated><title type='text'>Chamado</title><content type='html'>Eu te chamo em teus sonhos&lt;br /&gt;Porque a noite, silenciosa e triste,&lt;br /&gt;Oprime meu peito que se cala&lt;br /&gt;Em bocejo seco e solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te chamo em meus sonhos&lt;br /&gt;Porque sei que é pouco&lt;br /&gt;O tempo em que falas comigo&lt;br /&gt;Que o dia seguinte será difícil&lt;br /&gt;Enquanto acaricias meus dedos finos&lt;br /&gt;Com um suspiro cansado.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/681037/941553.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/610863/941553.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu me chamo em teus sonhos&lt;br /&gt;Porque lá eu me encontro,&lt;br /&gt;Me percebo, me mostro&lt;br /&gt;A ti e a mim mesma, silêncio e festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dos sonhos e sonos&lt;br /&gt;Separados e unidos&lt;br /&gt;Vivemos, nós dois,&lt;br /&gt;Esperando que nos desperte&lt;br /&gt;O oportuno amanhecer&lt;br /&gt;Chamando-nos para a vida&lt;br /&gt;E para a pele um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Fotografia de &lt;a href="http://www.olhares.com/utilizadores/detalhes.php?id=21114"&gt;José Santarém&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116581547010427431?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116581547010427431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116581547010427431&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116581547010427431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116581547010427431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/chamado.html' title='Chamado'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116580993947400528</id><published>2006-12-10T23:48:00.000-04:00</published><updated>2006-12-12T00:00:08.966-04:00</updated><title type='text'>Zona de convergência do Atlântico Sul</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/214303/brasilsite10.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/972771/brasilsite10.png" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Só faz chover nesta minha terra. É quase metade de dezembro - quase verão! -, e eu de casaco no domingo. A neblina que não se cansa de baixar sobre meus cabelos, o branco que penetra os cômodos e os pulmões. Silêncio. Onde estão os cheiros do Natal, as cores do verão? Teremos um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;White Christmas&lt;/span&gt;. Se não há neve, há garoa. Branco. Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a tal zona de convergência do Atlântico Sul. Há poucos anos as explicações para o mau tempo em Petrópolis se baseavam nas freqüentes frentes frias - que, certamente, vinham de São Paulo sem escala no Rio, parando aqui na serra. Agora vem essa tal zona. Nem se ouve mais falar em El Niño. Só há essa tal zona. Tudo convergindo sobre nossas cabeças e, sobretudo, sobre as cabeças dos petropolitanos, sobretudo os que moram à beira da serra, como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu pude tocar as nuvens, rompê-las, receosa. Dirigia à noite, em uma das mais terríveis cerrações de minha vida. Pouco se via - eu tateava ao volante. Culpa de quê? Da zona de convergência do Atlântico Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há crise econômica, se há problemas na política... Pouco me importa. O que eu não agüento mais é essa tal zona de convergência do Atlântico Sul, que faz tudo ficar branco, quieto - "silencioso e branco como a bruma", não pude deixar de lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero o calor, quero o sol, novamente. Quero vontade de sorvete às três da tarde. Quero barulho de ventilador, quero ar condicionado indispensável ao pôr-do-sol distante. Quero guardar os cobertores no armário, definitivamente, até março ou abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Niño era mais simpático. Além dessa zona ter nome comprido, não é personificada - e nem tem nome em espanhol, para que possamos associar, imediatamente, aos argentinos que sopram pra cá o ar polar. Ninguém agüenta mais. Não se concebe um dezembro, no Brasil, branco como este. Ainda que seja em Petrópolis.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E as férias que ainda não chegaram - e parece que não chegarão. Quero praia em janeiro. Quero cheiro de protetor solar. Quero cabelos ressecados ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para isso, é preciso que haja alguma divergência... Não sei do quê, exatamente, mas que nada mais convirja para cá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116580993947400528?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116580993947400528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116580993947400528&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116580993947400528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116580993947400528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/zona-de-convergncia-do-atlntico-sul.html' title='Zona de convergência do Atlântico Sul'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116580843314333568</id><published>2006-12-10T22:56:00.000-04:00</published><updated>2006-12-11T23:55:54.976-04:00</updated><title type='text'>Solilóquio</title><content type='html'>É que eu sempre me imaginei como escritora. Talvez não sempre, é verdade. Já me sonhei cantora - e o pior é que acreditava nisso! -, já me pensei professora de Educação Física, aos dez ou onze anos, quando gostava muito de fazer ginástica aeróbica. Quem me conhece sabe o quanto isso é diferente do que eu sou hoje em dia - não tão diferente, talvez, do que eu já tenha sido. Nunca me pensei desenhista, seria pretensão demais e, embora sonhadora, eu tinha algum senso crítico. O fato é que, com as palavras, sempre me relacionei de forma diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, desde cedo, me imagino como escritora. Não tinha dez anos quando escrevia peças de teatros que eram encenadas por meus primos. Fiz um volume de "Historinhas e versinhos", letra caprichada, decorando as páginas com os desenhos mais elaborados que era capaz de fazer - corações, flores de cinco pétalas. E meus pais, alimentando meus delírios, diziam que, se meu avô ainda fosse vivo, eu teria chances de publicar esse meu "livro" (ele trabalhava na Editora Vozes, e já havia traduzido uma Bíblia do alemão para o português). A quem interessar possa, eu perdi esse volume, filho único de mãe solteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhei alguns concursos durante os meus anos de colégio, ou, ao menos, fiquei classificada, recebendo alguma menção, tendo algum destaque qualquer. Prosa, poesia - redação, de uma maneira bem geral. E também na faculdade. Ganhei um prêmio literário que me rendeu umas verdinhas e uma viagem a Portugal. Não foi coisa pequena, não - o júri foi composto por Nélida Piñon e Josué Montelo, e o embaixador português, na ocasião. Por anos - e até hoje em dia, mesmo -, fui conhecida como "a que ganhou o prêmio e foi pra Portugal". Ganhei alguma notoriedade na cidade e um cartão da diretora da Editora Bertrand. "Quando tiver alguma coisa, me procure." Está guardado no fundo de uma gaveta. Ganhei alguma notoriedade, ainda que às custas de um texto que, atualmente, acho de mediano pra baixo. Bem o disse Paulo Autran, antipaticamente, que o leu na ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho com a palavra. Fiz Letras, estudo Letras, ensino Letras. A palavra é minha vida. A literatura é minha vida, ainda que enviesadamente. A angústia das palavras que já foram ditas, escritas, repetidas, estudadas, exauridas - tudo já foi escrito. Tudo já foi pensado. Os livros são vidas que posso viver. Não, não vou ficar aqui falando das várias experiências possíveis na leitura, do efeito catártico... Não vou. Mas os livros que leio e que estudo são vidas, sim. São vidas que existem paralelamente, é sangue pulsando em cada palavra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e as minhas palavras? Poucas, repetidas, quando não vazias. Tanta gente que já me falou que eu deveria investir, que deveria tentar, que deveria me dedicar. Mas e quando o texto não vem, e quando vem ruim, e quando a gente vai direto pro fracasso? Os vários concursos que ganhei não são prova de nada, em absoluto. A prova está aqui, eu comigo mesma, eu tentando, tateando, sem resultado. A prova é este blog, prova de pretensão e de medo do fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, ficaram as fotos da viagem a Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116580843314333568?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116580843314333568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116580843314333568&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116580843314333568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116580843314333568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/solilquio.html' title='Solilóquio'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116546140092568003</id><published>2006-12-06T23:15:00.000-04:00</published><updated>2006-12-06T23:16:40.943-04:00</updated><title type='text'>Constatação</title><content type='html'>Imagino que não seja nenhuma tendência suicida minha - não é o tipo de coisa que passa pela minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na maioria de meus textos, alguém tem que morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116546140092568003?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116546140092568003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116546140092568003&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116546140092568003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116546140092568003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/constatao.html' title='Constatação'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116546061003220287</id><published>2006-12-06T22:44:00.000-04:00</published><updated>2006-12-06T23:03:30.063-04:00</updated><title type='text'>Altiora</title><content type='html'>Sem que nada dissesse, ele abriu a porta, deu um passo à frente, e bateu-a atrás de si, fazendo vibrar o ar já parado havia tanto tempo, fazendo dançar a poeira sobre a madeira que, um dia, fora polida. Chamava-lhe o vento lá fora; e o mundo além da casa era tudo o que ele não era, ou tudo o que ele deixara de ser: pernas de calças se entrelaçando nos varais das redondezas, grama pesada de chuva, mosquitos fazendo-lhe sombra. Cheiro de árvores - quais? - que se espalhava e penetrava os pulmões pelo nariz e pela boca, a largos goles. O mundo inteiro, meu Deus. O mundo inteiro. Tudo o que não podia ser contido ou represado ou sufocado estava lá, quente e inseguro. Poderia cair no segundo seguinte, e a queda seria apenas o choque no chão úmido, talvez a dor de secretos espinhos. Ele estalava ao vento observando o bambuzal revolto. O sol queimava gostoso, e dava-lhe um calor de dentro para fora, um calor que poderia ser ouvido ao longe, gritando a todo fôlego que sim, ele estava vivo. O calor que não havia dentro da casa glacial. Não um abafamento; não era isso: eram-lhe os órgãos inchando dentro de si enquanto a pele se arrepiava com o vento quase fresco. Era uma delícia respirar, e engolir o ar como quem bebe água, sedento, e passar na pele os dedos desabituados a sentir. Sim, eu estou vivo - mas surpreendeu-se ao ver que uma gigantesca formiga lhe fizera sangrar o dedão do pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era sangue, calor, pêlos, suor, poeira que o vento levava para os lados do bambuzal. Ele era o cheiro que não queria mais sentir, mas era o cheiro: metal enjoando o estômago sempre vazio, só a pele embebida como algodão. Amarelando-se. Descolorindo-se. As veias mais azuis que os olhos. As veias mais azuis que o azul cheio de nuvens mutantes com o vento veloz. Ele vivia a custo, pesado em seu corpo esquálido. Arrastava-se, leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as montanhas, lá na frente. Ele as conhecia? Só de longe, assustado. A vertigem da altura sempre o inibiu. Mas, naquele momento, parecia não fazer mais sentido tanta distância, ele atraído pelos tons verdes e azuis e as sombras acinzentadas da nuvem de chumbo que a sobrevoava. Lá o vento era ainda mais forte... Lá o mundo mudaria ainda mais: do topo ao mar, o trajeto dos olhos o levaria para... para não se sabe onde. Para o distante só imaginado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância intransponível. O sol queimando forte, o vento curvando o bambuzal. Os sons que ele só suspeitava em sua existência parada, metálica, glacial. Os sons de que ele se lembrava, passado muito distante. Os sons, o vento, as cores, as nuvens com que ele sonhava. Não mais o teto branco-esverdeado, imutável, não mais o silêncio interrompido somente pelo sinal de vida que a máquina emitia. Ele se desequilibrava, descalço no chão irregular. Mas como era bom não estar firme, constante - e uma nuvem escura cobriu o sol por uns minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ele decidiu ir às montanhas. Conhecê-las, prová-las, sorver seu ar, ser sua cor - ao longe o veriam e o reconheceriam como parte delas. E não era isso que ele era? Não mais o cheiro glacial... Voltava ao vento que desordenava os cabelos, ressecando-os. Voltava ao sol que marcava sua pele, ardendo. Voltava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sôfrego, caminhava devagar. Pesava o mundo a seus pés. O fôlego esvaindo-se, chegando a ilusão de que se rarefazia o ar. "Quanto maior a altitude, mais rarefeito é o ar" - nunca se esquecera das palavras da professora que não sorria. E não entendia o que era rarefeito; só naquele momento podia sentir - a experiência tudo ensina. Respirava com dificuldade, o ar rarefeito. Os pés sangravam - formigas e espinhos. Enevoava-se a vista - eram as nuvens. Obrigou-se a subir mais. "Altiora semper petens", e via o brasão estampado no bolso da camisa branca em que faltava um botão. Altiora, entrecortava a sentença buscando o fôlego na névoa que o envolvia, semper, cobiçando o topo da montanha em que ele seria a ventania, petens... Altiora, o vento... O vento, o sol, as alturas, a grama, o chão, os secretos espinhos. Ele estalava ao sol, no pico, no alto, o trajeto dos olhos o levando, distante, para além do mar que se via dos abismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o enfermeiro foi levar os remédios do meio-dia para Artur, pensou estar sonhando ao ver a cama vazia, soltos os tubos à volta do leito reclinado, parada a luz verde na máquina que dizia se ainda havia vida. Passara anos naquele quarto, ninguém diria que ele ainda era capaz de andar, de sentir, de viver. Encontraram-no a cinqüenta metros da porta da casa onde ficava, esquecido da família, os olhos abertos tentando ver através da bruma que o envolvia. Altiora. Ele havia alcançado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116546061003220287?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116546061003220287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116546061003220287&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116546061003220287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116546061003220287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/altiora.html' title='Altiora'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116541277468060732</id><published>2006-12-06T09:41:00.000-04:00</published><updated>2006-12-06T09:46:14.696-04:00</updated><title type='text'>Qualquer dia desses</title><content type='html'>Qualquer dia desses eu piro:&lt;br /&gt;Só na contramão, sem pedir licença,&lt;br /&gt;No meio da rua, gritando no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia desses eu mudo:&lt;br /&gt;Pra trás o muito ou pouco que já fiz,&lt;br /&gt;Nas trilhas as palavras de outrora,&lt;br /&gt;Viro o rosto pro que um dia eu já fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia desses eu surto:&lt;br /&gt;Uivo rouco em noite de lua,&lt;br /&gt;Passos ecoando cá dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia desses eu, mudo,&lt;br /&gt;Qualquer dia desses, um murro,&lt;br /&gt;Qualquer dia desses, eu nada&lt;br /&gt;A dizer sobre o céu, sob o sol:&lt;br /&gt;A voz que só fala do que não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia desses eu durmo:&lt;br /&gt;E esqueço o barulho da rua lá fora&lt;br /&gt;E esqueço as suas queixas, seus choros, soluços&lt;br /&gt;E esqueço o que sinto mas finjo que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia desses eu morro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116541277468060732?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116541277468060732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116541277468060732&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116541277468060732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116541277468060732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/12/qualquer-dia-desses.html' title='Qualquer dia desses'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29379663.post-116486361476350023</id><published>2006-11-30T00:20:00.000-04:00</published><updated>2006-11-30T01:16:43.830-04:00</updated><title type='text'>(In)Utilidades de uma terça-feira</title><content type='html'>Estou sem idéia, sem imaginação. Ao mesmo tempo, sinto uma vontade quase irresistível de escrever. Escrever qualquer coisa, é verdade. Escrevo, portanto, alguns apontamentos sobre o dia de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as estações em só dia. Da mais densa neblina ao céu estrelado, com lua crescendo aos poucos. Do sol forte aos relâmpagos. Da garoa ao nublado que parecia outono. Temporal. A serra nas mais lindas cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a amadurecer a pré-idéia que tive, terminando o banho uns dias &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/246879/clarice%20de%20perfil.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/267999/clarice%20de%20perfil.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;atrás, de mudar todo, ou quase todo, o projeto da minha tese. Cismei de trabalhar Hilda Hilst. Mas não penso em abandonar Clarice Lispector. Pensei em trabalhar com a produção literária de motivação mais evidentemente financeira. É que saiu, já há alguns meses, um livro da Clarice chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Correio feminino&lt;/span&gt;, uma coletânea de artiguinhos que ela escrevia para uma atriz. São bastante frívolos os artigos, pelo que vi na Fnac. E há também &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A via crucis do corpo&lt;/span&gt;, livro de contos escritos por encomendas. Pronto. "Mulheres &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/74590/hh281204.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/96743/hh281204.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;que vendem". "Vender, escrever: estudos sobre a motivação de criação literária na escrita feminina". Mais idéias para possíveis títulos, por favor. E então eu associo os textos da Clarice, de alguma forma - eu tenho meus métodos -, ao tapa com luvas de pelica (ou gancho de direita, mesmo) que a Hilda Hilst deu no mercado editorial com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O caderno rosa de Lori Lamby&lt;/span&gt;. Posso estar com idéias equivocadas. Mas são idéias. E acho que meu orientador vai comprar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Fnac é muito cara - dá até raiva! Ainda assim, saí de lá com um livro e dois CD´s, que ouvi na volta pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoço no La Mole (seria melhor se não fosse no Barrashopping) com namorado. Exposição das idéias da possível futura tese. "Aluísio Azevedo é no Brasil talvez o único escritor que ganha o pão exclusivamente à custa de sua pena. mas note-se que apenas ganha o pão: as letras no Brasil ainda não dão para a manteiga..." Ótima a frase do Valentim Magalhães! Ótimo o google que me "lembrou" o autor da frase...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que Paulo Coelho ainda nem sonhava em nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra que eu fui tocar no assunto? Sim, lá está Paulo Coelho em todas as listas de mais vendidos, claro. Se a Hilda Hilst fosse viva e não conseguisse publicar suas poesias, iria escrever um livro de misticismo-auto-ajuda-descoberta-do-seu-eu-em-um-caminho-mágico em vez de bananeiras... ops, bandalheiras. Acho que venderia mais; o mundo está muito politicamente correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior lugar para se comprar qualquer coisa é o Barrashopping. Uma sensação de completa impotência me toma. Eu não consigo me ordenar, eu não consigo ler tanta informação. E há aquelas terríveis sapatarias em que é preciso um leitor de código de barras para poder processar os milhares de modelos de sapatos - invariavelmente horrorosos - entulhados na vitrine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas consegui, enfim, comprar a sandália vermelha que queria há algum tempo. Só não tem nenhum saltinho, como queria. Fiquei feliz, contudo, porque já havia perdido todas as esperanças de conseguir algo para calçar estes meus pés de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/1600/19950/scrabble.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7683/3127/200/343433/scrabble.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;prei um Scrabble para mim!!! Sempre via em filmes e seriados (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Friends&lt;/span&gt;, sempre!) as pessoas jogando aquilo, sempre quis... Até Marcel, o macaco de Ross, já havia jogado Scrabble. Hoje fui à forra, e obriguei o namorado a jogar comigo. Ao menos ele gostou, e minha tirania foi atenuada. Eu ganhei, claro. Só não sei quantos "pis" - sim, a letra do alfabeto grego, 3,14! - eu escrevi para chegar à vitória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou ter que trabalhar também a obra quase transcendental da Hilda Hilst, o que está me enchendo de entusiasmo. Pode até ser uma idéia maluca. Mas é uma idéia. E veio do nada, como a idéia da minha dissertação, que ainda sonho em publicar (será que alguém se interessaria?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, vi na secretaria que o prazo para a minha defesa vai até o fim primeiro semestre de 2009. Não parece, mas passa rápido demais. E, daqui a menos de um ano e meio, eu estarei às voltas com a minha qualificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que viver às vezes assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a gente lê, estuda, e aprende mais palavras para ganhar de todo o mundo no Scrabble. Nem que eu tenha que usar a palavra "sofomania". Sim, eu aprendi em Hilda Hilst.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Essa não é de terça, é de domingo. Mas eu tenho que relatar... Eu chorei com o finalzinho de "Cidade dos Anjos", que já vi trezentas vezes, que eu conheço de cabo a rabo, que eu acho lindo, por mais que possam achar meloso, adocicado demais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et coetera&lt;/span&gt;. Mas isso não foi o pior. Eu chorei com "Impacto Profundo". E copiosamente. De soluçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não foi o pior. Eu já havia chorado com "Impacto Profundo", uma outra ocasião. E copiosamente. De soluçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, estes hormônios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Tahoma;font-size:85%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29379663-116486361476350023?l=reinventandoomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/feeds/116486361476350023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29379663&amp;postID=116486361476350023&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116486361476350023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29379663/posts/default/116486361476350023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinventandoomundo.blogspot.com/2006/11/inutilidades-de-uma-tera-feira.html' title='(In)Utilidades de uma terça-feira'/><author><name>Suzana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13180215452573858659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/7683/3127/1600/suzana.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry></feed>
